O Leitor

Apesar do Oscar de Atriz para Kate Winslet, e outras indicações em vários prêmios, não se trata da última maravilha do cinema nem uma nova revolução no gênero. É, sim, um bom filme, mas não excelente
Por Ricardo Prado * (15/05/2009) // Comente

Por: Ricardo Prado

leitor-poster01tO Leitor (The Reader, Reino Unido/Alemanha, 2008). Direção: Stephen Daldry. Roteiro: David Hare, baseado em livro de Bernhard Schlink. Elenco: Kate Winslet, Ralph Fiennes, Bruno Ganz, Alexandra Maria Lara, David Kross. Drama. 124 min. (Cor).

8,0

Apesar dos vários prêmios aos quais “O Leitor” foi indicado/venceu, não se trata da última maravilha do cinema nem uma nova revolução no gênero. É, sim, um bom filme, mas não excelente. É bem interessante a história de Michael Berg, um rapaz que se envolve com Hanna Schmitz, uma mulher mais velha, na Alemanha pós-Segunda Guerra (Alemanha Ocidental, para ser mais preciso) e, anos mais tarde, descobre que ela tem um passado negro associado ao nazismo. O que ajuda é o trabalho de Kate Winslet, mas também do jovem David Kross, que prepara muito bem o terreno para Ralph Fiennes tomar conta do personagem, depois. Então, o que houve de errado em “O Leitor”? Cria-se a expectativa de um filme grandioso quando, na verdade, é apenas bom. A história poderia ter abordado mais questões desse período da história alemã, além de ter investido mais em si mesma. Com isso, “O Leitor” não se torna tão memorável quanto imaginávamos que seria. Mas, tudo bem; continua melhor do que muita coisa que apareceu por aí em 2008.

Filmes sobre o Holocausto já até viraram um gênero em Hollywood, por razões que a história política e a psicologia melhor explicam do que uma resenha crítica de cinema. “O Leitor” explora justamente as conseqüências disso para a Alemanha. Em nenhum momento existe um flashback mostrando algum campo de concentração, judeus enfileirados e o terrível banho de gás. A história começa em 1958, e só caminha para frente. Isso é positivo, pois oferece uma luz diferente a um tema já abordado à exaustão, mas que ainda permite leituras diferentes, como esta. Apesar disso, é importante ressaltar que o filme não é sobre o nazismo, o passado de Hanna, nem sobre as atrocidades do Holocausto. É sobre o relacionamento de Michael e Hanna e o vínculo que criam quando ele começa a ler clássicos da literatura para ela, já que Hanna é analfabeta.

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Kate Winslet se reinventa neste filme. Num ano em que também fez “Foi Apenas um Sonho”, “O Leitor” permite ao espectador vê-la quebrando barreiras, algo que nunca havia tido a oportunidade de fazer – sua atuação rendeu o Oscar de Atriz e o Globo de Ouro de Coadjuvante pelo papel. Hanna é uma mulher dura, fria, ferida pelo passado. E Kate entrega uma performance memorável. Quando se fala do elenco de “O Leitor”, não se deve esquecer do jovem David Kross, em seu primeiro filme americano, e que consegue construir um personagem convincente. Ralph Fiennes poderia ter mais tempo de tela, por isso, fica meio apagado.

Quem for assistir a “O Leitor” talvez se decepcione com a falta de desenvolvimento de alguns personagens, o que pode até remeter a um certo superficialismo. É um engano. Cabe ao espectador compreender as ações destes personagens, algo completamente possível depois de vermos tudo pelo que passaram e o que fizeram em suas vidas. É claro que o livro de Bernhard Schlink, em que o roteiro é baseado, também adota essa “superficialidade”, mas é ousado um filme adaptar essa característica, também.

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