A Última Casa

Refilmagem de clássico do terror de Wes Craven mantém legado do cineasta e é melhor que a maioria dos remakes do gênero
Por André Azenha, editor (16/10/2009) // 1 comentário


ultimaA Última Casa (The Last House on the Left, EUA, 2009). Direção: Dennis Iliadis. Roteiro: Adam Alleca, Carl Ellsworth, Wes Craven. Elenco: Tony Goldwyn, Monica Potter, Garret Dillahunt, Aaron Paul, Spencer Treat Clark, Riki Lindhome, Martha MacIsaac, Sara Paxton. Terror / Thriller. 110 min. (Cor).

Sai direto em DVD essa refilmagem do brutal “Aniversário Macabro” (Last House on the Left, 1972), clássico do terror dirigido por Wes Craven, criador das séries “A Hora do Pesadelo” e “Pânico”. Apesar de não contar com algumas sequências polêmicas do longa original, como a castração por mordida de uma mulher, o remake, batizado com o título nacional “A Última Casa”, mantém o clima de tensão constante e a violência.

Vale ressaltar que todos os tiros, cortes, socos, pontapés, lacerações e perfurações se encaixam no contexto. Quem não tem estômago para cenas assim deve evitar, pois o sadismo do filme original continua até hoje vetado em vários países.

Uma família decide passar um fim de semana numa casa isolada (sempre ela) à beira de um lago (sempre ele) para descansar. Mas um telefonema de uma amiga faz a filha adolescente sair. As meninas conhecem um garoto num mercado, vão ao hotel onde ele está hospedado para conseguirem maconha e mal sabem que ele é filho e sobrinho de dois assassinos, que acabam de fugir da polícia caltima-casa_capaom uma mulher, após matarem um dos oficiais.

As garotas são violentadas e largadas no meio do mato e, na fuga, os criminosos acabam indo parar… na casa à beira do lago. Daí para frente dá pra imaginar o que pode acontecer.

Apesar de contar com alguns clichês do terror, como a casa isolada e o lago que servem de cenário e um pouco de nudez – alguém se lembrou de “Sexta-Feira 13”? –, a trama em que o remake se baseia precede em oito anos a primeira aparição de Jason à beira de Cristal Lake. Também não há serial killers mascarados ou fatores sobrenaturais, mas uma escalada de violência, que faz a família protagonista ser levada ao limite da racionalidade, culminando numa mudança de papéis, alimentada pelo desejo de vingança na mesma moeda cruel.

Graças ao elenco razoável, que mescla atores experientes (no papel dos pais, Monica Potter esteve no primeiro “Jogos Mortais” e foi a namorada de “Patch Adams”, e Tony Goldwyn, pra quem não se lembra, viveu o bandido em “Ghost – Do Outro Lado da Vida”) com jovens que não comprometem (os criminosos Garret Dillahunt, das séries “Deadwood” e “Terminator”, e Aaron Paul, indicado ao Emmy deste ano por “Breaking Bad”), “A Última Casa” consegue se destacar na onda de remakes de clássicos desse subgênero – chamado de “slasher”. Não foi necessário nem compor aquele tipo de trilha sonora manjada que vai aumentando perto do momento em que algo ruim pode acontecer.

ultima-casa_dois1Assim como o francês Alexandre Aja conseguiu com “Viagem Maldita” (2006), outro remake de um clássico de Craven (“Quadrilha de Sádicos”, 1977), o diretor grego Dennis Iliadis (que foi eleito o Melhor Diretor no Festival Internacional de Cinema Fantástico de Bruxelas), em seu segundo longa, surpreendeu, criando a atmosfera necessária para manter a atenção do público até o fim. E manter a platéia grudada na tela é um grande diferencial para uma vertente cinematográfica que tem sua fórmula praticamente esgotada.

“A Última Casa” dividiu a crítica americana – muito forte, desumano ou apelativo demais, alguns reclamaram -, mas honra o legado de Wes Craven, aproximando-se tematicamente de filmes mais recentes, como “Os Estranhos” e “Violência Gratuita”, com tudo para agradar quem é fã de terror.

Só fica a estranheza do filme não ter sido lançado em nossos cinemas, já que volta e meia as salas de projeção brasileiras recebem verdadeiras bombas como “Quando um Estranho Chama” e “A Órfã“.

7,5

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André Azenha é jornalista, editor dos sites CineZen e CulturalMente Santista, autor do livro Poesia a Quatro Mãos, feito em parceria com sua mãe, a poetisa Regina Azenha. Trabalhou com o crítico de cinema Rubens Ewald Filho, escreveu para a revista Época São Paulo e colabora com veículos de imprensa de vários estados. Em 2011, mediou o ciclo Documentários Comentados, no SESC Santos. É assessor de imprensa e realiza encontros culturais, a maior parte de caráter beneficente.


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1 Comentário
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  1. esse filme é sensacional!!!

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