A Última Casa


ultimaA Última Casa (The Last House on the Left, EUA, 2009). Direção: Dennis Iliadis. Roteiro: Adam Alleca, Carl Ellsworth, Wes Craven. Elenco: Tony Goldwyn, Monica Potter, Garret Dillahunt, Aaron Paul, Spencer Treat Clark, Riki Lindhome, Martha MacIsaac, Sara Paxton. Terror / Thriller. 110 min. (Cor).

Sai direto em DVD essa refilmagem do brutal “Aniversário Macabro” (Last House on the Left, 1972), clássico do terror dirigido por Wes Craven, criador das séries “A Hora do Pesadelo” e “Pânico”. Apesar de não contar com algumas sequências polêmicas do longa original, como a castração por mordida de uma mulher, o remake, batizado com o título nacional “A Última Casa”, mantém o clima de tensão constante e a violência.

Vale ressaltar que todos os tiros, cortes, socos, pontapés, lacerações e perfurações se encaixam no contexto. Quem não tem estômago para cenas assim deve evitar, pois o sadismo do filme original continua até hoje vetado em vários países.

Uma família decide passar um fim de semana numa casa isolada (sempre ela) à beira de um lago (sempre ele) para descansar. Mas um telefonema de uma amiga faz a filha adolescente sair. As meninas conhecem um garoto num mercado, vão ao hotel onde ele está hospedado para conseguirem maconha e mal sabem que ele é filho e sobrinho de dois assassinos, que acabam de fugir da polícia caltima-casa_capaom uma mulher, após matarem um dos oficiais.

As garotas são violentadas e largadas no meio do mato e, na fuga, os criminosos acabam indo parar… na casa à beira do lago. Daí para frente dá pra imaginar o que pode acontecer.

Apesar de contar com alguns clichês do terror, como a casa isolada e o lago que servem de cenário e um pouco de nudez – alguém se lembrou de “Sexta-Feira 13”? –, a trama em que o remake se baseia precede em oito anos a primeira aparição de Jason à beira de Cristal Lake. Também não há serial killers mascarados ou fatores sobrenaturais, mas uma escalada de violência, que faz a família protagonista ser levada ao limite da racionalidade, culminando numa mudança de papéis, alimentada pelo desejo de vingança na mesma moeda cruel.

Graças ao elenco razoável, que mescla atores experientes (no papel dos pais, Monica Potter esteve no primeiro “Jogos Mortais” e foi a namorada de “Patch Adams”, e Tony Goldwyn, pra quem não se lembra, viveu o bandido em “Ghost – Do Outro Lado da Vida”) com jovens que não comprometem (os criminosos Garret Dillahunt, das séries “Deadwood” e “Terminator”, e Aaron Paul, indicado ao Emmy deste ano por “Breaking Bad”), “A Última Casa” consegue se destacar na onda de remakes de clássicos desse subgênero – chamado de “slasher”. Não foi necessário nem compor aquele tipo de trilha sonora manjada que vai aumentando perto do momento em que algo ruim pode acontecer.

ultima-casa_dois1Assim como o francês Alexandre Aja conseguiu com “Viagem Maldita” (2006), outro remake de um clássico de Craven (“Quadrilha de Sádicos”, 1977), o diretor grego Dennis Iliadis (que foi eleito o Melhor Diretor no Festival Internacional de Cinema Fantástico de Bruxelas), em seu segundo longa, surpreendeu, criando a atmosfera necessária para manter a atenção do público até o fim. E manter a platéia grudada na tela é um grande diferencial para uma vertente cinematográfica que tem sua fórmula praticamente esgotada.

“A Última Casa” dividiu a crítica americana – muito forte, desumano ou apelativo demais, alguns reclamaram -, mas honra o legado de Wes Craven, aproximando-se tematicamente de filmes mais recentes, como “Os Estranhos” e “Violência Gratuita”, com tudo para agradar quem é fã de terror.

Só fica a estranheza do filme não ter sido lançado em nossos cinemas, já que volta e meia as salas de projeção brasileiras recebem verdadeiras bombas como “Quando um Estranho Chama” e “A Órfã“.

7,5

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André Azenha
Jornalista por formação, crítico de cinema, produtor cultural, pesquisador, curador, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Colaborou com críticas semanais nos jornais Expresso Popular e quinzenais no jornal A Tribuna. Colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest - Festival Internacional de Filmes de Santos, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest e PalafitaCon. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante. Atualmente participa do projeto Hora da Cultura, pela Secult Santos, levando sessões de filmes e bate-papos às escolas da rede municipal. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi. Escreveu sobre cinema para sites, jornais e revistas de Santos, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Limeira e Maceió. www.facebook.com/andreazenha01

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