Holocausto Canibal / Cannibal Holocaust

Terror de 1980 faz "Jogos Mortais" parecer brincadeira de criança. É o filme mais chocante da história.
Por Ricardo Prado * (25/09/2009) // 1 comentário

Por Ricardo Prado

holocausto-canibalCannibal Holocaust (Idem, Itália, 1980). Direção: Ruggero Deodato. Roteiro: Gianfranco Clerici. Elenco: Robert Kerman, Francesca Ciardi, Perry Pirkanen, Luca Barbareschi, Salvatore Basile. Terror / Aventura.  95 min. (Cor).

Certos filmes tornam-se repugnantes por acidente. Já em “Cannibal Holocaust” (ou “Holocausto Canibal”, apesar de nunca ter sido lançado com título em português no Brasil) percebe-se que esse foi o objetivo. É a mais terrível experiência em cinema já captada por lentes e impressa em película. É o filme de terror definitivo, que vai desagradar a todo e qualquer tipo de pessoa. Seu uso de violência faz dos recentes “Jogos Mortais” e “O Albergue” algo próximo a filmes para crianças. Quem ver “Cannibal Holocaust” jamais se assustará com absolutamente nada em cinema, e pode ver qualquer outro filme de terror sem medo.

Passada a necessidade de sinalizar o quão escandaloso é o choque de se assistir ao filme, falemos da história. O enredo envolve um grupo de documentaristas que vai para a Amazônia com a intenção de retratar os costumes das tribos canibais que lá vivem. Algo de muito terrível aconteceu com eles, porém, e um grupo de resgate é acionado para encontrá-los. Mais horripilante do que esse grupo acaba encontrando na mata, só mesmo as fitas gravadas pelos documentaristas, com os instantes finais de cada um deles.

“Cannibal Holocaust” foi lançado com a premissa de que os documentaristas realmente haviam morrido na selva, e que o filme traria imagens verídicas do que aconteceu com eles. É como um pai de “Bruxa de Blair”, nesse aspecto. O que também causa bastante controvérsia é o abuso de animais que acontece no filme. Todos os bichos que morrem durante o filme realmente foram mortos pelos atores, e o diretor faz questão de mostrar cada detalhe repulsivo.

Só se pode acreditar que as imagens mostradas no filme são reais devido ao extremo cuidado em obter o máximo do realismo em cada tomada. Os atores demonstram real horror ao caminhar pela selva e presenciar (e sofrer) o pior do pior, assim como a câmera trêmula acentua o lado amadorístico da produção.

O realismo é tão forte que, na estréia, em 1980, o filme chegou a ser tirado de cartaz, e o diretor Ruggero Deodato, preso. Ele chegou a ter que explicar às autoridades como cada truque foi feito, para que as mortes fossem tão convincentes.

É discutível se a real mensagem de “Cannibal Holocaust” chegou ao público. Supostamente, o seu objetivo era fazer um comentário social: apesar de os canibais serem retratados como selvagens impiedosos, só agiram dessa forma porque o homem branco invadiu seu território. É como se o filme quisesse que o espectador ficasse chocado não com as brutais cenas de sangue, mas com o abuso do homem branco para com as tribos indígenas.

Não veja “Cannibal Holocaust”. Mesmo em uma lista que inclui outras aberrações do cinema, como “Salò ou 120 Dias de Sodoma” ou “Calígula”, este é o único onde nem a curiosidade compensa agüentar seus 95 minutos de puro sadismo. É para esquecer que existe. Já se visto, é impossível esquecer.

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1 Comentário
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  1. Discordo da sua crítica. Um filme deve ser analisado de forma imparcial, independente de valores morais. E esse é um filme indiscutivelmente bem feito. Tanto que é por isso que você se chocou.

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