O Amante

Na tentativa de criar suspense, o talentoso diretor Richard Eyre fez um filme aquém da qualidade de seus trabalhos anteriores
Por André Azenha, editor (01/05/2009) // Comente

Por: André Azenha

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O Amante (The Other Man, EUA / Inglaterra, 2008). Direção: Richard Eyre. Roteiro: Richard Eyre, Bernhard Schlink, Charles Wood. Elenco: Liam Neeson, Antonio Bandeiras, Laura Linney, Romola Garai. Drama / Suspense. 88 min. (Cor).

6,5

O diretor e roteirista inglês Richard Eyre tem prestígio. Sua carreira conta com belos filmes que alcançaram, inclusive, reconhecimento no Oscar. “Iris” (2001) rendeu uma estatueta de ator coadjuvante para Jim Broadbent e indicações para Judi Dench (Atriz) e Kate Winslet (Coadjuvante). Cinco anos depois, o denso “Notas Sobre um Escândalo” foi indicado quatro vezes ao prêmio da Academia nas categorias Roteiro Adaptado, Trilha Sonora, Atriz (outra vez Dench) e Atriz Coadjuvante (Cate Blanchett).  Natural que atores respeitados se interessem em trabalhar com ele.

Para “O Amante”, Eyre juntou intérpretes consagrados como Lian Neeson, Laura Linney e Antonio Banderas, mais a jovem talentosa Romola Garai (de “Scoop” e “Desejo e Reparação”, longa no qual o cineasta foi produtor executivo) para contar a história de Peter(Neeson), empresário que descobre um caso extraconjugal de sua esposa Lisa (Linney) e passa a investigar o desaparecimento dela, chegando à Itália, onde encontra Raph (Banderas), o amante do título.

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Porém, Eyre se perde na tentativa de criar um suspense, prejudicando o que poderia ser um ótimo drama sobre amor, traição e a superação de uma perda. Assim, os atores ficam restritos a poucos momentos memoráveis, destacando-se principalmente Neeson (beneficiado pelo papel principal), e Romola Garai, no papel de filha de Peter e Lisa.

O filme, no início, soa interessante, mas “interessante” não significa que o rumo tomado pela história possa conquistar o espectador. E a reviravolta que acontece no roteiro pode ser percebida com antecedência. Uma pena, pois “O Amante” acaba sendo um desperdício para tantos talentos, e se não é ruim, também está aquém da qualidade dos longas já concebidos pelo cineasta.

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André Azenha é jornalista, editor dos sites CineZen e CulturalMente Santista, autor do livro Poesia a Quatro Mãos, feito em parceria com sua mãe, a poetisa Regina Azenha. Trabalhou com o crítico de cinema Rubens Ewald Filho, escreveu para a revista Época São Paulo e colabora com veículos de imprensa de vários estados. Em 2011, mediou o ciclo Documentários Comentados, no SESC Santos. É assessor de imprensa e realiza encontros culturais, a maior parte de caráter beneficente.


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