Cloverfield – Monstro

Por: André Azenha

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Cloverfield – Monstro (Cloverfield, EUA, 2008). Direção: Matt Reeves. Rotero: Drew Goddard. Elenco: Lizzy Caplan, Jessica Lucas, T.J. Miller. Ação / Terror. 85 min. (Cor).

7,5

Ao melhor estilo “A Bruxa de Blair” (1999), o marketing viral fez de “Cloverfield” o filme de monstro mais esperado dos últimos tempos. Os primeiros trailers não davam pistas sobre o que se tratava, a não ser revelar o nome de J. J. Abrams (criador do seriado “Lost”) na produção.

O longa, feito por velhos parceiros de Abrams – Drew Goddard (“Lost”, “Alias”, “Buffy”) escreveu e Matt Reeves (“Felicity”) dirigiu – impressiona pelo clima eletrizante, os ótimos efeitos visuais (o monstro, seus “filhotes” e a destruição dos prédios na metrópole parecem de verdade) e o realismo impressionante com que as cenas são rodadas, mas derrapa ao escancarar verdadeiros buracos no roteiro.

A trama acompanha um jovem prestes a ir para o Japão – a terra dos monstros gigantes – que vê sua despedida se transformar numa noite de terror com a chegada de uma criatura a NY.

Apesar da “homenagem”, a obra tentou não ser mais um filhote de “Godzilla”, trocando o teor trash do clássico japonês de 1954 por uma roupagem quase independente – a maneira como foi filmado, com câmeras digitais caseiras, serve para reforçar mais ainda as comparações com o “A Bruxa de Blair” – porém vale lembrar que o antigo filme teve orçamento de US$ 30 mil, enquanto “Cloverfield” custou mais de US$ 30 milhões. Traçando outro paralelo com o monstrengo nipônico, sai o Japão destruído após a Segunda Guerra Mundial, e entra em cena a NY pós 11 de setembro. Assim sendo, a figura do monstro serve como analogia ao trauma sofrido pela população.

Com um elenco jovem e competente, a trama consegue prender a atenção do público, tem trilha sonora em volume máximo e ainda faz uma pequena crítica à intervenção militar americana em situações de risco. Pena que não consiga fugir de certos clichês. Porque em histórias do gênero sempre tem alguém que precisa insistir em colocar tudo a perder, arriscando a própria vida e a dos amigos? Além disso, fica difícil acreditar que a bateria da câmera dure tanto (a do celular acaba bem antes).

E se você é fã de filmes de monstro, vale optar por “O Hospedeiro”, filme coreano muito mais original e divertido.

André Azenha
Jornalista por formação, crítico de cinema, produtor cultural, pesquisador, curador, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Colaborou com críticas semanais nos jornais Expresso Popular e quinzenais no jornal A Tribuna. Colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest - Festival Internacional de Filmes de Santos, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest e PalafitaCon. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante. Atualmente participa do projeto Hora da Cultura, pela Secult Santos, levando sessões de filmes e bate-papos às escolas da rede municipal. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi. Escreveu sobre cinema para sites, jornais e revistas de Santos, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Limeira e Maceió. www.facebook.com/andreazenha01

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