O Sequestro do Metrô 1 2 3

Dirigida por Tony Scott, terceira versão para drama de 1974 é thriller frenético que não se justifica
Por Jean Garnier (05/09/2009) // Comente

Por Jean Garnier

o-sequestro-do-metro-1-2-3O Sequestro do Metrô 1 2 3 (The Taking of the Pelham 1 2 3, EUA, 2009). Direção: Tony Scott. Roteiro: Brian Helgeland e John Godey. Elenco: Denzel Washington, John Travolta, Luis Guzmán, John Turturro. Thriller / Crime. 121 min. (Cor).

O que explica a mesma trama ser filmada pela quarta vez? Dificilmente refilmagens superam o longa original e mesmo quando são protagonizadas por estrelas do mais alto nível de Hollywood correm o risco de virarem tremendas bombas.

Tony Scott (de “Top Gun” e irmão de Ridley) decidiu correr o risco e fez “O Sequestro do Metrô 1 2 3”, versão “anos 2000” para uma produção de 1974 dirigida por Joseph Sargent. O filme retrata a ainda tensa cidade de Nova Iorque, onde um trem do metrô deixa o terminal Pelham Bay Park às 1:23 p.m. (13h30) – daí o título original “The Taking of the Pelham 1 2 3”.

Alguns passageiros o esperam na Estação Grand Central,  e talvez o mais ansioso deles seja Ryder (John Travolta), arruinado ex apostador de Wall Street, que possui uma grande tatuagem no pescoço, olhos obcecados e não sente compaixão pela metrópole.

Ele e seu comparsa Ramos (Luis Guzmán) assumem o controle do trem. E é nesse instante que aparece a figura de Walter Garber (Denzel Washington), um pai de família, controlador de metrô, que está enfrentando acusações de corrupção e observa pela tela de seu trabalho algo errado. O maquinista não responde. A claustrofobia debaixo da terra começa a ferver , assim como os nervos dos sequestradores.

Ryder se comunica com Garber, exige US$ 10 milhões ára serem entregue em até uma hora. Caso não for atendido, começará a matar um passageiro por minuto. A partir daí começa um jogo de gato e rato pelo telefone.

o-sequestro-do-metro_umO negociador de reféns Camonetti (John Turturro) fica orbitando por toda a cena e pelo meio dessa tensão toda aparece o “Rodolfo Giuliani” da vez, só que o tal prefeito (visivelmente mais preocupado com índices de aprovações e uma reeleição) é enxotado logo de início, até porque se o cínico sequestrador não tem amor algum pela cidade, então porque teria por quem a comanda?

“O Sequestro do Metrô 1 2 3” pode até divertir, só que deixa um gosto de café requentado. Tony Scott voltou a utilizar recursos recorrentes em sua filmografia, como cortes rápidos e bastante barulho. Até o tema da trama deixa a sensação de déjà vu.

E os protagonistas parecem reviver personagens de outros filmes. Denzel (que engordou dezenas de quilos para o papel) tem vasta experiência em interpretar sujeitos que buscam a redenção (como em “Chamas da Vingança”, também dirigido por Tony). E Travolta se acostumou a encarnar vilões. Foi assim em “Pulp Fiction” e até no fraco “O Justiceiro”.

E como é recorrente aos remakes, não dá para evitar comparações. Enquanto a fita de 1974 é um drama sobre uma cidade caótica e suas deficiências, esse é um triller frenético, com altas doses de ação, mas que não se justifica.

6,5

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