Apocalypto

Por: André Azenha

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Apocalypto (Idem, EUA, 2006). Direção: Mel Gibson. Roteiro: Mel Gibson e Farhad Safinia. Elenco: Rudy Youngblood, Dalia Hernandez, Jonathan Brewer. Ação. 139 min. (Cor).

7,0

Após arrancar tripas nas batalhas de “Coração Valente” (1995), quando levou o Oscar de Direção, e mostrar em close a tortura de Jesus no polêmico “A Paixão de Cristo” (2004), o preconceituoso Mel Gibson assumiu de vez sua atração pela violência física explícita em “Apocalypto”. O diretor, com o auxílio do co-roteirista Farhad Safinia, realizou uma boa obra de ação, mas atípica e extremamente violenta.

No início do século 16, um jovem nativo chamado Pata de Jaguar (Rudy Youngblood) leva uma vida tranqüila nas florestas da América Central, até a calma ser interrompida por um ataque dos poderosos maias, que invadem sua aldeia, matam seu pai e amigos e o escravizam junto com outros guerreiros jovens.

Os governantes do já decadente Império Maia acreditam que, para alcançar a prosperidade, precisam construir templos e realizar sacrifícios humanos, onde corações são arrancados e oferecidos ao deus sol. Jaguar é capturado para ser sacrificado, mas acaba escapando. E precisa correr contra o tempo e lutar contra os inimigos mais fortes para salvar sua mulher e filho, que escondeu num poço, prestes a ser inundado, durante o ataque.

Ao reunir características de vários períodos da civilização Maia, o filme não é um retrato histórico fidelíssimo. Mas Gibson acerta em várias decisões. Assim como em “A Paixão de Cristo” (falado em aramaico), “Apocalypto” utiliza o dialeto maia iucateque (versão contemporânea do maia antigo) para tentar dar veracidade à história. Além disso, o filme é estrelado por um elenco amador (que surpreende), selecionado em meio à população local, e rodado em locação na selva tropical.

Suas imagens destilam como poucas produções a força da adrenalina e testosterona. Pata de Jaguar corre praticamente meio filme inteiro – e com ele o público. O ritmo de tirar o fôlego só tem pausas para mostrar membros decepados, órgãos expostos e sangue jorrando – é bom não assistir de barriga cheia, especialmente se o estômago for fraco – num clima de tensão iminente.

Com um orçamento de U$ 40 milhões, teve três indicações ao Oscar: em Som, Edição de Som e Maquiagem. Impressionante do ponto de vista físico e visceral, poderia ter conseguido melhor recepção se Gibson não tivesse feito comentários anti-semitas pouco antes da estréia.

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André Azenha
Jornalista por formação, crítico de cinema, produtor cultural, pesquisador, curador, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Colaborou com críticas semanais nos jornais Expresso Popular e quinzenais no jornal A Tribuna. Colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest - Festival Internacional de Filmes de Santos, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest e PalafitaCon. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante. Atualmente participa do projeto Hora da Cultura, pela Secult Santos, levando sessões de filmes e bate-papos às escolas da rede municipal. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi. Escreveu sobre cinema para sites, jornais e revistas de Santos, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Limeira e Maceió. www.facebook.com/andreazenha01

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