Pacto de Sangue
Por André Azenha
Pacto de Sangue (Le premier cercle / Inside Ring, França, 2009). Direção: Laurent Tuel. Roteiro: Laurent Tuel, Laurent Turner. Elenco: Jean Reno, Gaspard Ulliel, Vahina Giocante, Sami Bouajila. Thriller / Drama. 95 min. (Cor).
Não importa o país, o diretor ou o elenco. Parece que, para criar um filme de ou sobre máfia, é preciso que haja a “família”, o chefe do clã que tem o intuito de passar o “trono” para seu filho, que por sua vez deseja não seguir os passos do progenitor e ainda precisa proteger a amada aos olhos do pai, que não se conforma com a “distração” do pupilo. Mais: é necessária alguma dose dramática que termine em tragédia.
A fórmula é a mesma há décadas, e incrivelmente continua rendendo filmes no mínimo razoáveis, que prendem a atenção do público, por mais que o espectador sinta já ter assistido aquelas cenas inúmeras vezes. É o que acontece com “Pacto de Sangue”, lançado direto em home vídeo no Brasil.
Somos apresentados ao clã armênio Malakian, chefiado por Milo (Jean Reno), que tem conseguido escapar da polícia, mas tem no encalço um detetive (Sami Bouajila) que perdeu o parceiro numa troca de tiros com os bandidos e que alvejou um dos filhos do mafioso. O que leva a investigação para o lado pessoal.
Em meio a tudo isso está Anton (Gaspar Ulliel), filho de Milo, que namora secretamente a bela enfermeira Elodie (Vahina Giocante) e não quer herdar a quadrilha do pai. Para tornar a situação mais dramática, Elodie fica grávida.
As comparações, óbvias, quando falamos de filmes que retratam máfias de alguma forma, é com “O Poderoso Chefão”. Na essência da trama de “Pacto de Sangue” – leiam bem: essência, porque o clássico de Francis Ford Coppola é incomparável – está tudo lá. Basta trocar Nova York pela Riviera francesa e a família Corleone pelos Malakian.
Mas ao contrário da saga estrelada por Marlon Brando, Al Pacino e De Niro, cujos três episódios beiravam quase três horas de duração cada, o filme dirigido e co-escrito por Laurent Tuel, que também é ator e tem carreira mediana no cinema francês, trata-se de uma obra enxuta, que talvez não se garantisse caso fosse mais extensa.
Ainda que seja possível antecipar desdobramentos do enredo e tenha instantes de melodrama, “Pacto de Sangue” agrada quem gosta do gênero e conta com atores franceses respeitados, como Jean Reno (alguns poderão se lembrar dele em “Ronin”, exibido várias vezes no Domingo Maior e que tem Robert De Niro no elenco), Sami Bouajila, vencedor em Cannes por “Dias de Glória” (2006), e o galã Gaspard Ulliel, premiado com um Cesar em 2004 por “Eterno Amor”, no qual contracenou com Audrey Tautou.
7,5

