Batman: Cacofonia

Escrita pelo cineasta Kevin Smith, HQ traz o velho confronto entre o vigilante de Gotham e o Coringa
Por André Azenha, editor (06/12/2009) // Comente

batman cacofoniaA relação de Kevin Smith com as histórias em quadrinhos ultrapassa o contato fã-gibis. Até roteiro para um filme do Superman (que nunca foi produzido) ele já fez. Em “Batman: Cacofonia”, lançada originalmente como minissérie no meio do ano nos EUA, e em outubro no Brasil, numa edição única pela Panini, o cineasta dá sua visão sobre o conflito entre Batman e seu maior algoz, o Coringa, inserindo na história um vilão criado por ele para a revista do Arqueiro-Verde, o Onomatopéia.

“Cacofonia” começa com o Sr. Zsasz invadindo o Asilo Arkham, que não tem mais homens no portão devido a um corte de verba da Prefeitura de Gotham. Ao entrar no local, ele vai direto á cela do Coringa para matá-lo. Só que no exato momento que o assassino contratado vai finalizar o serviço, surge o Onomatopéia, que liberta o Palhaço do Crime, visando atrair a atenção do homem-morcego. Pelo meio do caminho ainda há o bandido de araque Maxie Zeus, que produziu uma nova droga a partir do gás do riso do Coringa.

Smith criou uma trama contemporânea, com direito a piadinhas sobre emos e que traz uma marca registrada do autor nos cinemas: os bons diálogos. Principalmente aqueles que envolvem o Coringa. Aliás, dá pra notar influências de duas obras clássicas do Batman. O gibi “A Piada Mortal”, de Alan Moore (inclusive com um flashback que remete a trechos da antiga HQ, como o momento em que Bárbara Gordon é baleada), e o filme “Batman – O Cavaleiro das Trevas”.

Assim como essas duas obras marcantes da trajetória do cavaleiro das trevas, o Coringa surge insano, descontrolado, psicótico, chegando até a exceder a loucura do personagem interpretado por Heath Ledger no cinema. Uma sequencia, por sinal, gerou polêmica na internet: o Coringa propondo uma relação sexual com um dos outros vilões, literalmente oferecendo a bunda para o comparsa.

O vilão criado por Kevin Smith persegue heróis mascarados

O vilão criado por Kevin Smith persegue heróis mascarados

Robin é apenas citado e o mordomo Alfred marca presença dando os costumeiros conselhos para o patrão Bruce.

Os escorregões da HQ ficam por conta do instante em que ressurge o questionamento: por que Batman não mata o arqui-rival? Nessa hora, há muita enrolação e nenhuma resposta plausível.

O outro problema é a forma como o desenhista Walt Flanagan passou para o papel as idéias de Smith. Ele parece ter dificuldade em conseguir desenhar os rostos dos personagens da mesma forma mais de uma vez.

Curiosamente, Flanagan é amigo pessoal do diretor de “O Balconista”, tendo aparecido como extra em quase todos os seus filmes e sendo o gerente da comic-shop Jay and Silent Bob’s Secret Stash, em New Jersey, de propriedade de Smith. Foi graças ao amigo que o sujeito passou a desenhar e depois conseguiu um contrato com a DC. Não à toa, ele foi o escolhido para ilustrar as 12 edições da nova minissérie de Batman escrita por Kevin Smith.

No geral, a obra agrada aos fãs, tem certo suspense e mantém o clima soturno dos gibis do herói. E o preço não é assustador.

Batman: Cacofonia (Batman: Cacophony, 2009)
Roteiro: Kevin Smith
Desenhos: Walter Flanagan
Edição brasileira: Panini Comics
100 páginas
R$ 7,50

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André Azenha é jornalista, editor dos sites CineZen e CulturalMente Santista, autor do livro Poesia a Quatro Mãos, feito em parceria com sua mãe, a poetisa Regina Azenha. Trabalhou com o crítico de cinema Rubens Ewald Filho, escreveu para a revista Época São Paulo e colabora com veículos de imprensa de vários estados. Em 2011, mediou o ciclo Documentários Comentados, no SESC Santos. É assessor de imprensa e realiza encontros culturais, a maior parte de caráter beneficente.


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