Pecados Inocentes

Por: André Azenha

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Pecados Inocentes (Savage Grace, EUA / Espanha / França, 2007). Direção: Tom Kalin. Roteiro: Howard A. Rodman, baseado em livro de Natalie Robins e Steven M.L. Aronson. Elenco: Julianne Moore, Stephen Dillane, Eddie Redmayne, Elena Anaya, Barney Clark. 97 min. (Cor).

8,5

Narcisismo, a hipocrisia classe alta britânica, homossexualismo e momentos edipianos são os temas recorrentes de “Pecados Inocentes”, orçado em menos US$ 5 milhões, e que foi filmado durante trinta e sete dias entre julho e agosto de 2006.

Dirigido por Tom Kalin, cineasta realizador de vários curtas-metragens, o longa é protagonizado pela sempre marcante e versátil Julianne Moore (“Ensaio sobre a Cegueira”). A trama, a princípio, parece mais um drama com apelo crítico mirando a classe abastada, como se fosse um daqueles filmes de época britânicos. Somos apresentados ao casal Barbara (Moore) e Brooks Baekeland (Stephen Dillane – o Merlin, de “Rei Arthur”, com Clive Owen), em jantares e reuniões na companhia dos amigos endinheirados e cheios de pompa – e muita superficialidade. Os dois se portam de forma solene, ainda que se alfinetem constantemente. Na intimidade, Brooks, sujeito dos mais narcisistas, assume que não suporta o convívio na alta sociedade e Barbara só tem atenção para o seu bebê, Tony (que na fase adulta é interpretado por Eddie Redmayne, o filho de Matt Damon em “O Bom Pastor”).

Os conflitos dentro da família levam os três a relações cada vez mais conflitantes e provocantes. Entre diálogos ásperos, cinismo e uma certa dose de amargura, a família vai se deteriorando. E é a partir dessa ruptura familiar que o público é surpreendido.

A homossexualidade de Tony é apenas o ponto de partida da história que ainda revela uma relação incestuosa e um desfecho chocante. Para a eficiência de cada cena, conta as excelentes atuações de Julianne Moore (algo que se tornou redundante), cujo rosto sempre expressivo, as feições e sua beleza capturam as atenções enquanto está em cena, e do jovem Redmayne, que encarna com perfeição seu personagem.

Cada tomada é conduzida com imensa competência por Tom Kalin, que se utiliza de narrativa ágil. E se no começo o longa soa como drama, em seu ato final torna-se um suspense dos bons, com intensas doses de sensualidade e violência – tanto psicológica quanto física.

Baseado num livro homônimo lançado pela primeira vez em 1985, escrito por Natalie Robins e Steven M.L. Aronson (cuja base para a concepção da obra chocará ainda mais o espectador quando revelada), o filme passou praticamente em branco nos cinemas e não é um veículo para qualquer pessoa, mas é uma obra interessante, bem dirigida e com atores competentes. Vale descobri-la. O DVD nacional tem áudio em inglês e português e legenda em português. Nos extras, há a sinopse, ficha técnica do filme e trailers dos outros lançamentos.

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André Azenha
Jornalista por formação, crítico de cinema, produtor cultural, pesquisador, curador, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Colaborou com críticas semanais nos jornais Expresso Popular e quinzenais no jornal A Tribuna. Colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest - Festival Internacional de Filmes de Santos, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest e PalafitaCon. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante. Atualmente participa do projeto Hora da Cultura, pela Secult Santos, levando sessões de filmes e bate-papos às escolas da rede municipal. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi. Escreveu sobre cinema para sites, jornais e revistas de Santos, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Limeira e Maceió. www.facebook.com/andreazenha01

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