Transformers 2 – A Vingança dos Derrotados
Transformers 2: A Vingança dos Derrotados (Transformers: Revenge of the Fallen, EUA, 2009). Diretor: Michael Bay. Roteiro: Ehren Kruger, Roberto Orci, Alex Kurtzman. Elenco: Shia LaBeouf, Megan Fox, Josh Duhamel, Tyrese Gibson, John Turturro, Isabel Lucas, Ramon Rodriguez, Rainn Wilson, Matthew Marsden, Kevin Dunn, Julie White. Aventura / Ação / Ficção científica. 147 min. (Cor).
Em 2007, “Transformers” surgiu como uma incógnita, afinal, era baseado numa linha de bonecos da Hasbro que já havia gerado séries de animação nos anos 80, mas que há anos estava longe dos principais holofotes. Porém, ao misturar ação desenfreada, humor, mulheres de corpos esculturais e ótimos efeitos especiais (cortesia do orçamento de US$ 147 milhões), o longa acabou, também em virtude da nostalgia despertada em seu público-alvo – homens com idade entre vinte e trinta e poucos anos, que assistiram o desenho na década retrasada – tornando-se imenso sucesso de bilheteria. Apesar de irregular, o filme pode ser conferido sem maiores traumas e serviu para tornar seus dois protagonistas, o atual queridinho de Spielberg, Shia LaBeouf (que aos poucos vai construindo uma carreira variada), e a deliciosa Megan Fox, as mais novas estrelas de Hollywood.
O título pomposo da continuação, “Transformers 2: A Vingança dos Derrotados”, já entrega o que a platéia irá encontrar. Despido de qualquer vergonha, o diretor Michael Bay elevou à enésima potência tudo o que havia no anterior. Sabe aquele momento de um filme quando a trilha sonora ganha maior volume, quando são feitos closes nos protagonistas… Trata-se do clímax da estória. E a impressão que dá em “Transformers 2” é que o clímax repete-se a cada cena, tamanho o exagero com que tudo foi realizado. Há mais robôs, mais cenas de ação, Megan Fox mais exposta sexualmente, delírios e mais delírios de um cineasta que parece carregar algum complexo de inferioridade e que tenta descontar suas frustrações concebendo filmes extremamente hiperbolizados em todos os sentidos (basta conferir o currículo dele, que tem, só pra citar duas “preciosidades”, “Armageddon” e “Pearl Harbor”).
A trama acontece dois anos após a batalha entre os Autobots e os Decepticons. Sam Witwicky (Shia LaBeouf) está prestes a entrar na faculdade. Isto significa que ele terá que morar separado de seus pais, Judy (Julie White) e Ron (Kevin Dunn), deixar a namorada Mikaela Banes (Fox) e ainda explicar a situação ao seu amigo e protetor robô Bumblebee, já que tem o intuito de seguir uma
vida normal, longe de confusões.
Enquanto isso, o governo desativa o Setor 7, resultando na demissão do agente Simmons (John Turturro). Em seu lugar é criada a NEST, uma agência comandada pelo capitão Lennox (Josh Duhamel) e o sargento Epps (Tyrese Gibson), que trabalham em conjunto com os Autobots (estes colaboram secretamente com o governo). Porém a NEST enfrenta a resistência de Theodore Galloway (John Benjamin Hickey), o consultor da segurança nacional, que a considera supérflua. Pelo caminho ainda surgirão os Decepticons em busca de vingança.
Apesar da equipe que deu vida ao primeiro da franquia (incluindo os roteiristas Roberto Orci, Alex Kurtzman, que incrivelmente acertaram em “Star Trek”, prova que o texto feito para o longa com Spock e companhia foi uma exceção às outras pérolas feitas pela dupla), retornar em “Transformers 2”, o longa é inferior ao de 2007. Mas como qualidade não é sinônimo de bilheteria, podem ter certeza que o sucesso da série está mantido.
Principalmente porque aquilo que a platéia a qual o filme é endereçado recebe tudo aquilo que espera conferir. Uma cena resume bem esse desejo. Megan Fox, em determinado momento, aparece de quatro em cima de uma motocicleta, naquele que deve ser o ménage à trois dos sonhos de muito marmanjo babão. Aquele tipo de sujeito que (assim como Michael Bay) adquire um carrão para suprir uma impotência sexual ou qualquer outro tipo de insegurança, pois sabe que, sozinho, jamais conseguirá uma mulher com os atributos físicos da atriz. Fico imaginando quantos caras devem correr para o banheiro após o término da projeção. Não somente graças à presença de Megan, mas também dos carrões que aparecem na tela (sim, é triste, mas tem homens que mantém relações quase libidinosas com seus automóveis).
O elenco acaba vítima dos delírios de Michael Bay (os efeitos especiais são excelentes, nada mais que a obrigação para os US$ 200 milhões do orçamento), e Megan Fox (que recentemente assumiu sua bissexualidade) talvez seja a única que se salve da baboseira que é “Transformers 2” (e olha que na minha infância eu gostava bastante do desenho animado). Não pela atuação. Apesar de ainda não ter encontrado um personagem que a desafie como intérprete, a morena não tem pudor em assumir o papel de objeto sexual (como também em “Um Louco Apaixonado”) exposto até com certa vulgaridade na trama. Ela sabe a beleza que tem e utiliza isso para atrair as atenções. Se há alguma coisa que valha o ingresso, é ela (mas aí dá pra esperar o filme sair em DVD e pagar bem mais barato na locação).
Filme: 3,0
Atributos físicos da Megan Fox: 10,0 é pouco
