Renaissance

Animação francesa futurística tem visual espetacular, trama sobre conspiração, influenciada por Philip K. Dick e voz do 007 Daniel Craig
Por André Azenha, editor (20/02/2009) // Comente

Por: André Azenha

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Renaissance (Idem, França / Inglaterra / Luxemburgo, 2006). Direção: Christian Volckman. Roteiro: Alexandre de La Patellière e Mathieu Delaporte, baseado em adaptação de Jean-Bernard Pouy e Patrick Raynal. Animação. 105 min. (Cor).

8,0

“Renaissance” pode ser considerado herdeiro de “Sin City” e dos flmes inspirados nos escritos de Philip K. Dick. Se o filme adaptado da HQ de Frank Miller tomou algumas liberdades visuais em relação ao gibi, a animação francesa foi adiante, produzida praticamente em PB, chapado em nanquim, sem meios tons. Outra coincidência com o longa de Miller e Robert Rodriguez é a ambientação noturna, referência ao cinema noir.

Orçada em 15 milhões de euros, a produção foi feita com “performance capture” – aquela técnica utilizada em “O Expresso Polar” e “A Lenda de Beowulf”,.em que o elenco atua com sensores presos ao corpo e tem seus gestos transpostos à animação. Mas diferente desses dois filmes, as feições estão mais estilizadas, próximas dos gibis, do que buscando uma proximidade com a realidade. Os movimentos soam naturais e a dublagem se encaixa perfeitamente no modo como os lábios se movem – a versão americana, que circula no Brasil em DVD, tem dublagens do atual 007 Daniel Craig, Jonathan Pryce, Ian Holm e Catherine McCormack.

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O enredo é influenciado por Philip K. Dick, autor de inúmeras obras que geraram adaptações cinematográficas – entre elas o clássico “Blade Runner” e “Minority Report”. E “Renaissance” se tal “Minority Report”, se passa num futuro cujas pessoas serão controladas passo a passo por sensores. Outros elementos das histórias do escritor como drogas sintéticas, experiências genéticas e trajes high-tech também surgem em cena.

Dirigida por Christian Volckman (famoso por seu curta “MAAZ”) e escrita por Alexandre de La Patellière e Mathieu Delaporte (baseada em adaptação de Jean-Bernard Pouy e Patrick Raynal), a trama se passa numa surpreendente Paris de 2053 quando um detetive incorruptível (voz de Craig) investiga o desaparecimento de uma jovem geneticista. Conforme suas buscas avançam, ele depara-se com uma conspiração empresarial, tornando-se o alvo de uma mega-corporação chamada Avalon. Ao mesmo tempo em que tenta encontrar a garota, precisa proteger a irmã da mesma e investigar a relação de um cientista com a empresa. Nada de revolucionário no roteiro sobre conspiração. O que acaba chamando a atenção é a ação quase ininterrupta e o apuro visual – o estilo dos traços é totalmente europeu, remetendo às histórias em quadrinhos do século XIII, sucesso no mercado franco-belga.

Não dá pra deixar de citar “O Homem-Duplo”, animação dessa década também feita com captura de performance e inspirada em K. Dick. A diferença é que, enquanto “O Homem-Duplo” tem enredo um tanto “viajandão”, “Renaissance” é uma bela obra estilística.

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André Azenha é jornalista, editor dos sites CineZen e CulturalMente Santista, autor do livro Poesia a Quatro Mãos, feito em parceria com sua mãe, a poetisa Regina Azenha. Trabalhou com o crítico de cinema Rubens Ewald Filho, escreveu para a revista Época São Paulo e colabora com veículos de imprensa de vários estados. Em 2011, mediou o ciclo Documentários Comentados, no SESC Santos. É assessor de imprensa e realiza encontros culturais, a maior parte de caráter beneficente.


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