Os Invencíveis
Por: Ricardo Prado
Os Invencíveis (Joheunnom nabbeunnom isanghannom/The Good, the Bad and the Weird, Coréia do Sul, 2008). Direção: Ji-woon Kim. Roteiro: Ji-woon Kim, Min-suk Kim. Elenco: Woo-sung Jung, Byung-hun Lee, Kang-ho Song, Ji-won Uhm. Faroeste / Aventura. 139 min. (Cor).8,0
Desde seu título internacional, “The Good, the Bad and the Weird”, fica a impressão de que se trata de um pastiche satírico do gênero do faroeste (em especial os filmes de Sergio Leone), mas é muito mais do que isso. É um misto extremamente competente de ação e comédia, e que não emburrece. “Os Invencíveis” também é um importante marco do cinema sul-coreano, sendo o mais caro já produzido e o maior sucesso de 2008.
A influência mais óbvia, que aqui mais parece uma homenagem direta, vem de “Três Homens em Conflito” (”The Good, the Bad and the Ugly”/”Il Buono, il Brutto, it Cattivo”), de Leone. São três protagonistas: o bom, o mau e o idiota. O que une os três é a caça por um cobiçado mapa do tesouro, que revela a localização das relíquias de uma dinastia chinesa.

Quem tem mais tempo na tela é o idiota, Yoon Tae-goo, ladrão desastrado que, de alguma forma, sempre acaba se safando do perigo. Também estão atrás do tesouro o bom, Park Do-won, uma espécie de caçador de recompensas que mais parece interessado em capturar Park Chang-yi, o mau, do que no tesouro. Chang-yi é um bandido assustador que não pensa duas vezes antes de usar a violência para conseguir o que quer. No caso, faz de tudo para colocar as mãos no tesouro. A história é ambientada na Manchúria dos anos 30, então prepare-se para ver um pouco de tecnologia do século 20 em cenários de faroeste, como perseguições envolvendo cavalos e motocicletas.
Byung-hum Lee e Kang-ho Song (o mau e o idiota, respectivamente) valem o filme. Enquanto um consegue personificar o verdadeiro demônio, que com poucas palavras e gestos faz todos morrerem de medo, o outro faz da longa duração do filme um deleite, já que é impossível não ser cativado por seu personagem. O ritmo é excelente, é ação seguida de ação, com pitadas de comédia aqui e ali. Lee foi visto em “O Gosto da Vingança”, do mesmo diretor, e em “JSA: Joint Security Area”, de Chan-wook Park. Já Song esteve em “O Hospedeiro” e “Memórias de um Assassino”, de Joon-ho Bong.
“Os Invencíveis” (deveriam ter mantido o título de festivais, “O Bom, o Mau e o Bizarro”, que é bem menos genérico) é imperdível. De longe, o melhor produto sul-coreano de 2008, e um dos melhores dos últimos anos. É um raro caso de cinema de homenagem que tem brilho próprio.

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