Milk – A Voz da Igualdade

Brilhante filme sobre ativista gay americano rendeu segundo Oscar da carreira de Sean Penn e levou a estatueta de Roteiro Original
Por André Azenha, editor (26/06/2009) // Comente

milk1Milk – A Voz da Igualdade (Milk, EUA, 2008). Direção: Gus Van Sant. Roteiro: Dustin Lance Black. Elenco: Sean Penn, Josh Brolin, Emile Hirsch, James Franco, Lucas Grabeel. Drama biográfico. 128 min. (Cor).

O cineasta dinamarquês Gus Van Sant (“Elefante” e “Last Days”) e o ator americano Sean Penn não costumam seguir os caminhos mais fáceis da carreira cinematográfica. Enquanto o primeiro costuma realizar filmes autorais, anti-convencionais, o astro costuma procurar interpretar personagens que lhe desafiem artisticamente.

Em “Milk – A Voz da Igualdade”, os dois trabalharam juntos pela primeira vez e deram vida a um filme com abordagem corajosa e que reuniu um elenco fabuloso: Josh Brolin (“Onde os Fracos Não Têm Vez”), Diego Luna (“Nicotina”), Emile Hirsch (“Speed Racer” e “Na Natureza Selvagem”), James Franco (trilogia “Homem-Aranha”) e Lucas Grabeel (de “High School Musical”, em pequena participação), entre outros.

Van Sant voltou a retratar um fato verídico que resultou em assassinato, assim como “Elefante”, sobre a tragédia do colégio de Columbine.

“Milk” é baseado na história real do político de São Francisco Harvey Milk (Penn), o primeiro gay assumido a ser eleito para um cargo público (equivalente a vereador) nos Estados Unidos, o que motivou um contra-ataque desmedido da homofobia vigente na época. Ele acabou morto aos 48 anos por um rival político que havia derrotado nas urnas. Seu engajamento e a tragédia recorrente fizeram dele um herói do movimento gay.

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Além do excelente time de atores, contou para o êxito da produção o roteiro original vencedor do Oscar, escrito por Dustin Lance Black (também produtor da obra e ponta como ator), que alterna uma gravação feita por Milk pouco antes de morrer (verídica), com a trajetória do político e imagens reais, e mais uma performance digna de Sean Penn.

O ator, que já havia sido indicado ao Oscar de Ator quatro vezes, por “Os Últimos Passos de um Homem” (1995), “Poucas e Boas” (1999), “Uma Lição de Amor” (2001) e “Sobre Meninos e Lobos” (2003, trabalho que lhe rendeu a sua primeira estatueta), viveu de forma intensa um papel tão diferente quanto seus outros trabalhos, comprovando sua versatilidade.

Interpretar um homossexual também o reaproximou de sua ex-mulher. Durante as filmagens, ele ligou para Madonna para dizer que o filme o fez voltar a pensar nela. Os dois reataram a amizade. Mais ainda, o longa lhe rendeu um Globo de Ouro e o SAG, premiação do Sindicato dos Atores.

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Restava saber se ele conseguiria vencer Mickey Rourke, fantástico em “O Lutador“, e o preconceito da Academia, na disputa pelo Oscar. Sean Penn não só levou para casa sua segunda estatueta como, durante seu agradecimento, se disse favorável à união oficial entre homossexuais, levando os colegas de profissão a o aplaudirem de pé.

“Milk” é um trabalho que merece todos os elogios, principalmente por ser uma obra inspiradora, um libelo em prol das minorias.

9,0

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André Azenha é jornalista, editor dos sites CineZen e CulturalMente Santista, autor do livro Poesia a Quatro Mãos, feito em parceria com sua mãe, a poetisa Regina Azenha. Trabalhou com o crítico de cinema Rubens Ewald Filho, escreveu para a revista Época São Paulo e colabora com veículos de imprensa de vários estados. Em 2011, mediou o ciclo Documentários Comentados, no SESC Santos. É assessor de imprensa e realiza encontros culturais, a maior parte de caráter beneficente.


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