Mulher-Maravilha


mulhermaravilhaMulher-Maravilha (Wonder Woman, EUA, 2009). Direção: Lauren Montgomery. Roteiro: Michael Jelenic, Michael Jelenic, William M. Marston, Gail Simone. Elenco: Keri Russell, Nathan Fillon, Alfred Molina, Virgina Madsen, Rosario Dawson (apenas vozes). Áud: Ing, Port e Tai (2.0 Dolby Digital). Leg: Ing, Port e Tai. EUA. Animação / Aventura / Ação / 10 anos. Widescreen Anamórfico. 74 min. Cor. 10 anos.

Após os estúdios terem percebido o filão que é fazer filmes para o cinema baseados nos gibis, passaram a atacar em todas as direções. Uma forma de saciar a vontade dos fãs das HQs, que esperam ver seu herói preferido transformado em pessoa de carne e osso, é produzir longas animados para o mercado de home vídeo. E a concorrência entre DC e Marvel tem gerado ótimos filmes do gênero.

“Mulher-Maravilha” é uma das melhores animações, senão a melhor, realizada pela DC. Para dar vida à trama foi escalada uma diretora experiente em animações da DC, que já fez episódios dos desenhos animados da Legião de Super-Heróis e do Superman, e um bom elenco para dublar os personagens, destacando Keri Russell (ganhadora do Globo de Ouro pela sua atuação na série de tevê “Felicity”), como a protagonista, e Alfred Molina, que comprova ser ideal para viver vilões ao dar voz ao inimigo Ares (ele já havia interpretado um bandidão oriundo das HQs, no segundo filme live action do Homem-Aranha).

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A estória tem início na mística ilha de Themyscira, onde as Amazonas, guerreiras fortes e orgulhosas, vivem sem a presença dos homens, a quem julgam corruptos. Mas uma traição dentro da ilha liberta Ares, o Deus da Guerra, e a Princesa Diana precisa capturá-lo antes que ele destrua o mundo. Com a ajuda do piloto Steve Trevor, que sofreu um acidente aéreo e foi parar na ilha, Diana segue Ares até os EUA, e lá se torna a Mulher-Maravilha.

Criada em 1941, Mulher-Maravilha pode ser considerada uma analogia ao maior espaço alcançado pelas mulheres no mercado de trabalho naquela época, e foi a primeira heroína da DC Comics (vale lembrar que, apesar de Lois Lane ser corajosa, não é considerada uma heroína no sentido de ter poderes ou agir como protetora da sociedade), editora conhecida por dar vida a personagens femininas fortes e tão importantes quantos os homens, como Mulher-Gato, a titã Estelar, Ravena, Moça-Maravilha, entre outras.

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E a animação mantém a essência do universo da protagonista, inclusive o conflito entre os sexos e depois a superação dessas diferenças – e bastante sensualidade. O roteiro mescla de forma inteligente, diversas fases da personagem nos quadrinhos, desde a Era de Prata, até o celebrado período de reformulação composta por George Pérez, nos anos 80.

Está tudo na dose certa: há ação (e alguns momentos violentos, porém sem exageros), comédia romântica (incrivelmente existe uma química latente entre Diana e o piloto Steve Trevor) e drama. A obra é fiel aos gibis e pode agradar tanto os mais fanáticos como o público geral.

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Curiosamente, Mulher-Maravilha já tivera sua origem contada na estréia da elogiada série de tevê animada da Liga da Justiça, pois era a única dos três heróis mais famosos da DC (os outros são Superman e Batman), que, até então, ainda não fora retratada em seus primeiros passos numa animação. Mas os equívocos daquela origem são corrigidos aqui.

Excelente edição ainda traz os documentários “Mulher Maravilha: A Princesa Guerreira”, com entrevistas do elenco; “Lanterna Verde: Prévia”; “Dos Quadrinhos para o Primeiro Longa de Animação, A Liga da Justiça, A Nova Fronteira”; e “Batman e O Cavaleiro de Gotham: A Evolução em Anime”. Fica a esperança que o filme para o cinema mantenha o nível desta produção.

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André Azenha
Jornalista, crítico de cinema, produtor cultural, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Escreve uma coluna semanal, aos sábados, para o jornal Expresso Popular, colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante, em Santos. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi.

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