Cama de Gato

Enquanto uma novela homônima chega à TV, lembramos do chocante filme brasileiro
Por Ricardo Prado * (02/10/2009) // Comente

Por Ricardo Prado

cama-de-gato1Cama de Gato (Idem, Brasil, 2002). Direção e roteiro: Alexandre Stockler. Elenco: Renata Airoldi, Cainam Baladez, Caio Blat, Rodrigo Bolzan, Bárbara Paz. Drama. 92 min. (Cor).

Pouco importa que a Rede Globo tenha dado o nome de “Cama de Gato” a sua nova novela das seis, sempre foram poucas as pessoas que associavam o nome ao filme de Caio Blat. “Cama de Gato”, finalizado em 2002, mas só lançado em 2004, é o único representante do movimento T.R.A.U.M.A. (Tentativa de Realizar Algo Urgente e Minimamente Autêntico), que tem muitos pontos em comum com o Dogma 95, idealizado por Lars Von Trier (em “Os Idiotas”) e Thomas Vinterberg.

Dirigido por Alexandre Stockler, “Cama de Gato” faz um retrato bem desagradável da classe média brasileira. Caio Blat é Cristiano, amigo de Francisco (Rodrigo Bolzan) e Gabriel (Cainan Baladez), três jovens que moram em São Paulo e acabaram de terminar o colégio. Como resultado de uma noite de curtição sem responsabilidade, acabam estuprando e matando uma adolescente. As tentativas do grupo de encobrir o crime acabam afundando-os ainda mais em problemas.

Para alguns, “Cama de Gato” lembra “Irreversível”, já que é quase sempre associado a uma cena chocante de estupro. Há bastante nudez, palavrões e, claro, sexo explícito. Mas a impressão mais forte que fica é o quadro geral que é montado pelo filme, de uma juventude sem escrúpulos, e que segue por um caminho sem volta. “Cama de Gato” é ambientado nos anos 90, mas nada o separa dos dias de hoje.

Rodado com apenas R$ 13.096, “Cama de Gato” é um dos mais marcantes expoentes do cinema independente brasileiro. Fez grande sucesso quando exibido no Festival de Montreal, onde foi elogiado por personalidades como Brian De Palma e Gérard Depardieu. No Brasil, foi eleito melhor filme brasileiro na Mostra Internacional de São Paulo. Desde 2002, Alexandre Stockler nunca mais lançou filme algum, mas circulam na Internet informações de que esteja envolvido em novos projetos.

Obviamente, “Cama de Gato” não é para qualquer um. A frieza do seu retrato da mais numerosa classe social do Brasil pode não ser muito bem absorvida pelo espectador, mas isso não tira a verdade de seu relato. Com uma “Cama de Gato” certamente bem diferente estreando nas tardes da televisão aberta, teme-se que o “Cama de Gato” ácido seja empurrado para o fundo das prateleiras das locadoras. Se é que já não estava lá desde o princípio.

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