Onde Andará Dulce Veiga?

Guilherme de Almeida Prado realiza belo drama que reúne antigas musas do cinema brasileiro e tem Carolina Dieckman chocante como punk lésbica
Por André Azenha, editor (05/03/2009) // 1 comentário

 Por: André Azenha

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Onde Andará Dulce Veiga? (Idem, Brasil, 2008). Direção: Guilherme de Almeida Prado. Roteiro: Guilherme de Almeida Prado, baseado em livro de Caio Fernando Abreu. Elenco: Eriberto Leão, Maitê Proença, Carolina Dieckman, Christiane Torloni, Nuno Leal Maia, Júlia Lemmertz, Christiane Torloni, Cacá Rosset, Carmo Della Vechia, Matilde Mastrangi, Imara Reis, Maira Chasseroux. Drama. 105 min. (Cor).

8,0

Os filmes do cineasta Guilherme de Almeida Prado não se enquadram nos gêneros “comuns” do cinema, como comédia, drama, suspense, romance, etc. Suas obras geralmente englobam um pouco de cada uma dessas categorias para gerar algo inclassificável. E talvez por estar fora do lugar comum, suas produções não alcancem a visibilidade que merecem. Mas sua qualidade autoral é inegável, vide o clássico “A Dama do Cine Shangai” (1987).

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Para realizar “Onde Andará Dulce Veiga?”, filme inspirado num mix formado pelo livro “Onde Andará Lyris Castellani?”  e  o inacabado “Dulce Veiga”, ambos de Caio Fernando de Abreu, o diretor e roteirista decidiu homenagear musas do cinema nacional: Matilde Mastrangi, Imara Reis, Christiane Torloni, Julia Lemmerts e a sempre bela Maitê Proença como a Dulce Veiga do título.

O longa narra a jornada de um repórter (Eriberto Leão) de um jornal meia-boca, cujo editor é interpretado por Cacá Rosset, e que é escalado para entrevistar uma banda punk formada por mulheres. Eis que a vocalista lésbica e com os seios a mostra, feita por uma surpreendente Carolina Dieckman, é filha de Dulce Veiga, antiga musa brasileira da bossa nova que simplesmente desapareceu e ninguém jamais soube o que teria acontecido com ela. Ao revelar sua descoberta ao seu editor, o chefe simplesmente pede uma mudança no foco do texto. Nada de banda de rock. A abordagem agora será: Onde Andará Dulce Veiga?

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Repleto de referências (“Baby Jane”, elementos da Bossa Nova e à própria carreira do diretor, com a aparição de Matilde Mastrangi – com quem ele já trabalhou – em diferentes papéis pequenos), o longa possui alguns defeitos. A começar pela inexpressividade do protagonista Eriberto Leão. Já alguns personagens, que no início parecem serem de importância fundamental para o desfecho da história, simplesmente desaparecem no meio da trama. E no ato final o filme soa um tanto arrastado.

Mas por mais que a duração tenha sido motivo de algumas críticas negativas, o filme possui certo charme. É cinema de autor bem realizado, com tiradas irônicas (principalmente contra a classe jornalística), viagens quase psicodélicas (somos chamados a partilhar com o protagonista seus devaneios e pensamentos, algo que o diretor incorpora de forma inteligente na montagem) e exceto Leão, há um ótimo elenco.

Maitê Proença e Christiane Torloni continuam lindas e catalisadoras enquanto estão em cena. Carolina Dieckman surge chocante, como jamais havia sido retratada em outro filme. Nuno Leal Maia diverte-se na pele de um sujeito canastra e Oscar Magrini incorpora um diretor de teatro gay (o homossexualismo, aliás, é presença em várias sequências).

Porém, a principal virtude de “Onde Andará Dulce Veiga” é pegar o espectador pela mão, e assim como o protagonista, mergulhá-lo no mistério da história e levá-lo pela jornada que poderá responder à pergunta-título através do “verdadeiro Brasil”, como diz o em certo momento o personagem de Eriberto Leão.

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André Azenha é jornalista, editor dos sites CineZen e CulturalMente Santista, autor do livro Poesia a Quatro Mãos, feito em parceria com sua mãe, a poetisa Regina Azenha. Trabalhou com o crítico de cinema Rubens Ewald Filho, escreveu para a revista Época São Paulo e colabora com veículos de imprensa de vários estados. Em 2011, mediou o ciclo Documentários Comentados, no SESC Santos. É assessor de imprensa e realiza encontros culturais, a maior parte de caráter beneficente.


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1 Comentário
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  1. Eu acho que não se faz um grande filme com atores pequenos. Ainda não vi o filme, mas, pelo que o Andre comentou, o Eriberto Leão que interpreta o personagem que no livro leva o fio condutor da história, não tem muita expressividade. O livro é uma maravilha.

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