Curtindo a Vida Adoidado

Disponível em DVD, também chega em blu-ray ao Brasil o clássico dos adolescentes
Por André Azenha, editor (28/08/2009) // Comente

curtindoavidaadoidadoCurtindo a Vida Adoidado (Ferris Bueller’s Day Off, EUA, 1986). Direção: John Hughes. Roteiro: John Hughes e Tom Jacobson. Elenco: Matthew Broderick, Alan Ruck, Mia Sara, Jeffrey Jones, Jennifer Grey, Cindy Pickett, Lyman Ward, Edie McClurg, Charlie Sheen. Comédia. 109 min. (Cor).

Um clássico absoluto que marcou uma geração e continuou conquistando admiradores nas décadas seguintes. “Curtindo a Vida Adoidado”, disponível em DVD e que chega em blu-ray ao mercado brasileiro, se tornou o que é devido a uma série de fatores.

A obra prima de John Hughes, cineasta que melhor compreendeu o universo da adolescência na história do cinema, além do excelente diretor, tem roteiro certeiro, gags imperdíveis, ótimo elenco, representa o desejo de milhões de adolescentes e principalmente: possui, dentro de sua trama cômica, um subtexto universal resumido na frase do protagonista Ferris Bueller, interpretado por Matthew Broderick: “A vida se move muito rápido. Se você não pára e olha em volta de vez em quando, pode perdê-la”. É papo sério no formato de cultura pop.

Inacreditavelmente escrito por Hughes em apenas seis dias, para evitar uma greve do sindicato dos roteiristas, a comédia mostra um dia na vida de Ferris. E é só “o” dia começar que logo percebemos o porque do personagem ter virado cult, célebre, ídolo da garotada que ainda brincava de He-Man e jogava Atari nos anos 80.

Ferris não precisa ser fortão, fodão, atleta ou garanhão para conquistar nossa simpatia. Ele é simplesmente… legal. “Cool” diriam os descolados. Dos nerds aos atletas, das patricinhas às garotas de torcida, não há quem resista ao carisma do rapaz, inclusive seu melhor amigo Cameron (Alan Ruck) e sua namorada, Sloane (a gatinha Mia Sara).

curtindotresAo acordar e perceber que o céu está lindo, Ferris decide que não pode desperdiçar um dia especial indo à escola. Finge estar doente, monta um aparato invejável (quem não sonhou usar os truques dele na época de colégio para fugir da aula?) no quarto para despistar os pais, tira Cameron de casa e Sloane da escola e sai (na Ferrari pertencente ao pai do amigo) para curtir os locais mais descolados de Chicago.

Por tabela, causa a revolta do diretor (Jeffrey Jones) mala da escola e da irmã mais velha e invejosa (Jennifer Grey), que faz de tudo para entregar o caçula.

Divertido do início ao fim, “Curtindo a Vida Adoidado” já nasceu clássico. Apesar das roupas e penteados característicos da década de 80, as situações apresentadas durante a trama são atemporais.

Entre tantas cenas inesquecíveis, aquela que mostra Ferris em cima de um carro alegórico, numa parada alemã em Chicago, e que leva milhares de pessoas a cantarem junto determinada música, conseguiu o feito de fazer uma canção que foi cantada pelos Beatles ser mais lembrada pelo filme do que pelos fab four. “Twist and Shout”, de Phil Medley e Bert Russell.

Mas nada sairia tão na mosca se o elenco não demonstrasse tamanha química e desenvoltura em cena.

curtindoquatroMatthew Broderick, apesar de não ser mais um garoto na época das gravações, caiu como uma luva para o papel principal. Sua atuação lhe rendeu uma indicação ao Globo de Ouro de Ator em Comédia/Musical. O jeitão moleque, simpático, um pouco cínico, cúmplice do espectador (já que mais de uma vez olha para a câmera e dialoga com o público) fizeram o personagem impulsionar a carreira do intérprete, que mesmo mantendo-se trabalhando e famoso ao longo dos anos, jamais repetiu o feito.

O restante do elenco não fica atrás. A Sloane de Mia Sara (que depois ficaria nua em várias fitas B, como “Timecop”, com Van Damme) une classe e sexualidade. O par ideal para Ferris.

Alan Ruck, na casa dos 30 anos na época do longa, não aparenta a idade e completa de forma perfeita o trio protagonista como o sujeito inseguro que teme o pai e a qualquer momento pode se revoltar.

Jennifer Grey (que passou a namorar Broderick durante as filmagens e no ano seguinte estrelaria outro sucesso, “Dirty Dancing”, ao lado de Patrick Swayze) perfeitamente insuportável como a irmã megera; um surpreendente Jeffrey Jones (mais magro do que seu personagem em “Amadeus”) na pele do diretor rabugento; o novinho Charlie Sheen (no mesmo ano fez “Platoon”) em pequena aparição; os atores Cindy Pickett e Lyman Ward (que se casaram na vida real), respectivamente a mãe e o pai de Ferris; até os dois “figuraças” do estacionamento onde Ferris, Sloane e Cameron deixam a Ferrari. Todos estão em sintonia com o espírito da obra.

Com trilha sonora deliciosa, “Curtindo a Vida Adoidado” garante sorrisos do início ao fim, principalmente para os jovens, que vibram a cada façanha do protagonista. Ferris, na mesma década que deu ao mundo Rambo e tantos “heróis” anabolizados, foi o verdadeiro ícone da garotada.

A edição em blu-ray tem excelente tratamento. Os extras incluem vários mini-documentários, entrevistas com o elenco e making of.

10,0 é pouco

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André Azenha é jornalista, editor dos sites CineZen e CulturalMente Santista, autor do livro Poesia a Quatro Mãos, feito em parceria com sua mãe, a poetisa Regina Azenha. Trabalhou com o crítico de cinema Rubens Ewald Filho, escreveu para a revista Época São Paulo e colabora com veículos de imprensa de vários estados. Em 2011, mediou o ciclo Documentários Comentados, no SESC Santos. É assessor de imprensa e realiza encontros culturais, a maior parte de caráter beneficente.


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