Star Trek

Star Trek (Idem, EUA / Alemanha, 2009). Direção: J.J. Abrams. Roteiro: Alex Kurtzman e Roberto Orci, baseado em série de TV criada por Gene Roddenberry. Elenco: Chris Pine, Zachary Quinto, Leonard Nimoy, Eric Bana, Bruce Greenwood, Karl Urban, Winona Ryder, Simon Pegg, Zoe Saldana, John Cho. Ficção científica / Aventura / Ação. 126 min. (Cor).

J.J. Abrams é foda. Não bastasse o cara ser praticamente um Midas da televisão, tendo criado, dirigido ou produzido séries que se tornaram sucesso de público e crítica – como “Alias” e “Lost” – o produtor/diretor/roteirista/compositor também vai se mostrando um cineasta extremamente competente. Principalmente ao mexer em território sagrado. Sua estréia como diretor foi no terceiro filme de uma franquia baseada em série clássica – “Missão Impossível 3” (2006) foi a melhor adaptação do seriado para o cinema.

Seu segundo trabalho como diretor, então, nem se fala. Foi recriar aquela que é uma das marcas mais sagradas, respeitadas e devotadas pelos fãs de ficção científica: “Star Trek” (antes chamada, na língua portuguesa, de “Jornada nas Estrelas”, título nacional abolido neste filme) – que tem quatro décadas de existência, inúmeras temporadas na TV e até então, dez longas cinematográficos, sendo que, os últimos, foram desastrosos e quase enterraram a franquia na tela grande.

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Desde o início Abrams (também produtor deste longa – já produzira “Cloverfield“, entre outros) afirmou não ser fã da série. E os “trekkers” ficaram com os dois pés atrás – principalmente quando foi anunciado que a nova trama seria um recomeço e não traria o elenco original (exceção a um ator), mas sim intérpretes novatos, com um ou outro artista mais experiente para fechar o elenco. Porém, “Star Trek”, o filme, se revela uma experiência maravilhosa, tanto para aficionados, como também para quem jamais ouviu falar sobre Kirk e Spock. Trata-se de uma superprodução, orçada em R$ 150 milhões, mas que não é descerebrada.

Abrams é mestre no assunto, sabe como fazer um blockbuster. E “Star Trek” mistura com precisão, cenários fantásticos, diálogos espertos, ação, aventura, comédia e drama (Michael Bay deveria prender com ele). E a história mantém a essência do significado trekker: a união dos povos em busca de uma bem comum.

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De forma inteligente, o roteiro de Alex Kurtzman e Roberto Orci (especialistas em produções “arrasa quarteirões” – como “Transformers”, de Michael Bay), consegue rejuvenescer a saga sem abrir mão do que havia sido feito no universo da série. E para isso, utilizam um artifício comum no gênero ficção científica: a viagem no tempo.

Presenciamos os primeiros passos de James Kirk (Chris Pine) e Spock (Zachary Quinto) na Frota Estelar. E sua missão é deter o avanço do maléfico romulano Nero (Eric Bana), que veio do futuro para exterminar aqueles que ele considera terem destruído o seu planeta.

Do futuro, também vem Spock (Leonard Nimoy). Ao retornarem ao passado, Nero e Spock criam uma realidade alternativa, o que mantém intacta toda a mitologia trekker, e consequentemente, dando a deixa para a trajetória de todos ser contada do início.

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Para o êxito da obra, contou a escolha certeira dos atores. Chris Pine (que até o momento não havia feito grandes papéis na tela grande) encarna com perfeição o Capitão Kirk, respeitando o modo como William Shatner havia concebido o personagem décadas atrás: um tanto prepotente, malandro, mulherengo, aventureiro.  Zachary Quinto (o Sylar da série de TV “Heroes”, em sua estréia no cinema), por sua vez, é a reencarnação exata de Leonard Nimoy como Spock. E o mais importante. Os atores reeditam a química da dupla original.

Os coadjuvantes também se saem muito bem. Anton Yelchin, o comediante Simon Pegg, John Cho e a maravilhosa Zoë Saldana correspondem respectivamente na pele de  Chekov, Scotty, Sulu e Uhura. E os mais experientes são Eric Bana (o “Hulk” de Ang Lee), Winona Ryder (ressuscitando dos mortos, como a mãe de Spock), Bruce Greenwood (capitão Pike) e para alegria dos fãs (e também como espécie de “aval” para a continuação da franquia), Leonard Nimoy, o primeiro Spock – aliás, o encontro entre o Spock do futuro com o do presente deve ter causado urros nos admiradores mais ardorosos de “Star Trek”.

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Direção de arte, figurino e efeitos visuais batem um bolão. Recriam o universo trekker (em todos os detalhes, com destaque para a nave Enterprise) e ao mesmo tempo revitalizam-no para a platéia atual. E a direção de J.J. Abrams é segura, com as câmeras nos lugares certos, cortes certeiros, ótimas cenas de lutas e ritmo que prende atenção do espectador. E melhor ainda, a trama retoma o apelo sexy das primeiras temporadas (assistimos algumas tripulantes de shortinho, langerie, etc), e que fora abolido dos últimos (e chatos) anos na televisão. Além disso, uma relação amorosa entre tripulantes é desenvolvida para surpresa geral.

O único deslize, que faz o filme não receber a nota máxima, é a ausência do tema clássico musical de Jerry Goldsmith, que fecharia com chave de ouro esta obra divertida, agradável e que deixa um gosto de “quero mais” por novas aventuras de Kirk, Spock e companhia. Longa vida a J.J. Abrams. Longa vida à nova “Star Trek”.

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Assista ao trailer

Lançamento em DVD e Blu-ray.

Configurações do DVD Duplo: Menu interativo; Seleção de cenas; Seleção de áudio e legenda; Comentários do diretor J.J. Abrams, dos roteiristas Robert Orci e Alex Kurtzman, do produtor Damon Lindelof e do produtor executivo Bryan Burk (13:37 minutos); Um Nova Visão; Erros de Gravação; Audaciosamente Indo; O Elenco; Os Alienígenas; A Música Formato de Tela: Widescreen 2.40:1; Áudio: Dolby Digital 5.1 (Português, Inglês); Legendas: Português, Inglês.

Configurações do Blu-ray: Menu interativo; Seleção de cenas; Seleção de áudio e legendas; Comentários de J.J. Abrams, Bryan Burk, Alex Kurtzman, Damon Lindelof e Roberto Orci; BD Live Features: NASA News; Audaciosamente Indo (HD); O Elenco (HD); Uma Nova Visão (HD); Naves Estelares (HD); Alienígenas (HD); Planetas (HD); Objetos de Cena e Figurinos (HD); Ben Burtt e os Sons das Estrelas (HD); A Música (HD); A Visão de Gene Roddenberry (HD); Cenas Inéditas com Comentários Opcionais; Nave Simuladora da Frota Estelar; Erros de Gravação; Trailers; Formato de Tela: Widescreen Anamórfico 2.40:1; Áudio: Dolby Digital 5.1 True HD (Inglês) e Dolby Digital 5.1 (Português e Espanhol); Legendas: Português, Inglês, Espanhol, Francês, Inglês SDH.

André Azenha
Jornalista, crítico de cinema, produtor cultural, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Escreve uma coluna semanal, aos sábados, para o jornal Expresso Popular, colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante, em Santos. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi.

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