Coraline e o Mundo Secreto
Por: Ricardo Prado
Coraline e o Mundo Secreto (Coraline, EUA, 2009). Direção: Henry Selick. Roteiro: Henry Selick, baseado em livro de Neil Gaiman. Elenco: Dakota Fanning, Teri Hatcher, Robert Bailey Jr, Keith David, Ian McShane, Dawn French (apenas vozes). Animação. 100 min. (Cor).
9,5
“Coraline e o Mundo Secreto” já é um clássico. A nova animação de Henry Selick (que dirigiu “O Estranho Mundo de Jack”, escrito por Tim Burton) baseado no livro de Neil Gaiman (lançado no Brasil pela editora Rocco) parece viver em outro tempo, com outras técnicas e conceitos. Sim, porque parece que se tornou impossível realizar trabalhos preciosos como esse nos dias de hoje. Há cuidado com tudo: o roteiro, a trilha sonora, o trato do cenário e dos personagens… “Coraline” é uma animação em stop-motion, para tornar o contraste ainda mais obsceno. A riqueza de detalhes na história e no visual faz de “Coraline e o Mundo Secreto” um filme belíssimo que vai encantar gente de todas as idades.
A jovem Coraline Jones se muda com os pais para uma mistura de casa com condomínio, onde também vivem outras pessoas. Ela não tem com quem conversar nem brincar, já que os pais não lhe dão atenção (estão sempre ocupados trabalhando). Enquanto explora a nova casa, descobre uma porta coberta pelo papel de parede. Atrás dela, existe um túnel que a leva… até a própria casa. Só que algo está errado, já que seus pais se tornaram as criaturas mais atenciosas do mundo, o jardim está encantado e as refeições são das mais fartas. Outro detalhe são os botões costurados nos olhos deles. Coraline passou para um mundo alternativo onde tudo parece ser mais perfeito do que o seu mundo real. Conforme ela vai descobrindo as belezas daquele universo, também vai se aproximando de uma aterrorizante armadilha.
As semelhanças com “Alice no País das Maravilhas”, adaptado diversas vezes para o cinema, são vem visíveis, mas “Coraline” não se restringe a isso. O mundo que ela conhece além do túnel é apenas uma versão melhorada do seu, o que coloca em cheque o que realmente é importante naquele momento para Coraline. Ao conhecer os outros moradores do lugar, novos universos são revelados e, com eles, conflitos interessantíssimos. É importante ressaltar também que, diferente de outras animações excepcionais, esta até pode ser aproveitada pelos pequenos (“Wall-E”, por exemplo, tornou-se infame entre as crianças, apesar de ser a melhor animação dos últimos dez anos). Apesar disso, pode provocar alguns sustos, também. As imagens são, ao mesmo tempo, belíssimas e aterrorizantes.
Com filhos ou sem filhos, com irmão menor ou sem irmão menor, não deixe de ver “Coraline e o Mundo Secreto”. Henry Selick foi responsável por parte do charme de “O Estranho Mundo de Jack”, outro clássico do gênero, e aqui confirma seu talento. E ainda se trata de um trabalho originalmente escrito por Neil Gaiman, que anda fazendo maravilhas pelo cinema, também. Que bom que “Coraline e o Mundo Secreto” apareceu agora, bem cedo, como um bom presságio do que 2009 pode ser.

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