Up – Altas Aventuras
Por Ricardo Prado
Up – Altas Aventuras (Up, EUA, 2009). Direção: Pete Docter, Bob Peterson. Roteiro: Pete Docter, Bob Peterson, Thomas McCarthy. Elenco: Edward Asner, Christopher Plummer, Jordan Nagai, Bob Peterson, Delroy Lindo, Jerome Ranft, John Ratzenberger (apenas vozes). Animação. 96 min. (Cor).
Depois de revolucionar o gênero com “Wall-E”, é claro que a Pixar voltou com um filme menor. Só que um filme menor feito por eles é o equivalente de um bom filme feito por qualquer outra companhia. Dá para perceber muitas das características dos clássicos da Disney em “Up – Altas Aventuras”, e menos ênfase na construção de uma narrativa grandiosa. É uma aventura simples, com coração, com personagens carismáticos e de resolução esperada. Ninguém vai se importar com suas falhas porque, além de serem poucas, são irrelevantes.
A história começa em 1939, quando um jovem chamado Carl conhece Ellie, que, como ele, é fã das aventuras do explorador Charles Muntz. Os dois ficam juntos pelo resto da vida, casam-se, sempre morando na casa onde se conheceram. Eventualmente, Ellie morre, e Carl se torna um velho amargurado e rabugento, trabalhando como vendedor de balões a hélio. Depois de agredir um dos construtores que está demolindo tudo ao redor de sua casa, Carl é obrigado a ir para um asilo. Só que, no dia em que vão buscá-lo, sua casa levanta vôo, movida por inúmeros balões que ele pregou na chaminé. Carl começa a viver aquela aventura que nunca conseguiu concretizar com Ellie, a de viver à beira de uma cachoeira na América do Sul. Só que um garotinho, semelhante a um escoteiro, acaba indo junto, preso no saguão da casa.
A trama se desenvolve da mesma forma que diversas outras aventuras, às quais nos acostumamos e continuamos gostando. “Up – Altas Aventuras” é pontuado por grandes momentos, mas que, às vezes, ficam muito espaçados entre si. Não há números musicais, mas passa a impressão de ter “intervalos”, às vezes. Carl não exatamente carismático, mas o público passa a gostar dele. Já o garotinho, Russell, também é facilmente “gostável”. Uma das idéias mais interessantes do filme é ter um grupo de cães com um dispositivo que traduz seus pensamentos em palavras, tornando-os cães falantes, mas não como nesses filmes que passam à tarde na televisão. A manipulação das vozes é muito bem feita, robotizando as falas deles, mas não ao ponto de robotizá-los como um todo.
Assim que conseguir se livrar das inevitáveis piadinhas e comparações com o padre brasileiro que se prendeu a diversos balões e saiu voando em 2008, confira “Up – Altas Aventuras” sem esperar um “Wall-E”, mas um “Monstros S.A.” ou “Ratatouille”.
9,0
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