Wendy and Lucy
Por: Ricardo Prado

Wendy and Lucy (EUA, 2008). Direção: Kelly Reichardt. Roteiro: Kelly Reichardt e Jonathan Raymond. Elenco: Michelle Williams, Will Patton, John Robinson, Wally Dalton, Larry Fessenden, Will Oldham. Drama. 80 min. (Cor).
9,0
“Wendy and Lucy” é mais um desses pequenos filmes grandes, mas sua maior qualidade é permitir ao espectador extrair o máximo de idéias de uma só. A Wendy do título é uma jovem que está indo até o Alasca em busca de um trabalho. Já Lucy é sua fiel e inseparável cadela. Quando o carro de Wendy quebra em uma cidadezinha do interior do Oregon, nos Estados Unidos, Wendy começa a se desesperar. Seu dinheiro está contadíssimo, mas precisa alimentar Lucy, já que a ração dela acabou. Ela tenta roubar algumas latas de comida de uma loja local, mas é presa e gasta mais dinheiro ainda com a fiança. Quando volta ao local onde deixou Lucy, ela não está mais lá. São acontecimentos corriqueiros em um filme minimalista que só vão chamar a atenção dos realmente interessados. É seguro dizer que quase nada acontece em “Wendy and Lucy”. Fisicamente.
No papel principal está Michelle Williams (indicada ao Oscar por interpretar Alma em “O Segredo de Brokeback Mountain”, em 2006), que leva essa idéia de minimalismo à interpretação, também. Interpretar é imitar a vida, afinal. É de partir o coração vê-la procurando uma forma de sair daquela cidade, apreensiva por não conseguir chegar até o trabalho que arrumou e ainda por ter perdido Lucy. E não é nada diferente de muita gente que certamente estaria passando pela porta do cinema naquela hora. Ela não se derrama em lágrimas, nem pronuncia solenes monólogos de como tudo deu errado em sua vida. “Wendy and Lucy” é como um documentário, um desses filmes europeus ultra-realistas que, só de seguir seus personagens, acabam revelando seus temores mais íntimos. Se fizer o espectador olhar para si mesmo, então, terá seus objetivos cumpridos.