Moscou
Por Ricardo Prado
Moscou (idem, Brasil, 2009). Direção: Eduardo Coutinho. Documentário. 78 min. (Cor).
Eduardo Coutinho revolucionou seu cinema mais uma vez, agora lançando um filme simplesmente “inassistível”. O melhor é que “Moscou” surge seguido de “Jogo de Cena”, ambos experimentais por natureza, mas bem diferentes na execução, o que determina a qualidade de ambos. “Moscou” é um experimento, e se concentra no ato de se contar histórias, tal como fazia “Jogo de Cena” de forma mais direta. O problema é que “Moscou” é totalmente inacessível.
“Moscou” está cheio de boas intenções. O objetivo é continuar o projeto iniciado em “Jogo de Cena”, que brincava com a distinção entre o real e o fictício. Só que, na vontade de revolucionar mais uma vez, Coutinho acabou se esquecendo do espectador, que ficará completamente perdido do início ao fim. Isso, claro, se não deixar a sala de cinema antes que o filme termine.
Com uma narrativa fragmentada, “Moscou” resgata trechos da peça “As Três Irmãs”, de Chekhov, encenados pelo grupo teatral mineiro Galpão. O documentário consiste basicamente em reuniões de elenco e na interação entre os atores, seja recitando passagens da peça ou não. E aí está um dos problemas: a fragmentação. Da forma com que “Moscou” é feito, fica praticamente impossível de se criar qualquer vínculo com o filme. Quem conhece o enredo de “As Três Irmãs” até pode identificar algumas das passagens, mas, mesmo assim, ainda fica a confusão. Só mesmo Coutinho deve ter entendido o que queria fazer.
O resultado serve como lição, na verdade. Há limite para tudo, até para revoluções. Fica difícil saber se a fonte de Coutinho secou, ou se é apenas de um erro isolado. Com uma filmografia invejável, tanto no cinema nacional como internacional, era de se esperar que Coutinho errasse alguma hora. Só que não se esperava que errasse tão feio, e de forma tão amadora.

uma das minhas dúvidas eternas é: porque diabos pagam tanto pau para o eduardo coutinho? será que existe um livro de regras onde stá grafado algo do tipo “não xingarás eduardo coutinho”, sob pena de ser arremessado ao tenebroso fundo de um inferno recheado de comédias norte-americanas retardadas?
Quando sairá em DVD? quero comprar.
Oi Bene, assim que sair em DVD te informaremos, ok? abraços