O Amante
Por: André Azenha
O Amante (The Other Man, EUA / Inglaterra, 2008). Direção: Richard Eyre. Roteiro: Richard Eyre, Bernhard Schlink, Charles Wood. Elenco: Liam Neeson, Antonio Bandeiras, Laura Linney, Romola Garai. Drama / Suspense. 88 min. (Cor).
6,5
O diretor e roteirista inglês Richard Eyre tem prestígio. Sua carreira conta com belos filmes que alcançaram, inclusive, reconhecimento no Oscar. “Iris” (2001) rendeu uma estatueta de ator coadjuvante para Jim Broadbent e indicações para Judi Dench (Atriz) e Kate Winslet (Coadjuvante). Cinco anos depois, o denso “Notas Sobre um Escândalo” foi indicado quatro vezes ao prêmio da Academia nas categorias Roteiro Adaptado, Trilha Sonora, Atriz (outra vez Dench) e Atriz Coadjuvante (Cate Blanchett). Natural que atores respeitados se interessem em trabalhar com ele.
Para “O Amante”, Eyre juntou intérpretes consagrados como Lian Neeson, Laura Linney e Antonio Banderas, mais a jovem talentosa Romola Garai (de “Scoop” e “Desejo e Reparação”, longa no qual o cineasta foi produtor executivo) para contar a história de Peter(Neeson), empresário que descobre um caso extraconjugal de sua esposa Lisa (Linney) e passa a investigar o desaparecimento dela, chegando à Itália, onde encontra Raph (Banderas), o amante do título.

Porém, Eyre se perde na tentativa de criar um suspense, prejudicando o que poderia ser um ótimo drama sobre amor, traição e a superação de uma perda. Assim, os atores ficam restritos a poucos momentos memoráveis, destacando-se principalmente Neeson (beneficiado pelo papel principal), e Romola Garai, no papel de filha de Peter e Lisa.
O filme, no início, soa interessante, mas “interessante” não significa que o rumo tomado pela história possa conquistar o espectador. E a reviravolta que acontece no roteiro pode ser percebida com antecedência. Uma pena, pois “O Amante” acaba sendo um desperdício para tantos talentos, e se não é ruim, também está aquém da qualidade dos longas já concebidos pelo cineasta.
