Soldado Universal: Regeneração

Longa ignora 2º filme da série, tem boas cenas de luta, ressuscita personagens de Van Damme e Dolph Lundgren, mas não regenera suas carreiras
Por André Azenha, editor (12/02/2010) // 2 comentários

Soldado Universal 3: Regeneração (Universal Soldier 3: Regeneration, EUA, 2009). Direção: Diretor: John Hyams. Roteiro: Victor Ostrovsky, Richard Rothstein, Christopher Leitch, Dean Devlin. Elenco: Andrei ”Pitbull” Arlovski, Dolph Lundgren, Jean-Claude Van Damme, Mike Pyle, Corey Johnson. Ação. 97 min. (Cor).

Se Stallone decidiu ressuscitar franquias do passado – “Rocky” e “Rambo” – para colocar a carreira nos eixos, e alcançou o resultado almejado, e Steven Seagal segue, mesmo de forma ridícula, filmando que nem louco todos os anos, porque o grandalhão Dolph Lundgren e o baixinho Jean-Claude Van Damme não podem tentar sair do caixão?

O loiro que já interpretou He-Man e o Justiceiro no cinema vem dirigindo suas próprias fitas, geralmente gravando na Bulgária, para diminuir custos, e até saindo-se bem, como em “Comando Vermelho”. Já o ator belga tentou algo diferente em “JCVD”, no qual ele praticamente faz um retrato de sua trajetória pessoal.

Pra quem não lembra, os dois dividiram a tela em “Soldado Universal”, ficção-científica subestimada de 1992, realizada pela falecida Carolco, e que já passou dezenas de vezes no Domingo Maior e congêneres. Naquele filme, ambos são fuzileiros mortos no Vietnã que acabam revividos muitos anos depois por um programa secreto que visa criar soldados com força e agilidade acima do comum.

Em 1999 houve uma continuação (“Soldado Universal – O Retorno”), apenas com Van Damme, que foi um fracasso retumbante e pareceu ter jogado a franquia no esquecimento.

Mas incrivelmente produtores adquiriram os direitos da marca e conceberam “Soldado Universal 3 – Renegeração”, que resgata Van Damme e Lundgren, porém coloca os dois como coadjuvantes frente ao lutador de vale-tudo (sim, isso mesmo, lutador!!) Andrei “Pitbull” Arlovski, cujo nome surge em primeiro nos créditos.


Na trama, Arlovski é (geralmente eu usaria a palavra “interpreta”, mas como ele faz uma espécie de robô e só se mexe para lutar…) o mais novo modelo do programa UniSol, que ressuscita soldados caídos em combate e os torna extremamente fortes e ágeis para o padrão humano.

O novo supersoldado é usado por um grupo terrorista, que domina a usina de Chernobyl e ameaça detonar uma explosão nuclear caso as autoridades não concordem com o golpe separatista. Luc Deveraux (Van Damme) é um dos poucos da primeira linha de soldados universais que ainda vivem e é acionado para resolver o problema, mas deve encarar também Andrew Scott (Lundgren), seu antigo rival de Vietnã e do filme de 1992 que também ressurge devido às ações dos vilões.

Lançado diretamente em home vídeo por aqui, “Soldado Universal 3” até que corresponde a este formato. O diretor John Hyams, filho do veterano Peter Hyams (de ”Outland – Comando Titânio’, com Sean Connery,’ e “Time Cop”, com Van Damme), que também trabalhou como diretor de fotografia, contou com pouco dinheiro para realizar o filme (sem ninguém da equipe do longa original) e ainda assim utilizou com inteligência os poucos cenários e rodou boas cenas de luta e conflito armado – uma delas, inclusive, é digna de vídeo-game, mostrando Van Damme entrando e saindo de várias portas e executando dezenas de inimigos.


Contou para o êxito das cenas de combate a experiência de lutador de Arlovski (tão expressivo artisticamente quando o nosso Ricardo Macchi), que imprimiu golpes de jiu-jitsu nessas sequencias, fugindo à mesmice daquelas coreografias das produções com Jackie Chan e companhia.

Agora, fica a pergunta? Porque Van Damme e Lundgren estão no filme? Apenas para assinar a “validade” do longa como um produto da franquia “Soldado Universal”. Pois se nem um nem outro estivessem presentes, a trama não perderia nada. Ambos gravaram suas cenas em poucos dias e com certeza não acrescentaram nada às suas carreiras.

O personagem do primeiro, principalmente, herói do primeiro longa, merecia um tratamento melhor.

Com roteiro irregular e atuações insípidas, “Soldado Universal 3” ressuscitou pela segunda vez os personagens Luc Deveraux e Andrew Scott, mas não serviu para regenerar seus intérpretes. E vale à pena mesmo somente para quem gosta de cenas de pancadaria.

Lançamento em DVD.

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André Azenha é jornalista, editor dos sites CineZen e CulturalMente Santista, autor do livro Poesia a Quatro Mãos, feito em parceria com sua mãe, a poetisa Regina Azenha. Trabalhou com o crítico de cinema Rubens Ewald Filho, escreveu para a revista Época São Paulo e colabora com veículos de imprensa de vários estados. Em 2011, mediou o ciclo Documentários Comentados, no SESC Santos. É assessor de imprensa e realiza encontros culturais, a maior parte de caráter beneficente.


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2 Comentários
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  1. bom dia alguem me sabe dizer onde posso comprar os dvds originais do jean claude van damme : the order-cruzada final, soldado universal Regeneração, e o jcvd, se alguem souber que me de uma informação obrigado pela attenção

  2. Olá Carlos, tudo bem? O JCVD é mais fácil de achar, pois foi até elogiado pela crítica no Brasil, com boa divulgação. Pela internet, você o encontra no site da locadora 2001 http://www.2001video.com.br, de São Paulo. Ou na http://www.amazon.com/JCVD-Jean-Claude-Van-Damme/dp/B001PWY4NG. Quanto aos demais, é mais difícil mesmo. Mas nada que uma pesquisa grande na internet não possa resolver. Grande abraço

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