Giallo – Reféns do Medo
Por André Azenha
Giallo – Reféns do Medo (Giallo, Itália / EUA, 2009). Direção: Dario Argento. Roteiro: Dario Argento, Jim Agnew, Sean Keller. Elenco: Adrien Brody, Emmanuelle Seigner, Elsa Pataky, Robert Miano, Byron Dreida. Suspense / Crime / Terror. 92 min. (Cor).
O veterano cineasta italiano Dario Argento, filho do produtor Salvatore Argento com uma brasileira, e pai de Asia, atriz que frequentemente aparece em seus filmes e que também é diretora, possui uma carreira respeitável, cult, com pérolas como sua estréia “O Pássaro de Plumas de Cristal” (1971), os dois episódios que dirigiu na série “Masters of Horror” e os roteiros que fez para Sergio Leone (“Era Uma Vez no Oeste”) e Giuseppe Patroni Griffi (“Numa Noite Um Jantar”).
“Giallo – Reféns do Medo” (cujo título remete ao gênero que o próprio diretor participou da criação na Itália e vem também das capas em tom amarelo – ”giallo”, em italiano – dos livros baratos sobre crimes sensacionalistas que fizeram sucesso nos anos 60) não se equivale à filmografia anterior dele, ainda que inicie a trama prendendo a atenção do espectador e conte com o vencedor do Oscar (por “O Pianista”) Adrien Brody como protagonista.
Brody interpreta Enzo, policial excêntrico que literalmente mora no trabalho e ingressou na profissão graças à ajuda do inspetor Mori (Robert Miano), que o acolheu quando, ainda garoto, vingou-se do assassino de sua mãe, fato que o deixou traumatizado.
Enzo busca desvendar uma série de mortes cometidas por um serial killer que se disfarça de taxista para raptar lindas garotas e depois torturá-las até a morte. Durante a investigação ele se depara com Linda (Emmanuelle Seigner), que o procura após sua irmã (a gostosinha Elsa Pataky), uma jovem modelo, ter desaparecido logo depois de entrar num… táxi.
O filme tem elenco correto. Brody possui o físico e o jeito certos para interpretar personagens deslocados, e a francesa Emmanuelle Seigner, que alguns irão se lembrar como a mulher fatal de “Lua de Fel” (dirigido por Polanski), continua marcante e sedutora. Mas a obra se perde entre a tentativa de criar um thriller psicológico e um terror ao estilo “O Albergue”, já que não faz questão de demorar a revelar a face do criminoso e nem hesita em dar closes em tripas sendo dilaceradas. Ah, a caracterização do vilão é tosca, com maquiagem beirando o ridículo.
O fato dos personagens principais não serem interpretados por italianos (ainda que o narigão de Adrien Brody lembre muitos homens da “velha bota” ), numa trama que se passa na Itália também deixa a obra esquisita – ok, o fato de ser uma co-produção justifica a presença do americano Brody e do filme ser falado em inglês, mas que fica estranho, isso fica.
Com jeitão e visual de telefilme, “Giallo – Reféns do Medo” foi acertadamente lançado direto em home vídeo no Brasil. E é nesse mercado que deverá encontrar algum êxito, já que não tem porte para fazer carreira na tela grande. O que deixa sinais negativos de que a boa carreira de Dario Argento possa estar tomando um rumo decrescente. A gente torce pra que não.
