Dirty Harry

Lembramos do clássico que tinha Clint Eastwood na pele do detetive que tratava a bandidagem como sempre devia ser
Por Ricardo Prado * (28/08/2009) // Comente

dirtyharryDirty Harry (Idem, EUA, 1971). Direção: Don Siegel. Roteiro: Harry Julian Fink, Rita M. Fink, Dean Riesner, John Milius. Elenco: Clint Eastwood, Harry Guardino, John Vernon, Andrew Robinson, John Larch, John Mitchum, Reni Santoni. Ação / Thriller / Crime. 102 min. (Cor).

A fama de Clint Eastwood de ser o “cara mau” do cinema não vem só dos filmes de faroeste que ele fez. Parte dessa fama, e origem de um dos seus mais importantes papéis, provém de “Dirty Harry”, que apresentou o personagem Dirty Harry Callahan, inspetor de polícia a quem sempre mandavam casos sujos para resolver, o que ele fazia sem medo de esbarrar na lei. Parte da leva de filmes policiais psicóticos dos anos 70, “Dirty Harry” se centra na busca por um serial killer que se auto-denomina Escorpião, e que faz vítimas com o uso de uma sniper no topo dos prédios. A direção de seu departamento o força a trabalhar com o novato Chico Gonzalez. A parceria demora a dar certo e, enquanto isso, Callahan tem que prever qual será o próximo alvo do Escorpião, para que possa apanhá-lo.

Agora vamos às inovações. “Perseguidos Implacável” foi um dos primeiros, e certamente o mais importante, do gênero policial politicamente incorreto, aquele que faz justiça com as próprias mãos, não se importa com a lei e pensa só em castigar o criminoso, às vezes até com o uso de tortura. O filme fez sucesso devido à sempre crescente criminalidade nos Estados Unidos dos anos 70, um efeito semelhante ao obtido com o lançamento de “Tropa de Elite” (2007) no Brasil, anos depois, mas numa realidade equivalente. Outro filme que seguia o mesmo caminho de “Dirty Harry”, só que desta vez protagonizado por um psicótico explícito, é “Taxi Driver” (1976), de Martin Scorsese. Como era de se esperar, depois da estréia de “Dirty Harry”, houve muita polêmica em torno da brutalidade policial envolvida no enredo.

dirtyharrydoisPor mais que Dirty Harry tenha sido um dos papéis mais importantes de Clint Eastwood em toda sua passagem pelo cinema, ele não foi o primeiro cogitado para o papel-título do filme. O inspetor Callahan havia sido pensado para o cantor Frank Sinatra, mas ele havia quebrado o pulso durante as filmagens de outro longa e não conseguia segurar a Magnum .44 com destreza. Outras figuras consideradas foram John Wayne e Marlon Brando, por mais que o nome deste último tenha surgido em meio a rumores.

O vilão do filme, o Escorpião, é inspirado no serial killer real Zodíaco, que aterrorizou a cidade de São Francisco no final dos anos 60 e início dos 70 e, logo, ainda estava fesco na memória dos norte-americanos e ainda mandava cartas à polícia e aos jornais mesmo depois do lançamento de “Dirty Harry”. Outro fator que causava indignação é que ele nunca foi apanhado. Em “Zodíaco” (2007), com Robert Downey Jr. e Jake Gyllenhaal, os interessados na história do serial killer podem aprender mais, se encararem as mais de duas horas e meia de duração, mas é um bom filme.

“Dirty Harry” deu origem a quatro seqüências: “Magnum 44″ (1973), “Sem Medo da Morte” (1976), “Impacto Fulminante” (1983) e “Dirty Harry na Lista Negra” (1988). A história de Dirty Harry também ganhou o campo da literatura. Doze livros foram escritos com histórias do policial inescrupuloso. Devido ao recente “revival” de franquias antigas, como “Indiana Jones”, “Rambo” e outros, surgiram rumores de uma possível volta de Dirty Harry aos cinemas, chamada “Gran Torino”, a ser lançada em 2008. Os rumores foram rechaçados, porém, quando a sinopse do filme contava a história de um ex-veterano de guerra lidando com as mudanças do mundo. Será que assim é melhor, manter Dirty Harry no imaginário popular sem precisar trazê-lo de volta? Clint Eastwood está com 78 anos, mas a idade não impediu outros veteranos a ressuscitarem seus papéis.

10,0 é pouco

dirtyharryum.
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