Luiz Cláudio de Santos with The Beatles

Por André Azenha

Foto: Márcia Costa

Uma noite ao som das belas melodias dos Fab Four

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Uma semana antes do sábado, 12 de setembro, convidei minha mãe para um show do Guilherme Arantes, pois sabia do gosto que ela tem pelo artista, e era uma oportunidade bacana de juntar a família e curtir um final de semana musical, ainda que eu não seja dos fãs mais ardorosos do músico.

Na mesma data, foi anunciado um show gratuito na praia do Gonzaga, em Santos, organizado por uma operadora de telefonia, que reuniu Jota Quest, Toni Garrido e Ana Cañas. Após um convite de uma amiga, ficou pré-combinado conferir essas apresentações gratuitas, e depois partir para ver Guilhermão ao vivo.

Mas foi só ficar sabendo que ia rolar uma apresentação calcada em canções dos Beatles num dos estabelecimentos gastronômicos mais charmosos da cidade, que a programação para aquele dia mudou completamente. Afinal, alguém que fosse entoar clássicos de Paul, John e companhia, no La Quiche Dorée, bistrô que frequentemente organiza eventos culturais relevantes e bacanas, não podia ser coisa ruim.  Sem contar a grande vontade de voltar a ouvir os clássicos dos Fab Four ao vivo depois de muitos anos, em versões enxutas, de voz e violão.

E assim tivemos o prazer de conferir pela primeira vez o experiente músico Luiz Cláudio de Santos, cuja carreira com mais de vinte anos de palco inclui temporadas de shows no Japão e na Espanha. Sábia opção. O músico emendou um set list especialmente criado para o evento, que mesclou diferentes fases do quarteto de Liverpool. Desde o disco Please Please Me, de 1963, até Let it Be, de 1970. Não teve quem pudesse reclamar.

Mesmo reverenciando seus ídolos, Luiz Cláudio não hesitou quando precisou adaptar certas músicas para o seu tom de voz e realizou um show intimista, cativante, que somado ao ambiente tranquilo da casa, criou a atmosfera perfeita para o público curtir uma noite agradável.

E para quem pode achar que só compareceu gente que viveu a adolescência nos anos 60, a platéia (que desembolsou somente R$ 4,50 para receber muito mais em troca), além de beatlemaníacos, também era formada por casais, turmas de amigos, famílias e jovens roqueiros, que lotaram o espaço térreo do restaurante (mesmo com todos os outros eventos do dia no município),  e entre taças de vinho, quiches, cafés e petit gateaus, cantaram e até fizeram o backing vocal de algumas músicas.

O início da apresentação foi com “Twist and Shout”, da autoria de Phil Medley e Bert Russel, que ficou imortalizada na voz dos Beatles e virou hit oitentista graças a uma cena antológica do filme “Curtindo a Vida Adoidado”. E seguiu com “Help!”, “Yestarday”, “Yellow Submarine”, “Hey Jude” e “Come Together”, entre tantas outras. Nenhuma passou despercebida da platéia. Mesmo aquelas menos conhecidas sempre tiveram alguma estrofe ecoada no público.

Após duas horas (com um intervalo de 15 minutos) de show, houve um pseudo encerramento com “Get Back” (a vigésima sexta canção da noite) e um bis com Don’t Let Me Down”, para alegria deste jornalista, que só sentiu mesmo a falta de “Helter Skelter”. Nada que não possa ser corrigido (e farei esse pedido) em futuras apresentações de Luiz Cláudio que, simpaticamente, fez intervenções entre as músicas, conversou e fez a alegria dos presentes.

E sim. Demos graças a Deus pela opção que fizemos para a noite daquele sábado. Afinal, ninguém merece Jota Quest.

Longa vida aos Beatles.

Set list:

“Twist and Shout” (Please Please Me, 1963)
“All My Loving” (With the Beatles, 1963)
“And I Love Her” (A Hard Day’s Night, 1964)
“I’ll Follow The Sun” (Beatles For Sale, 1964)
“Eight Days a Week”(Beatles For Sale, 1964)
“Help!” (Help!, 1965)
“I Need You” (Help!, 1965)
“Yesterday” (Help!, 1965)
“Norwegian Hood” (Rubber Soul, 1965)
“Michelle” (Rubber Soul, 1965)
“Eleannor Rigby (Revolver, 1966)
“Yellow Submarine” (Revolver, 1966 / Yellow Submarine, 1969)
“For no One” (Revolver, 1966)
“With a Little Help From My Friends” (Sgt. Pepper’s, 1967)
“She’s Leaving Home” (Sgt. Pepper’s, 1967)
“Hello, Goodbye” (Magical Mystery Tour, 1967)
“Hey Jude” (Single, 1968)
“While My Guitar Gently Weeps” (White Album, 1968)
“Come Together” (Abbey Road, 1969)
“Something” (Abbey Road, 1969)
“Oh! Darling” (Abbey Road, 1969)
“Here Comes The Sun” (Abbey Road, 1969)
“Because” (Abbey Road, 1969)
“Let it Be” (Let it Be, 1970)
“Get Back” (Let it Be, 1970)

Bis

“Don’t Let Me Down” (Let it Be, 1970)

PS 1: Luiz Cláudio se apresenta novamente no La Quiche Dorée (Avenida Epitácio Pessoa, 210E, Embaré, Santos, tel. 13 3227-6145) na próxima sexta, 18 de setembro, às 21h.

PS2: Antes que algum indie dê risada do tom passional em relação aos Beatles, vale lembrar que sua bandinha preferida provavelmente chupinhou muita coisa da maior banda da música pop de todos os tempos.

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André Azenha
Jornalista por formação, crítico de cinema, produtor cultural, pesquisador, curador, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Colaborou com críticas semanais nos jornais Expresso Popular e quinzenais no jornal A Tribuna. Colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest - Festival Internacional de Filmes de Santos, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest e PalafitaCon. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante. Atualmente participa do projeto Hora da Cultura, pela Secult Santos, levando sessões de filmes e bate-papos às escolas da rede municipal. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi. Escreveu sobre cinema para sites, jornais e revistas de Santos, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Limeira e Maceió. www.facebook.com/andreazenha01

4 thoughts on “Luiz Cláudio de Santos with The Beatles

  1. Agradeço ao meu filho André pelo convite e por ter me proporcionado uma noite inesquecível com a apresentação impar de Luiz Cláudio.Parabenizo ao Le Quiche Dorée pela realização do evento .Beatles sempre e para sempre. beijos.Regina

  2. olá, querido andré. nossa, não tinha visto essa matéria, sorry, inclusive quando conversei (muito rapidamente) com você no dia 18, jamais passaria em branco um agradecimento, claro. fico muito feliz que as pessoas tenham gostado do show. muito obrigado, d. regina, márcia e todos. valeu, abrazóónnn.

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