O Curioso Caso de Benjamin Button

Após Se7en e Clube da Luta, o diretor David Fincher e o astro Brad Pitt se reencontraram para contar a fábula do homem que nasce em corpo de velho e rejuvenesce com o tempo
Por André Azenha, editor (10/06/2009) // Comente

Por: André Azenha

button2O Curioso Caso de Benjamin Button (The Curious Case of Benjamin Button, EUA, 2008). Direção: David Fincher. Roteiro: Eric Roth. Elenco: Brad Pitt, Cate Blanchett, Julia Ormond, Tilda Swinton, Faune A. Chambers, Elias Koteas, Donna DuPlantier, Jason Flemyng, Joeanna Sayler, Taraji P. Henson, Mahershalalhashbaz Ali, Fiona Hale. Drama. 159 min. (Cor).

9,0

A parceria entre o diretor David Fincher e o astro Brad Pitt já havia rendido dois ótimos filmes: Se7en – Os Sete Pecados Capitais (1995) e Clube da Luta (1999). Ambos, calcados em aspectos da violência humana, levaram o cineasta a se tornar querido da crítica, que elogiou até o insosso Zodíaco.

Em O Curioso Caso de Benjamin Button, cineasta e ator repetiram a parceria vitoriosa e o reencontro não poderia ser mais bem-sucedido e impressionante: um drama lento e intenso cujo tema central é o tempo, a inexorabilidade da passagem dele e as inevitáveis mudanças na vida do ser humano.

Com roteiro adaptado por Eric Roth (vencedor do Oscar por Forrest Gump – O Contador de Histórias), a partir do conto de F. Scott Fitzgerald (1896-1940), escrito em 1922, sobre um sujeito (Benjamin Button / Pitt) que nasce velho e rejuvenesce com o passar dos anos, enquanto seu interesse romântico (Blanchett – os dois atores já haviam contracenado juntos como marido e mulher em Babel, 2006) cresce normalmente (eles se encontram no “meio” de suas vidas, diz ela), o longa não somente versa sobre o amor impossível, como rende uma fábula inventiva e nos leva a uma jornada melancólica pelo século XX até a primeira década do século XXI (feito Forrest Gump, presenciamos vários fatos importantes, desde a Primeira Grande Guerra até o furacão Katrina). E diretor e roteirista conseguem entreter e ao mesmo tempo gerar reflexão na platéia.

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Numa determinada seqüência, que mostra como pequenos acontecimentos  transformam a vida de determinada personagem, a dupla se vale da teoria do caos (já abordada em tantas outras produções cinematográficas, mas aqui de forma peculiar e um tanto sombria), em que uma pequena ação num canto remoto do planeta pode desencadear uma série de fatos no resto do mundo. Porém, por mais que a abordagem do filme seja diferenciada, a obra transcende o chamado “cinema de arte”, pois é acessível a todos os públicos – há drama, romance, bastante humor, tudo bem equilibrado.

Os protagonistas são atores (em belas atuações) conhecidos do grande público. Pitt comprova seu talento, encarnando com verossimilhança as diferentes fases da vida de Benjamin – e ele já havia se destacado recentemente na comédia Queima Depois de Ler, num papel completamente diferente. E Cate Blanchett (vencedora do Oscar de Atriz Coadjuvante por O Aviador) mostra porque está entre as melhores atrizes do planeta – impossível não ficar sensibilizado com a expressão dela, quando, em idade avançada, reencontra Benjamin – rejuvenescido – após muitos anos.

Além disso, o filme é uma superprodução (orçada em US$ 150 milhões) com direção de arte, maquiagem e efeitos visuais excelentes (o ator que faz o Button velhinho tem os traços de Brad Pitt adicionados por Computação Gráfica em incrível trabalho de transformação visual), com história emocionante e universal.

 Teve cinco indicações ao Globo de Ouro, incluindo Filme/Drama e Direção e recebeu o maior número de indicações do Oscar 2009 (13), tendo levado a estatueta em Direção de Arte, Efeitos Especiais e Maquiagem. Mas independente dos prêmios, é cinema com C maiúsculo, imperdível, feito por quem entende do assunto.

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André Azenha é jornalista, editor dos sites CineZen e CulturalMente Santista, autor do livro Poesia a Quatro Mãos, feito em parceria com sua mãe, a poetisa Regina Azenha. Trabalhou com o crítico de cinema Rubens Ewald Filho, escreveu para a revista Época São Paulo e colabora com veículos de imprensa de vários estados. Em 2011, mediou o ciclo Documentários Comentados, no SESC Santos. É assessor de imprensa e realiza encontros culturais, a maior parte de caráter beneficente.


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