A Morte do Superman


mortesupermanA Morte do Superman (Superman: Doomsday, EUA, 2007). Direção: Bruce Timm, Brandon Vietti, Lauren Montgomery. Roteiro: Duane Capizzi, Bruce Timm. Elenco: Adam Baldwin, Anne Heche, James Marsters, John DiMaggio, Tom Kenny, Swoosie Kurtz, Cree Summer, Ray Wise, Adam Wylie (apenas vozes). Animação / Aventura / Ação / Fantasia. 75 min. (Cor). Áud: Port, Ing. Leg: Port, Ing. Warner. Tela cheia.

Em 1992, para tentar dar fôlego novo ao gibi do Superman, que vendia pouco na época, a DC Comics radicalizou: decidiu matar seu personagem mais famoso para tentar alavancar os negócios. Um paradoxo interessante: dar cabo do protagonista para ressuscitar o gibi do próprio.

A jogada de marketing foi tal que até o Fantástico noticiou o assunto. Obviamente não tardou para o maior super-herói da história voltar da morte após uma saga que teve início com um monstrengo insano chamado Apocalipse, que devastou parte dos EUA, acabou com a Liga da Justiça e num combate épico morreu e matou o último filho de Krypton. Seguiram-se o Funeral, uma aventura no mundo dos mortos, e o Retorno, que serviu não apenas para fazer a publicação voltar a vender como água, mas também introduziu novos personagens no universo da editora.

Uma década e meia depois, como parte da série de longas de animação feitos para o mercado de home vídeo baseados em histórias clássicas da DC, foi a vez de “A Morte do Superman” (confira o trailer) virar filme. Mas ao contrário de excelentes trabalhos recentes produzidos no formato, como “Liga da Justiça – A Nova Fronteira” e “Mulher-Maravilha”, o homem de aço ganhou a animação mais fraca dessa leva. Arrecadar dinheiro? Tudo bem. Mas espremer uma saga longa, que marcou época, em quase uma hora e meia de filme era no mínimo suspeito.

a-morte-do-superman_doisE nem a escalação de três diretores conseguiu fazer de “A Morte de Superman” um filme decente. Fato estranho, já que entre eles está Lauren Montgomery, que trabalhou na série animada da Legião de Super-Heróis e dirigiria depois o bom “Lanterna Verde: Primeiro Vôo” e o excelente longa animado da guerreira amazona.

Com o intuito de condensar a saga, que renderia uma boa série de tevê, os roteiristas acharam por bem alterar a trama original. Se nos gibis Apocalipse simplesmente despertava após décadas, até séculos, soterrado em solo terrestre, aqui é a Lexcorp, corporação pertencente a Lex Luthor, que acidentalmente liberta a criatura. Por sinal, na sinopse oficial do DVD ela é chamada Doomsday, mas durante o filme não tem seu nome mencionado.

Logo o Super (que vive há seis meses um romance secreto com Lois Lane, sem ela saber que ele é Clark Kent!) parte para o pau e a épica batalha dos gibis transcorre em pouco mais de dez minutos na animação. Mais broxante para os fãs impossível. A Liga da Justiça nem é citada e a dor sentida pelo mundo e outros heróis também passa batida.

Em pouco mais de um mês depois da tragédia, Superman retorna da morte e volta a proteger Metrópolis – que de maneira mágica (mais um furo do roteiro) foi reconstruída apesar do pouco tempo desde sua devastação. Mal sabe o planeta que na verdade o Super ressuscitado trata-se de um clone criado por Luthor. Logicamente o kryptoniano verdadeiro reaparece, cabeludo e usando o uniforme negro, como na série das HQs “O Retorno do Super-Homem” (ao menos nisso foram fiéis), combate seu clone e a população dá as boas vindas para o ressurgimento do seu salvador. Agora pensem comigo: qual sociedade acreditaria, de primeira, que um sujeito de uniforme diferente, cabeludo, seria aquele que faleceu algumas semanas antes?

a-morte-do-superman_tresAlheio à cronologia da série “Superman” e a qualquer outra mídia que tenha o herói como protagonista, a forma como os protagonistas foram desenhados também foge do padrão da série da TV. Luthor e Lois Lane aparecem com bronzeados dignos dos cariocas.

E mesmo a maneira como os personagens são construídas deixa a desejar. Superman, que geralmente é retratado de forma dramática, está no filme apenas para brigar. Lois é mostrada como uma menina mal amada que fica pentelhando seu namorado para que ele conte sua verdadeira identidade, e Luthor, que ao longo da história ficou conhecido por seu grande intelecto, consegue a proeza de deixar o dispositivo criado por ele para controlar o Superman clonado num local de fácil acesso para o herói fake ganhar independência.

Com roteiro fraco, “A Morte do Superman” tende a desagradar fãs dos gibis e mal consegue servir de passatempo para quem não acompanha a trajetória do último filho de Krypton nas revistinhas, na TV ou no cinema. A frustração não foi apenas do público, mas também da DC e da Warner, que esperavam gerar o mesmo (ou quase) impacto causado pela história em quadrinhos de 1992. Não foi o que aconteceu.

Nos extras estão os documentários “Luto e renascimento: O Superman vive”, “Por traz das vozes” e teaser.

4,5

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André Azenha
Jornalista por formação, crítico de cinema, produtor cultural, pesquisador, curador, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Colaborou com críticas semanais nos jornais Expresso Popular e quinzenais no jornal A Tribuna. Colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest - Festival Internacional de Filmes de Santos, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest e PalafitaCon. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante. Atualmente participa do projeto Hora da Cultura, pela Secult Santos, levando sessões de filmes e bate-papos às escolas da rede municipal. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi. Escreveu sobre cinema para sites, jornais e revistas de Santos, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Limeira e Maceió. www.facebook.com/andreazenha01

One thought on “A Morte do Superman

  1. Eu me chamo WGlecio e vivo pelo Superman.

    Estou admirado pela divulgação de um filme onde o grande filho de kripton,morre.

    Particularmente eu não acha certo, mas vamos ver o que pensam aqueles fãs do superman,fãs como eu, me chamo WGlecio, apelido: Superman.

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