Vivendo e Aprendendo
Por: André Azenha
Vivendo e Aprendendo (Smart People, 2008). Direção: Noam Murro. Roteiro: Mark Poirier. Atores: Dennis Quaid, Ellen Page, Sarah Jessica Parker, Thomas Haden Church, Ashton Holmes. Comédia/Drama. 95 min. (Cor).
8,0
Famílias instáveis americanas já foram retratadas em vários filmes, principalmente naquelas produções que passam praticamente despercebidas no cinema, criticam o modo de ser do americano médio e não possuem mensagens das mais positivas. Um exemplo é “A Lula e a Baleia” (2005), de Noah Baumbach. “Vivendo e Aprendendo” tem muitas destas características e pode até irritar quem adora ver a “realidade” do país de Bush e Barack Obama, mas ao invés de investir na crítica ferrenha e no drama pesado, prefere basear sua história numa mescla de ironia, bom-humor e uma mensagem positiva: mesmo uma família desregulada pode ser feliz.
O longa é a estréia do cineasta israelense Noam Murro e do roteirista Mark Poirier (que trabalham juntos novamente na produção de “Hateship, Friendship, Courtship”) e conta com um elenco conhecido, destacando o veterano Dennis Quaid como Lawrence, um professor viúvo que “adora” levar a vida de forma sofrida, criando seus dois filhos (a indicada ao Oscar – por “Juno” – Ellen Page e seu irmão interpretado por Ashton Holmes, de “Marcas da Violência”) e tendo que aturar a chegada do irmão de criação (Thomas Haden Church, “Sideways – Entre Umas e Outras”), sujeito preguiçoso, mas que dá alegria ao ambiente familiar. As coisas parecem melhorar para Lawrence quando ele conhece a médica Janet (Sarah Jessica Parker, de “Sex and the City”).
Mas até o final feliz (isso mesmo, se você gosta de desfechos enigmáticos, ou traumatizantes, passe longe), muita água vai rolar. Lawrence terá que perder a arrogância (ele é culto, e por isso, pensa ser superior), precisará convencer a filha republicana a aceitar seu novo relacionamento amoroso e terá que reaprender a amar.
A trama não é das mais sedutoras, mas o bom desempenho dos atores (inclusive de Sarah Jessica Parker), alguns diálogos que tiram sarro dos republicanos, na maneira como pessoas “inteligentes” (daí a ironia do título original da obra) acabam complicando suas vidas, e dos metidos a intelectuais e a forma enxuta como a obra é realizada cativam.
Além disso, o tom de comédia não impede que o público reconheça os problemas da família. A ausência da mãe faz com que a personagem de Page se aproxime demais do pai, que de certa forma também está ausente, e ainda se interesse pelo tio, num claro sinal de carência.
Divertido, sem exageros, Vivendo e Aprendendo é um bom passatempo e mostra que é possível levar a vida, apesar dos problemas familiares, recorrentes a qualquer residência deste planeta azul.
O DVD do filme sai diretamente no mercado de home vídeo no Brasil, tem áudio em inglês e português, legendas em português, imagem widescreen (anamorfico) e extras com sinopse, ficha técnica e trailers.
