O Ultimato Bourne

Por: André Azenha

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O Ultimato Bourne (The Bourne Ultimatum, EUA, 2007). Direção: Paul Greengrass. Roteiro: Tony Gilroy, Scott Z. Burns e George Nolfi, baseado em estória de Tony Gilroy, e outra vez nas obras de Robert Ludlum. Elenco: Matt Damon, Joan Allen, Chris Cooper, Julia Stiles, David Strathairn, Albert Finney, Daniel Brühl, Brian Cox. Ação / Espionagem. 111 min. (Cor).

8,5

Em 2002, “A Identidade Bourne” se tornou um novo parâmetro para os filmes de ação. Baseada no livro de Robert Ludlum, o longa destacava-se dos demais do gênero devido à abordagem técnica – cortes rápidos, câmeras na cola dos personagens e cenas de ação verossímeis – e influenciou velhas franquias consagradas, como 007 (em “Cassino Royale”) e “Missão Impossível”. A obra conseguiu de maneira inteligente misturar ação, drama, suspense e aventura, sem apelar para clichês e mostrando um (anti) herói que podia sangrar – méritos ao bom trabalho do ator Matt Damon. Tal sucesso arrebatou público e crítica, e gerou uma continuação (“A Supremaria Bourne”, de 2004, também inspirada nos escritos de Ludlum) igualmente bem sucedida e mais visceral e violenta – graças à excelente direção de Paul Greengrass (indicado ao Oscar de direção pelo ótimo “Vôo United 93”).

Após a franquia fincar seu nome entre as preferidas da platéia, era mais que esperada a versão cinematográfica para “O Ultimato Bourne”, e principalmente, pairava a dúvida se o diretor conseguiria manter o nível da série. Contando com um orçamento de U$ 125 milhões – quase o valor dos dois primeiros, que custaram U$ 75 milhões cada – Greengrass não decepcionou os fãs e foi além. Dessa vez a ação praticamente não para, e quando há alguma pausa, jamais estraga o ritmo intenso do filme, frenético do início ao fim, filmado em áreas abertas no meio da multidão, aumentando ainda mais o mérito do cineasta.

Com bom roteiro de Tony Gilroy, Scott Z. Burns e George Nolfi, baseado em estória de Tony Gilroy, e outra vez nas obras de Robert Ludlum, a aventura parte de onde a antecessora havia parado. Em sua última aparição, o agente secreto Jason Bourne decidiu sumir para sempre e esquecer a vida que lhe foi roubada. Entretanto, uma matéria do diário londrino The Guardian, especula sobre sua existência, e faz o protagonista voltar a entrar na mira da CIA. Apesar do programa Treadstone ter falhado, surge uma espécie de continuação, o Blackbriar, desenvolvido pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos, e que gera uma geração de novos matadores treinados secretamente pelo governo, onde Bourne é visto como uma ameaça a ser eliminada. Enquanto isso, Jason enxerga uma oportunidade para finalmente descobrir seu passado.

Mais uma vez Matt Damon se sai bem na pele do agente e passeia por muitos países em vários continentes. Rússia, Itália, Espanha, Inglaterra, Marrocos e EUA são as bolas da vez. Auxiliado por um elenco competente, contando com o retorno das atrizes Julie Styles e Joan Allen encarnando novamente as agentes Nicky Parsons (que pode ter sido um affair do herói tempos antes), e Pamela Landy, respectivamente, e com a presença marcante de David Strathaim, vivendo o chefão da CIA envolvido no novo projeto.

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O único ponto contra é a invulnerabilidade da figura central. Se antes ele sangrava, errava e apanhava (coisas que fizeram as séries “007” e “Missão Impossível” mudarem de “cara”), dessa vez Bourne praticamente é um Superman. Mesmo equívoco que deixava o público mais criterioso fã de James Bond e Ethan Hunt com um pé atrás. Fica difícil acreditar numa moto subindo e descendo escadarias, Jason pulando de um prédio e caindo certinho na janela de outro, enfim, pequenos deslizes que não foram cometidos nos longas anteriores.

Apesar disso, o esmero técnico com que foi realizado (reconhecido no Oscar com três estatuetas, em Edição, Som e Edição de Som, e dois prêmios no BAFTA, Som e Edição), o ritmo alucinante e as maravilhosas cenas de ação garantem a alegria dos fãs. E a produção deixa algumas mensagens: A maneira inescrupulosa da CIA atuar e eliminar alvos “indesejáveis”, até que ponto vale um jornalista arriscar a vida em busca de uma grande matéria, e principalmente, se vale mesmo a pena um ser humano largar tudo para “lutar pela pátria”. Apesar de Damon ter declarado que a saga do seu personagem acabar aí; foi deixada uma esperta brecha para possíveis continuações. Agora é esperar por novos livros de Ludlum.

André Azenha
Jornalista por formação, crítico de cinema, produtor cultural, pesquisador, curador, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Colaborou com críticas semanais nos jornais Expresso Popular e quinzenais no jornal A Tribuna. Colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest - Festival Internacional de Filmes de Santos, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest e PalafitaCon. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante. Atualmente participa do projeto Hora da Cultura, pela Secult Santos, levando sessões de filmes e bate-papos às escolas da rede municipal. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi. Escreveu sobre cinema para sites, jornais e revistas de Santos, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Limeira e Maceió. www.facebook.com/andreazenha01

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