Bubble

Filme israelense retrata juventude de Tel Aviv, a "bolha" do título
Por André Azenha, editor (10/02/2009) // Comente

Por: André Azenha

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Bubble/A Bolha (Ha-Buah, Israel, 2006). Direção: Eytan Fox. Roteiro: Gal Uchovsky e Eytan Fox. Elenco: Ohad Knoller, Alon Friedman, Daniela Virtzer, Yousef “Joe” Sweid, Miki Kam, Shredi Jabarin. Drama. 90 min. (Cor).

6,5

“Bubble”, que significa “bolha” é a forma como os israelenses chamam Tel Aviv. Muita da cidade gente se exclui voluntariamente da realidade social e política do país, e essa atitude é constantemente julgada como superficial e irresponsável por quem mergulha fundo nas questões políticas, mas também pode ser encarada como um mecanismo de sobrevivência. Dirigido por Eytan Fox, de “Delicada Relação”, a trama é um pequeno panorama da juventude daquela região.

Três jovens levam a vida numa boa em Tel Aviv. Trabalham, se divertem e mesmo não sendo tããããooo preocupados com os problemas políticos de Israel, se consideram contra a ocupação. A vida do trio, composto por dois rapazes e uma garota (Daniela Virtzer, ótima atriz, linda, carismática e sexy), irá mudar quando Noam se apaixona por Ashraf, um jovem palestino. O rapaz árabe logo é acolhido pelo grupo israelense que decide abrigá-lo ilegalmente. Começam aí, então, as mudanças que irão afetar a vida dessa turma para sempre.

Apesar do tema batido “amor proibido”, o longa não é propriamente um drama, pois tem uma história até certo ponto leve – exceto a primeira cena, quando uma mulher palestina perde o bebê na fronteira, vítima da demora causada pela burocracia. O filme mostra o cotidiano de pessoas normais em meio a um conflito armado antigo. Eles gostam de rock, bandas inglesas, saem para dançar… e resolvem “protestar” numa rave. O problema é que os personagens são praticamente caricaturais. Tem o cara cafajeste, a menina que nunca se dá bem com os homens numa relação amorosa e se surpreende quando é tratada bem por um rapaz, o gay sensível e o parceiro “machão”, enfim… Perfis já abordados inúmeras vezes no cinema.

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Os toques de humor desaparecem completamente no ato final, quando finalmente o espectador é colocado frente a frente com uma possível tragédia. “Bubble” acaba sendo um filme razoável, nem tão intenso quanto “Paradise Now”, por exemplo, no quesito conflito político, ou dramático quanto “A Espiã”, no sentido de “amor impossível”, mas vale ser conferido.

Destaque para a trilha sonora, repleta de canções em inglês de artistas bacanas como Belle and Sebastian, a magnífica e sensível “First Day of my Life”, do Brigth Eyes, Nada Surf e até a brasileira Bebel Gilberto. Porém, essa trilha pode ser entendida de duas maneiras: algo completamente deslocado, pois seria muito mais plausível canções judaicas e árabes para ambientar a história; ou uma metáfora para a influência ocidental por aqueles lados. No final, dá pra sair apaixonado por Daniela Virtzer. Prestem atenção na parte que ela se finge de repórter, e fala inglês com sotaque francês. Impagável!

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André Azenha é jornalista, editor dos sites CineZen e CulturalMente Santista, autor do livro Poesia a Quatro Mãos, feito em parceria com sua mãe, a poetisa Regina Azenha. Trabalhou com o crítico de cinema Rubens Ewald Filho, escreveu para a revista Época São Paulo e colabora com veículos de imprensa de vários estados. Em 2011, mediou o ciclo Documentários Comentados, no SESC Santos. É assessor de imprensa e realiza encontros culturais, a maior parte de caráter beneficente.


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