O Sobrevivente
Por: André Azenha
O Sobrevivente (Rescue Dawn, EUA, 2006). Direção e roteiro: Werner Herzorg. Elenco: Christian Bale, Steve Zahn, Marshall Bell. Drama. 126 min. (Cor).
8,5
Werner Herzog (“O Homem Urso”) é cineasta talentoso, meticuloso, que não mede esforços para deixar suas obras com uma “cara real”. E tem um gosto especial em tratar do tema “homem versus natureza”. Seguindo esse caminho, fez de “O Sobrevivente”, uma obra sobre o Vietnã, que nada tem a ver (exceto a guerra em questão) com os filmes já produzidos sobre o conflito.
Baseada nos fatos narrados no documentário dirigido pelo próprio Herzog em 1997 (“Little Dieter Needs to Fly”), a trama acompanha a trajetória do piloto Dieter Dengler (o Batman atual, Christian Bale), que na sua primeira missão é abatido no Laos enquanto a Guerra do Vietnã acontece. Capturado e levado a um remoto campo de prisioneiros localizado no meio da selva, ele passa meses planejando uma fuga ao lado de alguns outros soldados que também se encontram aprisionados ali, sendo submetidos a maus tratos, torturas e à instabilidade emocional dos soldados locais, que podem matá-los a qualquer instante.
Sem levantar questões políticas ou puxar sardinha para qualquer lado, a obra beneficia-se pela presença de Bale, um dos grandes atores de sua geração, e que já merecia ter sido lembrado por alguma grande premiação. O ator consegue transmitir ao público a transformação que seu personagem sofre: de um cara alegre, que só desejava voar, em um homem que apenas quer manter a vida no meio da selva, retratada como a verdadeira prisão da trama.

Aliás, todo o elenco mergulhou de cabeça no projeto. Não foram colocados traillers nas filmagens e todos precisaram passar por transformações físicas bruscas, diminuindo drasticamente o peso. Steve Zahn (“The Wonders”) por exemplo, perdeu 18 quilos e é um dos que melhor mostra o que uma guerra pode fazer às pessoas. Sua interpretação lhe rendeu uma indicação ao Independent Spirit Awards de Melhor Ator.
A maneira como a história foi filmada também impressiona. Com tom documental, a platéia realmente parece estar encarando a selva e todos os seus perigos. Já os soldados americanos são retratados, como de costume, com aquele clima de camaradagem.
“O Sobrevivente” (orçado em “apenas” US$ 10 milhões) merece palmas por ter ido na contramão das produções de guerra atuais – focadas no Iraque e o pós 11 de setembro – e por não apelar (totalmente) para o sentimentalismo patriótico americano.
