Demolidor – O Homem Sem Medo / Versão do Diretor

Versão de Mark Steven Johnson tem meia hora a mais de filme, cinismo, e é melhor que a edição original do cinema, ainda que continue aquém da qualidade dos gibis do personagem
Por André Azenha, editor (24/04/2009) // Comente

Por: André Azenha

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Demolidor – O Homem Sem Medo / Versão do Diretor  (Diredevil, EUA, 2003). Direção: Mark Steven Johnson. Roteiro: Mark Steven Johnson, baseado nos personagens criados por Stan Lee, Bill Everet e Frank Miller. Elenco: Ben Affleck, Jennifer Garner, Colin Farrell, Michael Clarke Duncan, Jon Favreau. Ação. 133 min. (Cor).

7,0

Insatisfeito com a versão que passou nos cinemas de “Demolidor – O Homem Sem Medo”, filme baseado no herói dos gibis da editora Marvel, o diretor e roteirista Mark Steven Johnson decidiu levar em frente a sua versão.

Durante a produção do longa, antes de seu lançamento oficial, o cineasta recebeu carta branca do chefão da Marvel, Avi Arad, para desenvolver o projeto, com orçamento reduzido, fato que possibilitou a Mark conceber a obra com certa independência criativa. Mas os executivos da Fox acharam a trama violenta demais e fizeram uma série de cortes, além de acrescentarem uma cena de sexo entre o herói e a personagem Elektra (que depois seria protagonista de um filme solo bastante ruim).

Resultado: bilheteria fraca e críticas negativas. Não que essa versão lançada em home vídeo seja uma obra-prima, porém ao menos os fãs do personagem não têm tanto do que reclamar.

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A tal cena de sexo não está aqui (que fique bem claro, nada contra cenas assim, mas a inserção da mesma pela produção foi visivelmente uma ação mercadológica e que prejudicava a essência sombria da história), o que dramatiza a relação entre Demolidor e Elektra (respectivamente Ben Affleck e Jennifer Garner, que iriam formar casal na vida real). E ainda houve o acréscimo de toda uma trama paralela de tribunal, aumentando a duração da produção em meia hora, e tornando o enredo, que era bobinho, mais cínico e irônico, próximo das HQs.

A trama é de origem. O jovem Matt Murdock sofre um acidente que o deixa cego e tenha seus outros sentidos ampliados. Matt estuda Direito e passa a treinar arduamente artes marciais. Com a morte do pai, que trabalhava para o Rei do Crime, se torna o Demolidor.

Apesar das mudanças em relação à edição do cinema, “Demolidor”, o filme, não possui o mesmo tom obscuro do gibi, e alguns atores abusam da caricatura em suas interpretações.

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Bem Affleck faz o feijão com arroz e não compromete (mesmo tendo sido agraciado posteriormente com o Framboesa de Ouro de Pior Ator), Garner surge em cena sexy, capaz de deixar marmanjos babando e muito melhor que sua interpretação em “Elektra” e Colin Farrell parece ter se divertido na pele do Mercenário, vilão que nos quadrinhos é mais insano e possui uma rivalidade mortal com o protagonista – que aqui não corresponde às tramas das HQs. Já Michael Clarke Duncan incorpora o jeitão de mafioso – e quem prestar atenção, notará que o amigo de Murdock é Jon Favreau, diretor de “Homem de Ferro”, onde também atua, no papel de segurança de Tony Stark.

Algumas cenas de ação foram bem rodadas, enquanto outros momentos beiram o ridículo (como uma luta entre Matt e Eleketra em frente a várias crianças). Enquanto isso, a narrativa alterna ainda comédia e drama sem soar esquizofrênica.

Foi a segunda vez que Demolidor ganhou uma adaptação live action (anteriormente foi no telefilme “O Julgamento do Incrível Hulk”) e a versão do diretor com certeza é superior à original. E como o preço no varejo é o mesmo para as duas edições, vale optar por esta, que ainda traz comentários do diretor e making of.

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André Azenha é jornalista, editor dos sites CineZen e CulturalMente Santista, autor do livro Poesia a Quatro Mãos, feito em parceria com sua mãe, a poetisa Regina Azenha. Trabalhou com o crítico de cinema Rubens Ewald Filho, escreveu para a revista Época São Paulo e colabora com veículos de imprensa de vários estados. Em 2011, mediou o ciclo Documentários Comentados, no SESC Santos. É assessor de imprensa e realiza encontros culturais, a maior parte de caráter beneficente.


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