O Orfanato
O Orfanato (El Orfanato, México / Espanha, 2007). Direção: Juan Antonio Bayona. Roteiro: Sergio Sánchez. Elenco: Belén Rueda, Roger Príncep, Edgar Vivar, Geraldine Chaplin, Fernando Cayo. Terror / Suspense. 100 min. (Cor).
Guillermo Del Toro se especializou em filmar o fantástico utilizando crianças em papéis fundamentais. Foi assim nos excelentes “A Espinha do Diabo” (2001) e “O Labirinto do Fauno” (2006), que arrebatou três estatuetas no Oscar. Com orçamentos baixos para Hollywood, ambas as produções impressionaram pelos ótimos efeitos visuais, que completaram tramas inteligentes. Diretor bem sucedido, o cineasta mexicano resolveu produzir. E “O Orfanato”, cujos traillers e cartazes traziam a frase “Guillermo Del Toro apresenta”, carrega muitas das marcas dele.
Del Toro parece ter a predileção em mostrar que, com pouco, se faz muito. Assim, foram escalados diretor (Juan Antonio Bayona) montador e diretor de fotografia estreantes para conceber a obra, que, não à toa, custou “meros” US$ 6,5 milhões, e se tornou uma das maiores bilheterias do cinema espanhol em todos os tempos, ficando lado a lado com “Os Outros”, “La Gran Aventura de Mortadelo y Filemón” e “Torrente”.
A trama escrita pelo espanhol Sergio Sánchez mescla assuntos inerentes ao gênero, como a casa mal assombrada, a criança desaparecida, que antes enxergava amigos imaginários, a incredulidade dos pais, o arrependimento dos próprios, que depois descobrem os espíritos. Mas ao menos evita pregar sustos fáceis na platéia – e isso é um mérito nos dias atuais.

Laura (Belén Rueda), junto ao noivo e o filho adotado Simón (Roger Príncep), busca construir uma espécie de retiro para crianças com necessidades especiais no orfanato onde passou parte da sua infância. Os problemas começam quando o menino faz amizades invisíveis. Simón é soropositivo e precisa tomar remédios diariamente. Certo dia, ele desaparece e leva a mãe ao desespero. Com o passar dos meses, ela precisa encarar sozinha os “segredos” guardados no local.
Mesmo ao lembrar “Poltergeist”, o filme mantém a atenção do expectador e ao contrário de “O Grito” e alguns congêneres, possui atores competentes como protagonistas – destaque para Belén Rueda – e ainda acerta ao não tornar Simon um garoto prodígio. Ele é uma criança comum que pergunta à mãe se pode “acordar”, gosta de ouvir histórias dos pais e brincar com eles.
O escorregão fica por conta do desfecho que pode soar como um grande buraco no roteiro ou falta de inteligência dos personagens (não vou entrar em detalhes para evitar revelar a trama).
Como curiosidade: o especialista em paranormalidade rotundo é Edgar Vivar, o próprio, mais conhecido como o Sr. Barriga da série Chaves.
8,0
