Os Meninos Superpoderosos

Salada tailandesa mistura ação infantil, artes marciais, drama sobre transplante de órgãos e terrorismo
Por André Azenha, editor (01/03/2010) // Comente

Os Meninos Superpoderosos (5 huajai hero/Power Kids, Tailândia, 2009). Direção: Krissanapong Rachata. Roteiro: Nonont Kontaweesook, Napalee, Piyaros Thongdee.  Elenco: Nantawooti Boonrapsap, Sasisa Jindamanee, Pimchanok Leuwisetpaiboon, Richard William Lord, Johnny Nguyen. Ação / Drama. 90 min. (Cor).

Calma, não é uma versão masculina para as Meninas Super Poderosas, mas sim um longa-metragem tailandês bastante pitoresco, e até divertido, lançado diretamente em home vídeo no Brasil. Esse é um daqueles casos que nós, brasileiros, ficamos um pouco sem entender o “humor” da história. Afinal, segundo o IMDB, trata-se de um filme que também é comédia. Só que para nós ocidentais, fica difícil rir da trama que gira em torno de cinco garotos. São eles Wut, Kat, Pong, Woon e Jib, que praticamente vivem dentro de uma escola de boxe tailandês, cujo professor é ao mesmo tempo um “paizão” e bastante severo.

Jib, o mais novo, tem um problema cardíaco. Após uma briga dele e seus amigos com outros garotos, ele passa mal e é internado, precisando urgentemente de um transplante de coração. Para complicar sua situação, o hospital onde está o órgão que lhe será doado é tomado por terroristas. Com o impasse das autoridades, Wut, Kat, Pong e Woon decidem invadir o local para conseguir o coração e levá-lo ao amigo doente.

Realizado por diretor e roteiristas inexperientes, e por nossa cultura ser diferente da cultura tailandesa, fica um difícil encarar o longa como um veículo para o público infantil. Apesar dos protagonistas serem crianças, de haver muita ação e cenas de lutas bem realizadas, há bastante drama e violência, com tiroteios e mortes aos montes. Pais brasileiros devem pensar duas vezes antes de mostrar o filme a seus filhos pequenos.

Já adolescentes talvez se divirtam mais com as situações surreais e a mistura de gêneros, que resultam numa obra maluca pra gente, e por isso mesmo, divertida. Há um pouco de exagero para mostrar as habilidades dos jovens. Exemplo da cena em que eles, para defender um senhor que vai à escola tentar aprender a arte marcial, lutam contra um gringo ocidental brutamontes e extremamente caricatural. O combate parece não ter fim, e o que no início soa bacana, com golpes bem orquestrados, fica um tanto pedante.

Ao menos o filme é curtinho, dá para ser visto como curiosidade, alguns momentos até podem render risadas (como naquele em que um dos meninos coloca uma proteção dentro do short contra as palmadas do treinador – falar mais estraga a graça da cena) e serviu para me lembrar da série “O Pequeno Mestre”, que mostrava, nos anos 80 (a Globo exibiu o seriado em 1987, nas manhãs de domingo) um garotinho oriental botando bandidos de todas as estirpes para correr. Nela sim, as lutas eram mero entretenimento para crianças.

Imagem de Amostra do You Tube
Lançamento em DVD no Brasil: 18/02/2010

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André Azenha é jornalista, editor dos sites CineZen e CulturalMente Santista, autor do livro Poesia a Quatro Mãos, feito em parceria com sua mãe, a poetisa Regina Azenha. Trabalhou com o crítico de cinema Rubens Ewald Filho, escreveu para a revista Época São Paulo e colabora com veículos de imprensa de vários estados. Em 2011, mediou o ciclo Documentários Comentados, no SESC Santos. É assessor de imprensa e realiza encontros culturais, a maior parte de caráter beneficente.


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