O Reino
Por: André Azenha
O Reino (The Kingdom, EUA, 2007). Direção: Peter Berg. Roteiro: Jamie Foxx, Jennifer Garner, Chris Cooper, Jason Bateman, Ashraf Barhom. Ação / Thriller. 110 min. (Cor).
7,5
Após a bem-sucedida parceria em “Colateral” (2004), o diretor Michael Mann (nesse caso, como produtor) e o astro Jamie Foxx se reencontram em “O Reino”, thriller que segue uma tendência de Hollywood: fantasiar tragédias reais. No caso, o ataque às Torres de Khobar, em 1996, na Arábia Saudita, quando um caminhão-bomba explodiu junto a um complexo habitacional da Força Aérea norte-americana, matando 19 pessoas.
Na ficção escrita por Matthew Michael Carnahan (que também assinou “Leões e Cordeiros”), Foxx vive Ronald Fleury, um agente especial do FBI no comando de uma equipe de elite em viagem ao país árabe, onde um ataque a uma zona residencial americana em Riad desencadeou um incidente internacional.
A equipe do FBI é formada por elenco conhecido do grande público: Chris Cooper, figurinha carimbada em produções que mostram situações de conflito (a lista é extensa: “Syriana”, “A Supremacia Bourne” e por aí vai), a beldade Jennifer Garner (da série “Alias”) e Jason Bateman (da série “Arrested Development” e do longa “O Ex-Namorado da Minha Mulher”).

Todos os atores têm bons desempenhos – até Garner, acostumada a comédias românticas, surpreende. A atriz, aliás, além de chorar mais de uma vez durante a projeção, viveu instantes de Mike Tyson ao precisar morder a orelha do inimigo numa briga chocante. Outro que se destaca também é o ator Ashraf Barhom, de “Paradise Now”, que interpreta o Coronel Faris Al Ghazi, encarregado pelo príncipe de proteger os agentes americanos.
O objetivo do grupo é achar o culpado pelas explosões. Só que as autoridades locais, regidas pela burocracia do governo saudita, dificultam ao máximo a operação e, pelo caminho, um dos membros do time ainda é sequestrado.
Sem a complexidade de um “Syriana”, que retrata de forma mais realista o jogo de interesses políticos no Oriente Médio, o filme proporciona ao espectador ótimas cenas de ação (destaque para o tiroteio final, tenso ao estilo de “Falcão Negro em Perigo”), mas faz propaganda da competência dos EUA para encontrar terroristas no exterior.
Já a produção foi turbulenta. Em agosto de 2006, durante as filmagens no deserto do Arizona, em Phoenix, o assistente Nick Papac colidiu seu carro com o veículo que transportava o diretor Peter Berg e não resistiu aos ferimentos. Dias depois, foi a vez de Jennifer Garner desmaiar, vítima do forte calor no deserto – o que fez o maridão Ben Affleck ir correndo para o local.
Embora evite maniqueísmos exagerados, “O Reino” chega ao limite entre a diplomacia e a arrogância típica da cultura do cowboy. Na vida real, os verdadeiros responsáveis pelo ataque à Khobar estão até hoje soltos, na lista dos “mais procurados” do FBI. Ainda assim, vale a conferida, principalmente se você gosta de ação e tiroteios; e pela cena final, que chega a “igualar” mocinho e bandido, pois, no fundo, a motivação de ambos é “matar todos eles”, os inimigos.
