Fausto
Fausto (Faust – Eine deutsche Volkssage, Alemanha, 1926). Direção: F.W. Murnau. Roteiro: Johann Wolfgang Goethe (peça teatral), Gerhart Hauptmann (cartelas), Hans Kyser (roteiro e cartelas), Christopher Marlowe (peça teatral). Elenco: Emil Jannings, Gösta Ekman, Camilla Horn, Frida Richard, William Dieterle, Yvette Guilbert, Eric Barclay, Hanna Ralph, Werner Fuetterer. Drama / Fantasia / Terror. 116 min. (PB).
O F. W. Murnau de “Nosferatu” conseguiu reinventar o cinema mais uma vez apenas quatro anos depois de lançar o filme de terror. “Fausto”, inspirado na peça de Goethe, é um espetáculo estilístico sem precedentes. Em plena era do expressionismo alemão, levou a estética a outro nível ao criar uma atmosfera sinistra com a ajuda da feição dos personagens, dos enquadramentos, dos efeitos especiais e, claro, dos cenários. Aliás, aí está o valor de “Fausto”: seus efeitos especiais causaram pavor em 1926 e têm força para assustar ainda hoje.
Pela história, já se pode imaginar que seria necessário construir cenários mirabolantes e criar um ambiente único. “Fausto” conta a história de um embate entre o Diabo (chamado Mephisto) e um anjo. Mephisto aposta que conseguirá corromper a alma do mais puro dos homens, Fausto, e o anjo lhe promete o controle da Terra caso consiga. Mephisto lança uma praga na cidade onde Fausto mora, e se oferece para ajudá-lo, com uma condição: quando toda a areia da ampulheta passar para o outro lado, será seu servo.

Mephisto prossegue dando a Fausto tudo que deseja. Primeiro, auxilia-o a curar as pessoas, que logo se voltam contra o curandeiro ao perceber sua aversão a cruzes. Mephisto dá a Fausto sua juventude de volta, transformando-o em um belo jovem. Tomando proporções épicas, o filme mostra Fausto viajando pelo mundo e se apaixonando pela jovem Gretchen, em uma cadeia de eventos que deixará Mephisto cada vez mais próximo de seu objetivo.
“Fausto” propõe uma discussão sobre o mais básico dos antagonismos, mas certamente o mais fascinante deles: o bem contra o mal. Foi o último filme em alemão feito por Murnau, que depois iria para Hollywood para fazer “Aurora” (1927), que dividiu com “Asas” o primeiro Oscar de Melhor Filme da história do cinema. Apesar de inspirada na peça de Goethe, a história também empresta elementos da lenda de Fausto, que inspirou a peça. A direção de arte ajuda a criar o tom de fábula que a lenda pede, além de dar espaço ao drama e à tragédia vindos do teatro.

Não há dúvida que F. W. Murnau foi um dos cineastas que mais revolucionou o cinema desde o seu início. Se hoje nos impressionamos com efeitos especiais que permitem recriar dinossauros aterrorizantes, conduzir espaçonaves gigantescas pelo espaço, entre outras fantasias, é em parte por conta do trabalho deste alemão. Prestigie seu cinema quando puder.
