Duplicidade
Duplicidade (Duplicity, EUA / Alemanha, 2009). Direção e roteiro: Tony Gilroy. Elenco: Clive Owen, Julia Roberts, Tom Wilkinson, Paul Giamatti, Dan Daily, Oleg Shtefanko, Lisa Roberts Gillan. Suspense / Comédia. 125 min. (Cor).
8,5
Apesar de contar com elenco conhecido, e ter sido realizado por cineasta celebrado pela crítica, o lançamento de “Duplicidade” nos cinemas brasileiros ocorreu sem maior alarde. E por isso mesmo, o filme surge como grata surpresa.
Em 2007, Tony Gilroy estreou na direção cinematográfica com o denso “Conduta de Risco”, quando narrou os esforços de uma multinacional para “calar” ex-funcionário (Tom Wilkinson) que ameaçava colocar todos os negócios da empresa em jogo – foram sete indicações ao Oscar, nada mau para um diretor estreante. Em seu segundo filme, sai a sisudez do anterior para dar lugar a uma obra que mantém o clima de denúncia daquele, porém acrescenta boas doses de comédia, romance, uma ótima trilha sonora (de James Newton Howard) que remete aos anos 70 e excelente elenco.
Clive Owen e Julia Roberts, que já haviam dividido a tela em “Closer – Perto Demais”, repetem a química ao interpretarem dois agentes secretos governamentais que decidem largar a carreira para tentarem um golpe em meio à disputa de duas empresas – comandadas respectivamente por Tom Wilkinson e Paul Giamatti – pela patente de um xampu revolucionário. A partir daí, presenciamos o jogo sujo em busca da fórmula bilionária.
A forma como a trama é construída permite que todos os atores fiquem completamente à vontade em seus papéis. Afinal, Owen e Julia também já protagonizaram filmes sobre golpes. Ele no ótimo “Plano Perfeito” (de Spike Lee) e ela em “Onze Homens e um Novo Segredo” e sua continuação. Mas o reencontro entre eles difere do longa de 2004. Ao contrário das batalhas verbais travadas em “Closer”, os novos diálogos entre a dupla têm apelo sexy, comprovando a versatilidade dos atores ao encararem um outro jeito de interarigem.
Por isso, mesmo que você não compreenda tudo o que está acontecendo no início (e o roteiro de Gilroy amarra todas as situações no ato final), irá se divertir com situações cômicas como a cena de abertura, que mostra os “figuraças” Wilkinson e Giamatti (que ainda irá receber o devido reconhecimento nas premiações), senhores engravatados caminhando em direção um ao outro, em câmera lenta, ao som de trilha sonora setentista, para depois se pegarem na porrada numa coreografia hilária. Vale cada centavo do ingresso.
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