Em Paris
Por: André Azenha
Em Paris (Dans Paris, França / Portugal, 2006). Direção e roteiro: Christophe Honoré. Elenco: Roman Duris, Louis Garrel, Guy Marchand, Joana Preiss. Drama. 92 min. (Cor).
9,5
“É possível pular de uma ponte por amor?”, pergunta Jonathan (Louis Garrel, de “Os Sonhadores), no início de “Em Paris”, filme escrito e dirigido com sensibilidade pelo francês Christophe Honoré.
O início já faz a produção diferente, pois, num tom quase teatral, Garrel conversa diretamente com o público para apresentar o que o espectador verá nos próximos 92 minutos de projeção.
Ele é irmão de Paul (Roman Duris, da dobradinha “Albergue Espanhol” e “Bonecas Russas”), que está passando por aquela depressão típica de quem saiu de uma relação amorosa, intensa, aqueles dias em que o travesseiro é o companheiro das horas dolorosas.
Com extrema habilidade, Honoré conduz de forma simples e inteligente o longa-metragem, mostrando o “processo” pós-rompimento que faz Paul tentar se isolar do mundo, ficar com a barba grande, passar dias sem comer e derramar muitas lágrimas.

Nada soa excessivo ou forçado. Pois não se trata de um melodrama, por mais que soemos melodramáticos após saíramos de uma relação duradoura ou intensa. Há momentos de comédia, sem que o enredo descambe para a caricatura, e outros sublimes, como o dueto ao telefone do protagonista com a ex-namorada.
Filmado em apenas dois meses, entre janeiro e fevereiro de 2006, “Em Paris” tem bela trilha sonora e recebeu uma indicação ao Cesar (o Oscar francês) de Ator Coadjuvante para Guy Marchand, no papel de pai da dupla.
Trata-se de um filme para corações sensíveis, e cuja resposta à pergunta presente no primeiro parágrafo deste texto todos aqueles que já viveram um amor com intensidade, sabem muito bem qual é.
O DVD tem boa imagem widescreem, áudio em francês, e legendas em português e inglês.
