O Arco
Por: Ricardo Prado
O Arco (Hwal, Coréia do Sul, 2005). Direção: Kim Ki-duk. Roteiro: Kim Ki-duk. Elenco: Yeo-reum Han, Si-jeok Seo, Gook-hwan Jeon, Seong-hwang Jeon, Seok-hyeon Jo. Drama / Romance. 90 min. (Cor).
7,0
Que Kim Ki-duk é um dos cineastas mais geniais dos últimos anos, já é fato sabido. Então, nada melhor do que garimpar alguns de seus filmes que não estiveram tanto tempo em cartaz, ou que nem chegaram aos cinemas em alguns lugares. “O Arco” é de 2005, portanto, anterior a “Time – O Amor Contra a Passagem do Tempo” (2006) e “Fôlego” (2007), mas cujo estilo e temática estão mais próximos de “Primavera, Verão, Outono e Inverno” (2003) do que de seus recentes filmes urbanos.
A história é uma fábula como grande parte dos filmes do diretor. Toda a ação (ou “ação”) é centrada num barco no meio do oceano, isolado do mundo. Lá, vivem um velho e uma jovem, que prometeram se casar quando ela completasse 16 anos. Como é de praxe nos filmes do sul-coreano, há pouquíssimo diálogo. Os dois protagonistas, por exemplo, não falam nada o filme inteiro, salvo alguns sussurros no ouvido. Todo o contato deles é feito na base dos olhares, e com o público também é assim. O contato deles com o mundo externo se dá por meio de pescadores que de vez em quando aparecem por lá trazidos pelo velho num barco menor e quase sempre acabam causando algum mal estar (como dizer gracinhas sobre o relacionamento do velho com a menina, ou mesmo chegar ao ponto de assediá-la).
Não se engane, “O Arco” não é tão inventivo quanto os outros trabalhos de Kim Ki-duk (mesmo os citados no início). Todo o investimento se dá no isolamento, no silêncio e no choque de realidades. Não progride muito a partir daí. O final é interessante, pois propõe a análise de uma metáfora que nos é mostrada bem na nossa cara, ainda que um tanto óbvia. Se você é fã do cineasta, vale à pena conferir. Se nunca assistiu nada dele, não é bom começar por “O Arco”. Este vale mais como um complemento para fãs.
Não gostei desse filme. Parece uma apologia ao aliciamento de menores e o que vc chama de ‘tradição’ eu chamo de lavagem cerebral em menores. Ele a afasta da realidade pra que se torne aceitável para ela que uma pessoa como ele, que é a imagem que ela tem de um pai, pois a criou desde os 6 anos, se case com ela e tenha relações com ela.
Se é um filme inovador e sensível, essas qualidades não estão sendo bem usadas.
A frase final do filme, que supostamente é a moral contida nele, algo como “Quero ser o arco sempre retesado que lança a flecha”, parece um antigo provérbio que no filme teve seu significado distorcido. O velho estaria ‘lançando’ a menina para a vida ‘iniciando’ ela com uma relação sexual em que ela perde a virgindade? Com o homem que deveria ter sido como um pai pra ela?
Detestável.
Parece que tentaram esconder esse fato fazendo ela ter a relação com o espírito do velho, representado pela flecha que cai entre as pernas dela. Uma tentativa de passar uma mensagem subliminar horrível.