The Rolling Stones – Shine a Light

Documentário de Martin Scorsese flagra os Stones no palco como nunca haviam sido filmados
Por André Azenha, editor (19/02/2009) // Comente

Por: André Azenha

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The Rolling Stones – Shine a Light (Shine a Light, EUA / Inglaterra, 2008). Direção: Martin Scorsese. Documentário / Musical.122 min. (Cor e PB).

9,0

Martin Scorsese é fã de rock e blues. Sua filmografia inclui participação na equipe técnica que filmou “Woodstock” (1970), a direção do documentário de despedida de The Band em “The Last Waltz” (1978), a produção da série televisiva “Martin Scorsese Presents: The Blues” (2003) e a biografia definitiva de Bob Dylan “No Direction Home” (2005). Faltava um filme do diretor sobre os Rolling Stones, de quem é fã declarado: “Os Stones eram meu objeto de desejo, foram a música da minha vida”, disse o cineasta no Festival de Berlim em 2008, ao lançar mundialmente “Shine a Light”, que flagra a banda inglesa em duas apresentações da turnê “A Bigger Band Tour” em 2006.

Os shows foram realizados no Beacon Theatre de Nova York para um público seleto de 2800 felizardos, sendo que uma das noites foi o aniversário de 60 anos do ex-presidente americano Bill Clinton, presente no evento.

O longa perde em relação às obras-primas musicais dirigidas por Scorsese anteriormente, pois não possui tanto material de arquivo nem retrata a essência de uma época como “No Direction Home”, por exemplo. Poderia ser considerado apenas de um show gravado, mas aí é que entram os Stones. Uma apresentação do quarteto não é algo qualquer. Quem esteve em Copacabana em 2006 sabe disso – Jagger preferia que o filme fosse feito no Brasil. E Scorsese, ao deixar os roqueiros em cena praticamente o tempo todo – salvo algumas sequências em que ele próprio aparece nos bastidores e imagens antigas em que os jovens Jagger e Richards, de forma impagável, explicam aos guardiões da moral que não são anarquistas drogados – na verdade diz: “a essência do grupo está no palco”. Assim, trata de mergulhar as câmeras em cada ruga, veia e artéria do vocalista, e nos braços maltratados do guitarrista.

Como ocorreu em outras apresentações dessa turnê, não faltaram convidados especiais durante o show. O quarteto resgata sua origem no blues ao tocar com Buddy Guy, Jagger faz duo e dança de maneira libidinosa com Christina Aguilera e a banda ainda se conecta com Jack White (White Stripes), mostrando para a molecada que o rock é mais velho que o iPod.

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O repertório tem os clássicos inevitáveis – “Jumping Jack Flash”, “Sympathy for the Devil”, “Start Me Up”, “Brown Sugar”, “(ICan’t Get No) Satisfaction”, etc e evita as canções dos últimos trabalhos do grupo: a mais “recente” é de 1983, do LP “Undercover” . Perfeito para fãs, pode ser uma boa aula de iniciação para quem pretende conhecer o trabalho da banda.

“Shine a Light” chegou ao mercado brasileiro junto com o CD da trilha sonora, lançado em edições simples e dupla (esta inclui quatro bônus, isto é, músicas do show que não entraram na edição do DVD).

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André Azenha é jornalista, editor dos sites CineZen e CulturalMente Santista, autor do livro Poesia a Quatro Mãos, feito em parceria com sua mãe, a poetisa Regina Azenha. Trabalhou com o crítico de cinema Rubens Ewald Filho, escreveu para a revista Época São Paulo e colabora com veículos de imprensa de vários estados. Em 2011, mediou o ciclo Documentários Comentados, no SESC Santos. É assessor de imprensa e realiza encontros culturais, a maior parte de caráter beneficente.


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