Che

Primeira parte de superprodução sobre Che Guevara tem atores em atuações excepcionais, ótimo roteiro e direção certeira de Steven Soderbergh
Por Ricardo Prado * (18/11/2009) // Comente

cheChe (Che: Part One, Espanha / EUA / França, 2008). Direção: Steven Soderbergh. Roteiro: Peter Buchman, baseado em livro de memórias de Ernesto “Che” Guevara. Elenco: Del Toro, Lou Diamond Phillips, Kahlil Mendez, Carlos Bardem, Franka Potente, Demián Bichir, James D. Dever, Rodrigo Santoro. Drama / Guerra. 126 min. (Cor).

Ainda não haviam feito um grande filme sobre Ernesto Che Guevara, o que é imperdoável, já que se trata de uma das figuras (ou a figura) mais retratadas e reproduzidas no imaginário popular de todo o mundo, um sinônimo de revolução, luta por direitos e outras virtudes. A responsabilidade foi para o cineasta Steven Soderbergh, cuja carreira no cinema é um atestado de competência para uma produção desse tamanho.

Como o público não aguentaria um filme de quatro horas, já que hoje o cinema não é mais o programa da noite, mas sim um dos programas, a biografia foi dividida em dois filmes. A primeira parte é sobre o envolvimento de Che na Revolução Cubana, quando ele e o exército de Fidel Castro tomam o poder de Cuba em 1959. A segunda segue a história de Che quando tenta trazer a Revolução para a América Latina, quando é assassinado na Bolívia.

“Che” é uma obra grandiosa porque não recorre a grandes artifícios para se firmar como tal. A narrativa só se distancia do convencional por apresentar outro segmento paralelo em que Che dá uma entrevista a uma jornalista norte-americana, o discurso que fez em 1964 nas Nações Unidas, e outros momentos que viriam. Mas, isso acaba servindo para prevenir qualquer confusão, já que reafirmam o que o filme acabou de mostrar, ou prepara o espectador para o que está por vir. É verdade que não se trata de uma biografia da pessoa de Che, e sim do revolucionário Che. Quando o primeiro filme começa, Che já conhece Fidel (Demian Bichir), Raul Castro (Rodrigo Santoro) e outros membros da Revolução antes de irem a campo.

A fotografia reafirma o gênero do filme como um épico, quase sempre impondo planos bem abertos e usos cuidadosos da colocação dos elementos. O roteiro é excelente e ainda bem que foi filmado em espanhol, o cinema já está saturado de biografias de estrangeiros faladas em inglês. O trabalho dos atores é excepcional: Benício del Toro se transforma no ícone, assim como Demián Bichir, que parece tanto com o Fidel mais novo que nos faz pensar se talvez não se trate de algum filho dele. Apesar de ser dividido, a primeira parte não termina num momento decisivo, ou “cliffhanger”. Desta forma, pode-se até assistir ao segundo e, depois, o primeiro. Tornam-se trabalhos independentes, mas que funcionam juntos. Quem ganha com isso tudo é, claro, o espectador.

9,5

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