Halloween – O Início

Remake dirigido pelo roqueiro Rob Zombie não honra clássico do terror de John Carpenter
Por Jean Garnier (25/09/2009) // Comente

Por Jean Garnier

halloweenHalloween – O Início (Halloween, EUA, 2007). Direção: Rob Zombie. Roteiro: Rob Zombie, John Carpenter, Debra Hill. Elenco: Malcolm McDowell, Scout Taylor-Compton, Tyler Mane, Daeg Faerch, Sheri Moon Zombie. Terror. 109 min. (Cor).

Há 31 anos, o diretor John Carpenter lançou um dos maiores clássicos do cinema de terror, “Halloween”, com baixo orçamento (US$ 300 mil) e um simples roteiro sobre o maníaco que, sem muitas explicações, resolve fazer uma carnificina. Além do enorme sucesso, produziu várias continuações e deu impulso à criação de novas franquias (“Sexta-Feira 13”, “A Hora do Pesadelo”, entre outros). Em 2007, chegou a vez de Rob Zombie (aquele mesmo líder da extinta banda White Zombie) aceitar o desafio, fazer uma homenagem ao original e criar uma refilmagem a sua maneira, acrescentando um prólogo interessante de como uma criança renegada se transforma no temível serial killer Michael Myers.

Ao contrário do original, que mostra apenas o garoto matando a sua irmã e sendo confinado num sanatório, “Halloween – O Início” conta, por influência de sua repugnante educação e do seu meio ambiente, como ele virou numa máquina assassina. A trama começa na cidade de Haddofield, Illinois, onde um garoto de 10 anos chamado Michael tem uma infância solitária e é renegado e mal tratado por quase todos à sua volta, principalmente sua irmã mais velha Judith e seu padrasto alcoólatra Ronnie White. As únicas pessoas por quem Michael mostra afeto são a sua mãe Deborah e sua irmã mais nova, a quem ele chama carinhosamente de Boo.

Na escola as coisas também não são diferentes e o jovem é atormentado por colegas, com gozações, uma delas referindo-se ao fato de sua mãe ser uma stripper. Um dia, Deborah é chamada ao colégio e fica estarrecia ao ver fotos de animais torturados encontradas na mochila do seu filho e a diretora a aconselha ajuda do psicólogo Dr. Samuel Loomis. No dia de Halloween, Michael começa a praticar seus crimes, persegue um dos garotos que o provocava no colégio e o assassina na floresta. Na seqüência, mata Ronnie, Judith e o seu namorado, só poupa a irmã mais nova e é confinado no reformatório Smith´s Grove.

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Na clínica, vira objeto de estudo do Dr. Samuel e não tem nenhum progresso. Em outro ato de fúria, ataca uma enfermeira, resolve ficar calado e esconde o seu rosto com máscaras que ele mesmo cria. Sra. Myers não aguenta a pressão de ser mãe de um psicopata e se mata, colocando uma bala na cabeça. Dezessete anos depois, a única sobrevivente da família é a já adolescente Laurie Strode, adotada por novos pais e que trabalha como babysiter. O agora musculoso Michael foge e resolve caçá-la, culminando no que um dia foi uma alucinante e excitante perseguição em algo um tanto tosco e tedioso.

Ao assistir esse remake, penso em uma pergunta: até que ponto essa abundância de violência sem sentido é tão assustadora quanto aos similares atuais, como ao sangrento e já cansativo “Jogos Mortais”? As performances também deixam um tanto a desejar. Principalmente a de Scout Taylor-Compton como Laurie, que originalmente foi interpretada por um dos ícones do gênero, a atriz Jamie Lee Curtis. E não deixa de ser curioso ver Malcom McDowell como um psiquiatra, logo ele que se consagrou ao fazer o papel de Alex DeLarge, um arruaceiro sem escrúpulos, no clássico “A Laranja Mecânica”.

Além dos dois anos de atraso para a estréia no Brasil, os fãs tiveram um outro motivo para se aborrecer: depois que o Ministério da Justiça o classificou como “não recomendado para menores de 18 anos, por conter suicídio, crueldade e assassinato”, a Playarte teria cortado 26 minutos do filme e foi reclassificado para 14 anos.

5,0

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