Anjos da Noite – A Rebelião

Franquia sobre batalha entre vampiros e lobisomens retorna séculos no tempo em filme irregular
Por André Azenha, editor (07/08/2009) // 1 comentário

Por André Azenha

anjosdanoitearebeliaoAnjos da Noite – A Rebelião (Underworld: Rise of the Lycans, EUA / Nova Zelândia, 2009). Direção: Patrick Tatopoulos. Roteiro: Danny McBride, Dirk Blackman e e Howard McCain, baseado em estória de Len Wiseman, Robert Orr e Danny McBride e nos personagens criados por Kevin Grevioux, Len Wiseman e Danny McBride. Elenco: Michael Sheen, Bill Nighy, Rhona Mitra. Ação / Drama / Terror. 92 min. (Cor).

Em 2003, “Anjos da Noite” chamou a atenção dos fãs de HQs e RPGs ao trazer de volta ao cinema a velha rivalidade entre vampiros e lobisomens.  Só que, diferente das habituais histórias sobre essas criaturas, sua trama se passava no leste europeu dos dias atuais, misturando clima gótico, drama shakespeareano (amor impossível entre duas pessoas de clãs rivais) e uma protagonista deliciosa (Kate Beckinsale) apertada em látex, num visual recorrente a Matrix.  A mescla de referências fez muita gente criticar negativamente a produção, acusando-a de falta de originalidade. Não era para tanto.

Havia um charme especial (principalmente em se tratar de um filme bem produzido feito fora de Hollywood, com elenco inglês – destacando ainda Michael Sheen, de “A Rainha” e “Frost/Nixon”, e  Bill Nighy, de “O Jardineiro Fiel” e “Simplesmente Amor”), e o longa foi razoável nas bilheterias.

Uma continuação obviamente foi planejada e levou três anos para ganhar as salas de projeção do planeta. “Anjos da Noite – A Evolução” trocou o cenário misterioso do anterior por uma trama de perseguição com altas doses de ação, e recebeu mais olhos tortos ainda da mídia especializada. Porém, seu desfecho deixou uma brecha para um possível terceiro filme, que se tornou dúvida devido à arrecadação mediana da obra.

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Mas ao invés de seguir a cronologia da série, os produtores decidiram realizar um “prequel”, ou seja, uma pré-continuação – história que se passa anteriormente ao longa original, mais exatamente séculos antes. Um sinal nada animador, já que, em outras séries cinematográficas, pré-continuações revelaram-se extremamente inferiores às tramas originais e até desnecessárias (como “Hannibal – A Origem do Mal” e o segundo “Highlander”), exceto “Jornada nas Estrelas”.

Há ainda quem acuse os produtores de terem realizado o filme apenas para arrecadar uns minguados a mais, pois em “Anjos da Noite” os acontecimentos deste terceiro longa eram mostrados em um flashback. Então eis a pergunta: vale a pena ir ao cinema assistir uma história cujo final já sabemos, que praticamente repete a trama de amor impossível em meio ao conflito de diferentes espécies e que não tem Kate Beckinsale? Depende.

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“Anjos da Noite: A Rebelião” não é tão legal quando o primeiro, e nem inferior ao segundo, não foi dirigido pelo mesmo Len Wiseman, dos anteriores, substituído por um técnico em efeitos visuais, Patrick Tatopoulos, que manteve o estilo do cineasta antecessor: fotografia quase sem cores, clima gótico, muito mais batalhas e escudado por um universo intrincado por traz da ação. Sai o jeitão elegante vampiresco para dar lugar à visceralidade lycan (a raça de seres metade humanos, metade lobisomens).

Acompanhamos o romance entre a vampira, filha de Viktor (Nighy), Sonja (a gostosinha Rhona Mitra, que não chama tanta atenção quanto Backinsale, mas dá para o gasto) e o lycan Lucian (Michael Sheen), mantido, como tantos outros de sua espécie, como “seguranças” (escravizados, proibidos de se transformarem nas criaturas monstruosas) dos vampiros. Logo, se instala uma revolta e o conflito entre vampiros e lycans coloca o romance do casal central em jogo e a vida de Sonja passa a correr perigo nas mãos de seu próprio pai.

Longe de ser um filme excelente, “Anjos da Noite 3” recorre a alguns clichês como a ajuda inesperada no conflito para o grupo em menor número, e os lobisomens estão visualmente deslocados na tela: parecem mais animação do que uma criatura digitalizada tentando se aproximar da realidade. Problema que passará praticamente despercebido quando o longa for lançado em home vídeo.

Já os atores se esforçam. Sheen é o melhor em cena, comprovando sua versatilidade como intérprete.  Nighy se diverte no papel de vilão, e seus exageros nas caras e bocas não chegam a comprometer sua atuação. E Nitra faz o arroz com feijão. Aliás, a escolha da atriz de “O Homem Sem Sombra” (2000) e “Velozes e Mortais” entrega a intenção da produção de criar o elo entre sua personagem e a de Kate Backinsale, como podemos comprovar na última cena (notem os lábios de ambas as atrizes).

No mais, o longa é divertido, não deve alcançar grande bilheteria, mas tende a fazer carreira melhor em home vídeo. Além disso, é interessante assistir à série sob uma ótica medieval, e a volta no tempo da cronologia abre uma imensa gama de possibilidades, como uma possível série de TV, que não deverá contar com os atores principais da franquia cinematográfica (como aconteceu com “Blade”), e irá, sim, gerar uns trocados a mais para os produtores. 

No saldo geral, para quem gosta de produções fantasiosas (como este jornalista), com muita testosterona (cortesia lycan), vale uma conferida.  Em home vídeo, o longa deve alcançar um público maior.

6,5

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André Azenha é jornalista, editor dos sites CineZen e CulturalMente Santista, autor do livro Poesia a Quatro Mãos, feito em parceria com sua mãe, a poetisa Regina Azenha. Trabalhou com o crítico de cinema Rubens Ewald Filho, escreveu para a revista Época São Paulo e colabora com veículos de imprensa de vários estados. Em 2011, mediou o ciclo Documentários Comentados, no SESC Santos. É assessor de imprensa e realiza encontros culturais, a maior parte de caráter beneficente.


Entrevista: Fernanda TakaiMarco Zero

1 Comentário
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  1. quero o quarto filme com os atores do primeiro.

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