Tokyo!

Outro filme da série que retrata determinadas cidades tem histórias interessantes, mas não é nada demais
Por Ricardo Prado * (15/11/2009) // Comente

tokyoTokyo! (Idem, Japãp, 2008). Direção: Michel Gondry, Leos Carax, Joon-ho Bong. Roteiro: Michel Gondry, Leos Carax, Joon-ho Bong. Elenco: Satoshi Tsumabuki, Ayako Fujitani, Ayumi Ito, Jean-François Balmer, Denis Lavant, Teruyuki Kagawa, Naoto Takenaka. Drama. 112 min. (Cor).

Seguindo a onda de filmes compostos por curtas-metragens sobre alguma determinada cidade (conforme já tivemos “Paris, Eu te Amo”, e futuramente teremos “New York, I Love You”), “Tokyo!” reúne três histórias dirigidas por Michel Gondry (de “Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças”), Leos Carax (de “Pola X”) e Joon-ho Bong (que fez “O Hospedeiro” recentemente) tendo a cidade de Tóquio como cenário. Diferente de outras coletâneas, porém, “Tokyo!” dá bastante espaço a seus filmes, são só três em 112 minutos, permitindo às histórias que se desenvolvam. Nem sempre isso ocorre no gênero, fazendo com quem grande parte dos curtas fique à margem do experimental, deixando o espectador sem entender nada do que se passou.

A primeira história, “Interior Design” é a única adaptada, veio dos quadrinhos. Mostra um casal à procura de um apartamento em Tóquio, enquanto vivem de favor na quitinete de uma amiga. O rapaz é cineasta, e a namorada se sente um pouco inútil perto dele. Quando achamos que a história é sobre os prédios de Tóquio, como as pessoas vivem, a namorada vai se transformando em uma cadeira. Gondry lida com o kafkaniano bem como sempre.

O curta de Leos Carax, “Merde”, é mais inusitado ainda. Trata de um homem louco que vive nos esgotos de Tóquio e, sempre que sai, causa terror às pessoas. Em sua última saída, dispara granadas pela rua, fazendo vários feridos. Ele é detido e condenado à morte. Mas as pessoas tentam compreender quem ele é, e o motivo pelo qual não consegue se comunicar.

A última história, “Shaking Tokyo” é, talvez, a mais radical. O protagonista sofre de alguma síndrome do pânico que o impede de sair de casa. Quando chama uma pizza, acontece um terremoto bem na hora em que olha nos olhos da entregadora, algo que não faz há dez anos. Ele fica fissurado por ela e tenta descobrir onde ela mora. Mesmo que, para vê-la novamente, tenha que sair de casa.

O resultado é, claro, irregular. Até dá para perceber uma preocupação de “Interior Design” em tratar de Tóquio como espaço físico. Há um momento em que a amiga do casal diz que o apartamento do japonês é inversamente proporcional ao tamanho da empresa onde trabalha. Quando passamos para a segunda história, Tóquio é apenas cenário, já que o louco do esgoto poderia atacar qualquer lugar (e, ao final, passa essa impressão). Poderia ser uma homenagem a Godzilla, mas faltam pistas maiores. Quando chegamos ao último, dá para perceber que a análise não é mais nem de Tóqui nem do japonês, mas do ser humano, mesmo.

Se “Tokyo!” for promover a si mesmo como um retrato da cidade, vai acabar desapontando. São apenas algumas histórias que, por acaso, acontecem em Tóquio. Nada mais. São interessantes, mas não para quem só está interessado em ver a cidade, seja por saudade ou curiosidade.

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