O Massacre no Bairro Chinês

Bom filme mistura drama e ação ao mostrar realidade de imigrantes chineses que tentam a vida no Japão e mostra um Jackie Chan diferente do habitual
Por André Azenha, editor (31/07/2009) // 1 comentário

Por André Azenha

massacreO Massacre no Bairro Chinês (San suk si gin, 2009, Hong Kong). Diretor: Yee Tung-Shing. Roteiro: Yee Tung-Shing e Tin Nam Chun. Elenco: Jackie Chan, Naoto Takenaka, Daniel Wu e Bingbing Fan. Ação / Drama. 120 min. (Cor).

Não foram poucas as reportagens e os filmes no Ocidente que retrataram de alguma forma o drama dos mexicanos que tentam ultrapassar a fronteira rumo aos EUA em busca de melhores chances de trabalho. Muitos são deportados, outros conseguem ficar no país vizinho, mas para sobreviver precisam se sujeitar ao preconceito, trabalhos praticamente escravos, ou então viver no crime.

“O Massacre no Bairro Chinês”, lançado diretamente no mercado de home vídeo no Brasil, mostra uma realidade muito parecida. No início dos anos 90, milhares de chineses entraram no Japão clandestinamente com o intuito de levar uma vida digna. O filme se baseia neste período e mostra Steelhead (Jackie Chan), mecânico chinês que entra clandestinamente na terra do sol nascente a procura da namorada, de quem não tem notícias há anos. Ao chegar a Tóquio, ele e seus amigos precisam se adaptar aos novos costumes, e pelo caminho enfrentar gangues locais e a perseguição dos agentes da imigração japonesa.

Realizado por Yee Tung-Shing, experiente e premiado cineasta de Hong Kong, que também tem carreira de ator e produtor, o filme evita lutas pirotécnicas e cenas para fazer rir, fatores recorrentes à filmografia de Jackie Chan. E ao seguir caminho como um drama de denúncia na maior parte do tempo, focando o sacrifício feito pelos chineses, que precisam deixar sua nação, onde uma das causas da pobreza é a superpopulação, e a violência num Japão vítima de conflitos internos da Yakuza, a máfia do país, serve para que Chan mostre ser competente como intérprete dramático.

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A obra é claramente um veículo para o público estrangeiro. A cópia distribuída no Brasil é dublada em inglês e o longa não foi lançado em seu país de origem, dadas as cenas de violência da trama. Uma edição especial para ser aprovada pela censura chinesa chegou a ser feita, mas os produtores acharam-na incompleta.

Mesmo a edição lançada nos outros países soa irregular. Dá para notar uma clara ruptura no enredo, que de repente vira uma fita de ação desenfreada. Também não há uma transição natural em alguns personagens. Como Jie (Daniel Wu), melhor amigo de Steelhead, que de sujeito tranquilo vira traficante revoltado. Aliás, o visual de punk de butique que o personagem adota após essa transformação é ridículo. Não era necessário para mostrar a mudança de personalidade dele.

Ou o bandidão Toshinari Eguchi (Masaya Kato), que até a metade da trama parece ter alguma dignidade, e de repente vira mais um lacaio criminoso.

Focasse sua estória apenas na situação dos imigrantes chineses, e no caos causado à sociedade japonesa pela criminalidade, teríamos um excelente drama. Mas com a quebradeira do ato final, “O Massacre no Bairro Chinês”  (cujo título nacional lembra “O Massacre no Bairro Japonês”, de 1991, protagonizado por Brandon Lee e Dolph Lundgren e que também retratava a Yakuza), se torna “apenas” um bom filme-denúncia e que comprova a versatilidade de Jackie Chan.

Cotação: 8,0

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André Azenha é jornalista, editor dos sites CineZen e CulturalMente Santista, autor do livro Poesia a Quatro Mãos, feito em parceria com sua mãe, a poetisa Regina Azenha. Trabalhou com o crítico de cinema Rubens Ewald Filho, escreveu para a revista Época São Paulo e colabora com veículos de imprensa de vários estados. Em 2011, mediou o ciclo Documentários Comentados, no SESC Santos. É assessor de imprensa e realiza encontros culturais, a maior parte de caráter beneficente.


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1 Comentário
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  1. Filme totalmente ficticio, violento, xarope, fraquinho. O filme retrata o Japão e os imigrantes chineses num ponto de vista americano. Jackie Chan é um ator de ação e comedia, não conseguiu se adaptar neste filme. Não recomendo.

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