Os Meninos Superpoderosos

Os Meninos Superpoderosos (5 huajai hero/Power Kids, Tailândia, 2009). Direção: Krissanapong Rachata. Roteiro: Nonont Kontaweesook, Napalee, Piyaros Thongdee.  Elenco: Nantawooti Boonrapsap, Sasisa Jindamanee, Pimchanok Leuwisetpaiboon, Richard William Lord, Johnny Nguyen. Ação / Drama. 90 min. (Cor).

Calma, não é uma versão masculina para as Meninas Super Poderosas, mas sim um longa-metragem tailandês bastante pitoresco, e até divertido, lançado diretamente em home vídeo no Brasil. Esse é um daqueles casos que nós, brasileiros, ficamos um pouco sem entender o “humor” da história. Afinal, segundo o IMDB, trata-se de um filme que também é comédia. Só que para nós ocidentais, fica difícil rir da trama que gira em torno de cinco garotos. São eles Wut, Kat, Pong, Woon e Jib, que praticamente vivem dentro de uma escola de boxe tailandês, cujo professor é ao mesmo tempo um “paizão” e bastante severo.

Jib, o mais novo, tem um problema cardíaco. Após uma briga dele e seus amigos com outros garotos, ele passa mal e é internado, precisando urgentemente de um transplante de coração. Para complicar sua situação, o hospital onde está o órgão que lhe será doado é tomado por terroristas. Com o impasse das autoridades, Wut, Kat, Pong e Woon decidem invadir o local para conseguir o coração e levá-lo ao amigo doente.

Realizado por diretor e roteiristas inexperientes, e por nossa cultura ser diferente da cultura tailandesa, fica um difícil encarar o longa como um veículo para o público infantil. Apesar dos protagonistas serem crianças, de haver muita ação e cenas de lutas bem realizadas, há bastante drama e violência, com tiroteios e mortes aos montes. Pais brasileiros devem pensar duas vezes antes de mostrar o filme a seus filhos pequenos.

Já adolescentes talvez se divirtam mais com as situações surreais e a mistura de gêneros, que resultam numa obra maluca pra gente, e por isso mesmo, divertida. Há um pouco de exagero para mostrar as habilidades dos jovens. Exemplo da cena em que eles, para defender um senhor que vai à escola tentar aprender a arte marcial, lutam contra um gringo ocidental brutamontes e extremamente caricatural. O combate parece não ter fim, e o que no início soa bacana, com golpes bem orquestrados, fica um tanto pedante.

Ao menos o filme é curtinho, dá para ser visto como curiosidade, alguns momentos até podem render risadas (como naquele em que um dos meninos coloca uma proteção dentro do short contra as palmadas do treinador – falar mais estraga a graça da cena) e serviu para me lembrar da série “O Pequeno Mestre”, que mostrava, nos anos 80 (a Globo exibiu o seriado em 1987, nas manhãs de domingo) um garotinho oriental botando bandidos de todas as estirpes para correr. Nela sim, as lutas eram mero entretenimento para crianças.

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=2QKL9AJxqAU[/youtube]
Lançamento em DVD no Brasil: 18/02/2010

André Azenha
Jornalista por formação, crítico de cinema, produtor cultural, pesquisador, curador, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Colaborou com críticas semanais nos jornais Expresso Popular e quinzenais no jornal A Tribuna. Colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest - Festival Internacional de Filmes de Santos, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest e PalafitaCon. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante. Atualmente participa do projeto Hora da Cultura, pela Secult Santos, levando sessões de filmes e bate-papos às escolas da rede municipal. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi. Escreveu sobre cinema para sites, jornais e revistas de Santos, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Limeira e Maceió. www.facebook.com/andreazenha01

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *