Um Louco Apaixonado

Por: André Azenha

umloucoapaixonadoUm Louco Apaixonado (How to Lose Friends and Alienate People. EUA / Reino Unido, 2008). Direção: Robert Weide. Roteiro: Peter Straughan, Toby Young. Elenco: Simon Pegg, Kirsten Dunst, Megan Fox, Gillian Anderson, Jeff Bridges, Danny Huston, Thandie Newton. Comédia. 110 min. (Cor).

6,5

Toby Young, também conhecido como “Truman Capote inglês heterossexual”, passou cinco anos de sua vida nos EUA, tentando se tornar editor da revista Vanity Fair, onde só colecionou inimizades por conta de seu humor, digamos, peculiar.

Tal período foi retratado num livro autobiográfico, no qual “Um Louco Apaixonado” (o título nacional perde o significado do original, cuja tradução exata seria “como perder amigos e alienar pessoas”) foi em parte inspirado. “Em parte” porque a trama cinematográfica poupa os momentos mais picantes da obra literária, tornando, o que poderia ser uma sátira ao universo das celebridades, ao estilo de “O Diabo Veste Prada”, uma comédia romântica repleta de clichês.

Mas ao contrário da crítica que acabou com o filme, por aqui a obra foi recebida com bons olhares. É preciso um pouco de boa vontade, mas enfim…

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O expert em comédias britânicas Simon Pegg (de “Todo Mundo Quase Morto”, que também está no elenco de “Star Trek”, mas ainda é um tanto desconhecido do grande público brasileiro) protagoniza como Sydney Young (que seria Toby), crítico de cinema que após ser expulso de tantos eventos em seu país natal, é convidado para atravessar o Atlântico e trabalhar numa revista americana comandada por Jeff Bridges.

Quando chega ao novo local de trabalho, precisa se adaptar ao modo de ser americano, e à forma como a imprensa e as estrelas se relacionam. Pois no filme, a diferença na maneira como se dá o relacionamento artista/mídia da Inglaterra para os EUA é que, na terra da rainha, os repórteres são inimigos das celebridades, perseguidores cruéis que adoram desenterrar sujeiras de astros e estrelas. Nos EUA não. O jornalista precisa passar pelo crivo dos RPs, e os veículos de comunicação servem para promover toda bobagem desse universo. Poderíamos enxergar esse contexto por outro ângulo também: ingleses como pessoas com senso crítico apurado, e americanos como bajuladores. 

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Pelo caminho, Sydney ainda terá que provar seu valor profissional, passar por poucas e boas para ser reconhecido, vai se apaixonar  por uma estrela fútil (Megan Fox, de “Transformers”, digna de causa grandes suspiros nos marmanjos), porém só descobrirá o verdadeiro amor numa colega de trabalho, interpretada por Kirsten Dunst, que é amante do superior direto de Sydney, Lawrence Maddox (Danny Huston, o William Stryker de “X-Men Origens: Wolverine”). Dejà vu?

Mas ao pegar esses clichês e optar pela comédia pastelão, o diretor Robert Weide  (que já filmou o universo hollywoodiano na série “Segura a Onda”) soube tirar o melhor de Simon Pegg para o papel principal e, se não criou um trabalho original, criativo, conseguiu realizar um filme exótico, que dá para o gasto, reunindo  um protagonista esquisitão, o belo corpo de Megan Fox, o charme de Kirsten Dunst (a Mary Jane da trilogia “Homem-Aranha”) e o carisma de Jeff Bridges, que surge em cena de cabelo branco e longo.

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“Um Louco Apaixonado” passou quase em branco nos cinemas, tanto lá fora como aqui, mas é o caso típico de longa que tende a se sair bem quando lançado em home vídeo. Afinal, nada como num dia de bobeira, daqueles que estamos dispostos a dar risada por qualquer besteira, teclar o play e assistir a um filme que não exija muito da gente, mas que também não force a barra demais.

Algumas curiosidades:

– Há participações de Thandie Newton e Clint Eastwood (ele, numa foto de um jornal fake) no filme.  Os outros famosos que aparecem foram flagrados durante uma premiação de verdade.

– A personagem de Gillian Anderson (“Arquivo X”) é uma referência à publicista de Tom Cruise.

– Simon Pegg que nada. O verdadeiro louco é  Toby Young, que foi proibido de permanecer nos sets de filmagens, pois costumava interromper o diretor Robert Weide na realização de algumas cenas, o que perturbava os atores.

– A mãe do verdadeiro Toby é escritora, e não atriz de cinema. A que está no filme é Janette Scott atuando em “Now and Forever” (1956).

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André Azenha
Jornalista por formação, crítico de cinema, produtor cultural, pesquisador, curador, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Colaborou com críticas semanais nos jornais Expresso Popular e quinzenais no jornal A Tribuna. Colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest - Festival Internacional de Filmes de Santos, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest e PalafitaCon. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante. Atualmente participa do projeto Hora da Cultura, pela Secult Santos, levando sessões de filmes e bate-papos às escolas da rede municipal. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi. Escreveu sobre cinema para sites, jornais e revistas de Santos, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Limeira e Maceió. www.facebook.com/andreazenha01

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