Homenagem a Anselmo Duarte (1920-2009)

A trajetória de um dos grandes nomes da história do cinema brasileiro
Por André Azenha, editor (08/11/2009) // 2 comentários

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Ao menos até 2009, a única Palma de Ouro conseguida por um filme brasileiro no Festival de Cannes, o mais importante do gênero no planeta, foi por “O Pagador de Promessas”, em 1962. O longa, protagonizado por Leonardo Vilar e Glória Menezes, foi dirigido por Anselmo Duarte, que faleceu neste sábado, 7 de novembro. O cineasta, também ator e galã do cinema nacional entre as décadas de 40 e 50, estava internado no Hospital das Clínicas, em São Paulo, desde o dia 28 de outubro, quando sofreu um terceiro acidente vascular cerebral.  Vilar também lutava contra um câncer na bexiga, diagnosticado em agosto deste ano.

Trajetória

Nascido em Salto, município próximo a Itu, no interior de São Paulo, num dia 21 de abril, Anselmo Duarte Bento mudou-se para o Rio nos anos 40. Atuou em “Inconfidência Mineira”, de Carmen Santos, em que teve pequena participação, mas virou astro ao atuar em “Querida Suzana”, dirigido por Alberto Pieralisi.

Marcou presença em importantes momentos da história do cinema brasileiro. Já considerado um galã, fez parte da Atlântida carioca (“Carnaval no Fogo”, “Aviso aos Navegantes”) e da Vera Cruz, em São Paulo (“Tico Tico no Fubá”, “Apassionata, Veneno”).

Trabalhou como co-produtor e ator em “Depois Eu Conto” (de José Carlos Burle), mas sonhava mesmo ser o criador de obras cinematográficas. E foi com Watson Macedo que aprendeu bastante, escrevendo argumentos e roteiros. Dirigiu o curta-metragem “Fazendo Cinema”, enquanto atuava nas filmagens de “Arara Vermelha”, de Tom Payne.

Foi casado com a estrela Ilka Soares (1932-    ) entre 1949 e 1956, com quem teve dois filhos.

Sua estréia na direção se deu em 1957, na boa comédia “Absolutamente Certo”, estrelada por Dercy Gonçalves. Nessa produção, Anselmo demonstrou o talento na função, que seria confirmado cinco anos depois em seu segundo trabalho.

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Baseado na peça de Dias Gomes, “O Pagador de Promessas” (1962) não somente conseguiu a tão almejada Palma de ouro em Cannes, como foi o primeiro filme brasileiro finalista no Oscar de Filmes Estrangeiro e ganhou ainda prêmios nos Festivais de São Francisco e Cartagena.  Curiosidade: na verdade o longa era uma co-produção portuguesa e foi rodado ao mesmo tempo com uma versão daquele país.

Rejeitado pelos integrantes do Cinema Novo, realizou outra obra ambiciosa, “ Vereda da Salvação” (1965, baseada em peça de Jorge de Andrade), que não teve a mesma repercussão de “O Pagador de Promessas” e acabou taxada de “comunista” pelo Itamaraty. Depois, Anselmo realizou fitas comerciais irregulares e retomou a carreira de ator. Desde então, não conseguiu repetir o êxito dos filmes que lhe consagraram e voltou para Salto em 1987, onde viveu numa chácara, que serviu de refúgio para ele.

Se no Brasil por algum tempo Anselmo não teve o reconhecimento merecido, em Cannes jamais foi esquecido. Em 1971 foi membro do júri do festival, e em 1997, participou da 50ª edição do evento como convidado especial.

Cinco anos mais tarde a cidade de Salto criou a semana Anselmo Duarte, que acontece de 21 a 27 de abril. Já em 2008, seu filho, Ricardo Duarte, criou o Instituto Anselmo Duarte, para preservar e divulgar o trabalho de um dos grandes nomes do cinema brasileiro. Fica a homenagem.

Filmografia

Como Ator:

1942 – It’s All True (inacabado).

1947 – Querida Suzana; Pinguinho de Gente; Não me digas Adeus.

1948 – Inconfidência Mineira; Terra Violenta; A Sombra da Outra.

1949 – O Caçula do Barulho, Carnaval no Fogo.

1950 – Aviso aos Navegantes.

1951 – Maior que o Ódio.

1952 – Tico-Tico no Fubá.

1953 – Sinhá Moça, Apassionata, Veneno.

1955 – Carnaval em Marte, Sinfonia Carioca, O Diamante.

1956 – Depois Eu Conto.

1957 – Arara Vermelha; Absolutamente Certo; Senhora (inacabado).

1958 – O Cantor e o Milionário.

1959 – Um Raio de Luz (na Espanha).

1960 – As Púpilas do Senhor Reitor (em Portugal).

1967 – O Caso dos Irmãos Naves.

1968 – Juventude e Ternura; Madona de Cedro.

1972 – Independência ou Morte.

1974 – O Marginal.

1975 – Assim era Atlântida; A Casa das Tentações.

1976 – Paranóia; Já não se faz Amor como Antigamente.

1984 – Tensão no Rio.

1986 – Brasa Adormecida.

Como Diretor:

1957 – Fazendo Cinema (Doc.); Absolutamente Certo.

1962 – O Pagador de Promessas.

1965 – Vereda da Salvação.

1969 – Quelé do Pajeú.

1970 – O Impossível Acontece (3° epis. O Reimplante); Um Certo Capitão Rodrigo.

1973 – O Descarte.

1975 – Já Não Se faz Amor como Antigamente (1° epis. Oh! Dúvida Cruel); Ninguém

Segura Essas Mulheres (1° epis. Marido que Volta deve Avisar).

1977 – O Crime do Zé Bigorna.

1980 – Os Trombadinhas.

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André Azenha é jornalista, editor dos sites CineZen e CulturalMente Santista, autor do livro Poesia a Quatro Mãos, feito em parceria com sua mãe, a poetisa Regina Azenha. Trabalhou com o crítico de cinema Rubens Ewald Filho, escreveu para a revista Época São Paulo e colabora com veículos de imprensa de vários estados. Em 2011, mediou o ciclo Documentários Comentados, no SESC Santos. É assessor de imprensa e realiza encontros culturais, a maior parte de caráter beneficente.


Alô Alô TerezinhaBate papo cinematográfico em Santos

2 Comentários
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  1. O cinema brasileiro deve muito a Anselmo Duarte. “O Pagador de Promessas” ainda é o único filme brasileiro vencedor de uma Palma de Ouro. Um grande talento que fez o nome do Brasil brilhar no mundo.

  2. Merecida homenagem a quem tanto fez pelo cinema nacional.

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