Dreamgirls – Em Busca de Um Sonho

Filme toma certas liberdades ao contar a trajetória do trio da soul music Supremes, que tinha Diana Ross, e destaca-se pela presença da nova Jennifer Hudson, estreando no cinema e vencendo o Oscar de Atriz Coadjuvante
Por André Azenha, editor (18/02/2009) // Comente

Dreamgirls – Em Busca de Um Sonho (Dreamgirls, EUA, 2006). Direção: Bill Condon. Roteiro: Bill Condon, baseado em livro de Tom Eyen. Elenco: Jamie Foxx, Eddie Murphy, Beyoncé Knowles, Jennifer Hudson, Danny Glover, John Lithgow. Musical / Drama. 131 min. (Cor).

A trajetória do trio feminino Supremes, na soul music dos anos 60, é o pano de fundo de “Dreamgirls – Em Busca de um Sonho”, adaptação do bem-sucedido musical da Broadway que era inspirado na trajetória real do grupo que tinha Diana Ross. Agenciadas pelo poderoso Berry Gordy Jr., chefão da gravadora Motown, as Supremes tiveram uma carreira brilhante, mas Gordy decidiu dar maior detaque no grupo a Diana Ross, em detrimento da até então líder Florence Ballard. Bastante acima do peso, Florence foi demitida, enquanto Ross virou a maior diva do soul.

A trama, dirigida por Bill Condon (além de diretor  bem-sucedido, foi roteirista de “Chicago”), narra – tomando várias “liberdades” em relação aos fatos reais – a ascensão profissional de um trio de cantoras, agenciadas por um vendedor de carros (Jamie Foxx), que se transforma em empresário conhecido através de subornos e tramóias, aliados à capacidade de sacar o gosto dos consumidores de música no país. Graças a essa “visão” mercadológica, decide substituir, no posto de cantora principal do grupo, a gorducha e geniosa Effie (Jennifer Hudson) pela bela Deena (Beyouncé Knowles), com quem passa a ter um romance.

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Hollywood temia investir numa produção praticamente formada por negros e o projeto só foi concretizado após o sucesso do musical (gênero em baixa na época) “Chicago” (2002), e ao estouro do hip hop. Orçado em U$ 70 milhões, adquiriu status de superprodução, e foi criticado, inclusive perdendo o Oscar de Melhor Canção, quando teve três entre as cinco músicas indicadas.

Mas o filme não é ruim. Além de ser bonito tecnicamente, as canções de Henry Krieger (autor da trilha da peça original) traçam com exatidão a evolução do R&B ao soul, culminando na disco music dos anos 70 e as atuações do elenco são boas.

Eddie Murphy, indicado a Ator Coadjuvante pela Academia por esse longa, solta a voz num papel dramático,  como um soulman revolucionário dos anos 60 que se perde entre drogas, frustração e a busca por um novo som na década de 70 – analogia a Marvin Gaye, ainda que a performance de Murphy lembre mais James Brown e Jackie Wilson.

Já Jamie Foxx comprova saber cantar como já tinha feito em “Ray” (2004) e Beyouncé não compromete. Sem falar do furacão Jennifer Hudson.

Escorraçada do programa de TV American Idol, ela deu a volta por cima. Para interpretar Effie, seu primeiro trabalho como atriz, foi escolhida entre 782 concorrentes, engordou 40 quilos e enfrentou seis meses de testes. Tanto esforço e talento lhe renderam o Oscar de Atriz Coadjuvante. O filme, que não foi bem de bilheteria, ainda levou o Oscar de Melhor Som e tentou reconciliar as integrantes na ficção – na vida real, Florence faleceu em 1976 de trombose coronária.

Mas entre erros e acertos, vale a conferida pelos bons números musicais – principalmente um momento solo de Hudson.

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André Azenha é jornalista, editor dos sites CineZen e CulturalMente Santista, autor do livro Poesia a Quatro Mãos, feito em parceria com sua mãe, a poetisa Regina Azenha. Trabalhou com o crítico de cinema Rubens Ewald Filho, escreveu para a revista Época São Paulo e colabora com veículos de imprensa de vários estados. Em 2011, mediou o ciclo Documentários Comentados, no SESC Santos. É assessor de imprensa e realiza encontros culturais, a maior parte de caráter beneficente.


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